Theodor Preising: o fotógrafo que registrou raras e icônicas imagens São Paulo

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Recém chegado da Alemanha, em 1923, Theodor Preising desembarcou em terras tupiniquins aos 40 anos de idade, e se instalou no Guarujá, litoral sul de São Paulo. Lá trabalhou como revendedor de cartões postais, máquinas e produtos fotográficos.

Viaduto do Chá, 1940. Foto: Theodor Preising

Após quase 100 anos de sua chegada, os paulistanos recebem a exposição Theodor Preising – Um Olhar Moderno, São Paulo, na Unibes Cultural, produzida por Douglas Roberto Aptekmann, bisneto e detentor do acervo de Preising. 

A mostra reúne um expressivo conjunto de fotografias e que vai além da simples documentação. E ainda aproxima-se das estratégias imagéticas da modernidade.

Preising é referência pelo seu trabalho de pesquisa, pois foi capaz de fazer imagens tanto do ponto de vista cultural, quanto documental, fundamental para a memória urbana.

“A Alemanha, no pós-guerra, se tornará um importante centro do movimento político, técnico-científico e intelectual da Europa. Em 1919, Walter Gropius funda a Bauhaus; Kurt Schwitters é o mais notável representante do dadaísmo; em 1921, Albert Einstein recebe o Prêmio Nobel; as teses de Sigmund Freud tornam-se mundialmente conhecidas; Fritz Lang e Ernst Lubitsch se destacam no cinema; entre tantas outras manifestações que marcaram o período 1918 – 1925. Claro que essa efervescência influencia todos aqueles que estão inseridos na produção cultural, bem como todas as linguagens, entre elas a fotografia”, explica o pesquisador e curador da exposição, Rubens Fernandes Junior

O fotógrafo chegou ao Brasil com a finalidade de se instalar profissionalmente. Em nenhum momento, vacilou em relação ao seu objetivo de aproveitar seu conhecimento e experiência para atuar na fotografia. Tanto é que sua inserção no mercado se deu por meio da comercialização de produtos fotográficos e cartões postais, iniciativas que asseguraram rapidamente seu reconhecido mérito na área. 

Após poucos meses de trabalho, ele percebeu que a cidade de São Paulo, muito próxima do Guarujá, era um centro mais cosmopolita para concretizar seu plano, ou seja, dar continuidade e ampliar suas atividades como fotógrafo. Sem grandes conexões, Preising se instalou na capital paulista e deu início ao seu projeto, centrado na produção e distribuição de cartões postais.

Naquele momento, segunda metade da década de 1920, o cartão postal ainda era uma forma rápida, eficiente e moderna de circulação de imagens e pequenos textos. A fotografia tornou-se o paradigma da paisagem cultural da modernidade e o cartão postal, de extrema eficácia comunicativa, permitiu um impacto radical nas relações socioculturais.

Vista aérea de São Paulo, 1930. Foto: Theodor Preising

Persuasivo e sensível, o cartão postal deu à fotografia o crédito de instrumento essencial das novas necessidades de informação. Preising anteviu nessa possibilidade uma maneira de divulgar sua fotografia e se tornar conhecido.

Para isso, precisou se assumir como empreendedor e criar alguns diferenciais que, vistos com os olhos de hoje, ainda são ousados e inovadores. 

Sua cartofilia traz registrado sua assinatura “TP” e os “Direitos Reservados”, atitude incomum dentre os muitos fotógrafos que atuaram nesse segmento entre as décadas de 1920 e 1940. Isso lhe conferiu um profissionalismo e uma posição diferenciada na produção fotográfica do período. 

A fotografia de Preising traz implícita uma geometria singular, que fica clara a importância da sua rígida formação na educação fotográfica. Possuía uma versatilidade técnica que viabilizou a criação de imagens bem definidas, nítidas e equilibradas que o aproximava dos princípios da fotografia moderna, comprovada pela sua capacidade de tornar extraordinário o cotidiano ordinário. 

Ao olharmos para parte de sua produção realizada na cidade de São Paulo, é possível identificar alguns índices dessa modernidade fotográfica – ângulos inusitados de captação, cortes ousados, diferenciação no enquadramento, geometrização dos registros, e posicionamento incomum da câmera. Ele sabia muito bem como explorar o contraluz e foi um pioneiro nas vistas aéreas da capital paulista. 

“Preising também demonstrava um especial interesse no espontâneo e imprevisível movimento urbano, e sabia captar na imagem, a vida anônima que circulava nas ruas da cidade. Ele produziu um documento visual exato, preciso e, paradoxalmente, subjetivo, o que justamente caracterizava um dos procedimentos da modernidade. Muito provavelmente, parte disso ele já tinha apreendido na sua formação inicial, centrada na técnica impecável e no apurado senso estético”, finaliza Rubens.

SERVIÇO

Exposição Theodor Preising – Um Olhar Moderno, São Paulo
Unibes Cultural, São Paulo – Rua Oscar Freire, 2500, ao lado da estação Sumaré do Metrô.
27 de julho a 28 de agosto. Terça a sexta-feira das 14h às 19h.
Informações para agendamento: (11) 98442-9811 ou (11) 96692-2627.
Entrada gratuita

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