The Batman – nuances entre a vulnerabilidade e a violência

The Batman é a visão de Matt Reeves à história clássica do Homem-Morcego, estrelada Robert Pattinson, Zoe Kravitz e Colin Farrell.

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The Batman - Foto: Warner Bros./Divulgação
The Batman - Foto: Warner Bros./Divulgação

É inegável dizer que o Batman é o personagem fictício mais sombrio e misterioso de toda a história cinematográfica baseada em quadrinhos. Isso porque o protagonista carrega uma história trágica, cercada de moralidade e justiça, adicionada a uma flexibilidade em sua personalidade dentre as diversas adaptações trazidas para as telonas.

E aproveitando-se dessa liberdade criativa que a Warner/DC sempre concede aos seus autores, Matt ReevesPlaneta dos Macacos (2014 e 2017) e Cloverfield – Monstro (2008) – cria um panorama excepcional para os fãs do Homem-Morcego.

A história

A história do super herói é antiga, tendo seu primeiro filme lançado em 1966, com as brilhantes atuações de Adam West e Burt Ward imortalizando a dupla Batman e Robin, respectivamente. Com 10 filmes já realizados, a narrativa sempre rondou o passado traumático de Bruce Wayne, enfrentando diversos vilões ao longo da trama, em busca de justiça pela população de Gotham City.

Apesar de o novo Batman não fugir dessa tradição, Reeves consegue criar uma façanha original em seu cerne, trazendo um personagem que anda na linha tênue entre ser herói ou vilão. É, até mesmo, possível observar uma certa semelhança com o melhor Batman já adaptado para o cinema, Batman – O Cavaleiro das Trevas (20112) de Christopher Nolan.

O longa permite que Robert Pattinson incorpore o personagem de forma magistral, explorando um lado investigador de maneira mais psicológica do que a tecnologia e ação usual vista nos outros filmes. Embora se passe em anos antes dos demais longas, The Batman não tem relações com as produções anteriores.

Sendo assim, a trama se forma diante de um Batman jovem, em seu segundo ano em Gotham City, algo nunca antes visto. Corroído pelas memórias da morte de seus pais, Thomas e Martha Wayne, a narrativa mostra um lado obsessivo de Bruce, que sai insone pelas noites, vestido de morcego, para cometer alguns excessos de violência e insanidade, ao menos no início da película.

Diferentemente das outras obras criadas, Reeves busca uma atmosfera profunda e gótica de Gotham City. A visão do diretor é uniforme, mostrando a solidez do projeto, independente de seus anseios de criar um personagem original. Utilizando-se de um cenário melancólico e pessimista da sociedade atual, o diretor transforma as 2h57min do longa em uma linha constante de reflexão sobre a moralidade dos mocinhos e os bandidos.

Vulnerabilidade

The Batman também mostra certa vulnerabilidade, distante de fraqueza, sendo visível na construção da compreensão de seus relacionamentos com a Mulher Gato (Zoe Kravitz), Alfred (Andy Serkis), Gordon (Jeffrey Wright), Pinguim (Colin Farrell) e principalmente com o vilão, Charada (Paul Dano).

O antagonista é muito análogo ao exibicionismo caótico do famoso Coringa, trazendo uma personalidade metódica e muito próxima da realidade, utilizando a política e a tecnologia como suas principais aliadas. Essa combinação de características traz certa reflexão ao público, visto que há extrema ligação com a história de Bruce, contudo, as escolhas feitas marcam as distintas trajetórias formadas.

O filme não deixa nada a desejar, trazendo altas notas de críticos e agradando ao público fiel da DC e do personagem icônico dos quadrinhos. The Batman se prova uma experiência intrigante, além de servir como um ponto de partida para continuações categóricas e com grande potencial. Vale notar que a história traz um espírito de vingança e narra o caminho do personagem através de suas nuances características para a pessoa que ele está a caminho de se tornar. 

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