Sesc Pompeia recebe o díptico A Semente da Romã e As Três Irmãs

As duas peças acontecem simultaneamente no Teatro do Sesc Pompeia, com direção de Ruy Cortez e Marina Tenório trazendo gerações de artistas consagrados.

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A Três Irmãs - Foto Ale Catan
A Três Irmãs - Foto Ale Catan

Já sabemos que a criatividade e a inovação fazem parte do teatro. Elas são aplicadas não apenas na construção das personagens, como também na forma como são encenadas as peças. É o que acontece desta vez, com o díptico formado por As Três Irmãs, uma das obras-primas de Anton Tchekhov, e A Semente da Romã, obra inédita de Luís Alberto de Abreu, um dos mais reconhecidos dramaturgos brasileiros contemporâneos. Ambos espetáculos tem direção de Ruy Cortez e Marina Tenório, cartaz do Teatro do Sesc Pompeia.

Um díptico que questiona nossos tempos

Passamos pela pandemia e desde então, não fomos mais os mesmos. Os teatros fecharam e foram os últimos a reabrir, fato que deixou uma boa parcela de artistas e técnicos em situação de imensa vulnerabilidade, assim como boa parte da população brasileira. Ambas as peças questionam as mudanças e como nos colocamos diante delas, bem como o que poderemos esperar do futuro.

Duas peças autônomas encenadas simultaneamente em um teatro capaz de abrigar duas plateias distintas, idealizado por Lina Bo Bardi (1914-1992) . Em um dos lados, a plateia acompanha a encenação de As Três Irmãs.

A segunda plateia, localizada “nas coxias”, do outro lado, assiste ao que seriam os bastidores da primeira. Essa coxia teatral, construída em sincronia, é a encenação da peça A Semente da Romã, de um dos mais reconhecidos dramaturgos brasileiros contemporâneos. 

Os espetáculos funcionam de forma autônoma e só podem ser vistos pelo público em dois dias diferentes, ou seja, a simultaneidade é somente para os atores. O público pode escolher se vai assistir as duas peças ou apenas uma, sem prejuízo da experiência estética. 

“As peças, embora sejam obras autônomas, dialogam entre si: enquanto a primeira reflete as discussões e os sonhos de uma classe sobre sua própria vida e seu papel na sociedade russa do início do século XX, a segunda lança o olhar para a vida das pessoas de teatro e para o significado do próprio teatro na sociedade brasileira atual”, diz Ruy Cortez.

As histórias

O texto inédito A Semente da Romã reúne em cena três gerações de atores, que estão nos bastidores do último dia de apresentação da peça de Tchekhov. Enquanto esperam suas entradas, esses atores refletem sobre a situação política e cultural do país, sobre o futuro da arte, do teatro e de suas próprias vidas, criando uma fina trama entre as proposições do texto de Tchekhov e a sua realidade.

Em alguns momentos as peças, que são distintas, se entrelaçam nos questionamentos, sobre o fazer teatral e sobre a mudança e o futuro que queremos e, nos questiona em como nos movemos em direção aos nossos desejos.

As Três Irmãs, por exemplo, trazem muito o conceito de mudança dentro da cultura russa no começo dos anos 1900. A falta de esperança e o desejo de mudar para Moscou por parte das irmãs Olga, Irina e Macha, que vivem imersas na fantasia e na idealização de uma nova vida, faz com que não se movam em direção aos seus desejos com passos concretos. E acabam adiando sempre o plano, rendendo-se à vida provinciana que levam e também ao comodismo e à lamentação.

Já em A Semente da Romã, seis atores coadjuvantes vivem nos bastidores conflitos pessoais, profissionais e mesmo existenciais enquanto esperam a entrada em cena. Alguns desses conflitos dialogam com as questões dos personagens do dramaturgo russo, outros são relacionados com o sentido da arte e as dificuldades da profissão.

A Semente de Romã - Foto Ale Catan
A Semente de Romã – Foto Ale Catan

Já outros ainda dizem respeito às relações familiares, dificuldades financeiras e conflitos entre os elementos do grupo. Nesta peça, a reflexão que fica é sobre o que é ser artista, nos dias dias de hoje no Brasil.

Elenco

O elenco afiado das duas peças contam com quatro gerações de atores, que formam a Companhia da Memória. São eles e elas: Walderez de BarrosAntônio Petrin, Sérgio Mamberti (em memória, com participação especial em vídeo), Walter Breda, Ondina ClaisJoão Vasconcellos, Eduardo Estrela, Maria Manoella e Luiz Carlos Vasconcelos, Luciano Gatti, Lucia BronsteinMiriam Rinaldi, Marcos Suchara, Rodrigo Fidelis e Conrado Costa.

“Todos os integrantes desse projeto continuam nessa travessia. Testemunham como o valor da vida humana e o valor da arte, da educação e da cultura estão sendo colocados em xeque enquanto lugares de afirmação do próprio sentido da vida. E não se pode negar o fato de que o teatro reflete, como um microcosmo, todas as crises vividas pela sociedade de cada tempo”, diz a diretora Marina Tenório.

Serviço

A Semente Da Romã – Mais informações aqui.

As Três Irmãs – Mais informações aqui.

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