Série documental sobre escritoras brasileiras

Série documentação da HBO Max, reúne algumas das maiores escritoras brasileiras e contam suas histórias pessoais, seus caminhos poéticos, amorosos, criativos e sombrios.

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Elas No Singular - Capa - Divulgação/HBO
Elas No Singular - Capa - Divulgação/HBO

Como abarcar a diversidade temática e estilística de escritoras brasileiras em um produto audiovisual?

A série documental Elas No Singular, roteirizada por Fernanda Polacow e dirigida por Fabrizia Pinto, procura responder a esta pergunta em oito episódios, cada um dedicado a uma escritora diferente.

Hilda Hilst, Conceição Evaristo, Rachel de Queiroz, Adélia Prado, Cora Coralina, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector falam de si mesmas, contam a sua própria história, em um gesto de autoanálise, onde descortinam suas vidas e obras.

Para nós espectadores há uma sensação de mergulho profundo no universo de cada escritora, por meio de imagens, que passeiam sem pressa pelas cidades das escritoras, suas casas e suas histórias. Adentrar por esses lugares, através das falas autobiográficas das autoras, narradas por atrizes, é ter o privilégio de ser pego pela mão, por cada uma delas. A partir daí, ser apresentado a frases contidas em seus livros, que aparecem na tela.

Sem ser didático, felizmente, esse recurso é um convite, uma porta de entrada. As obras muitas vezes ainda desconhecidas de nós, brasileiros.

No primeiro episódio, Hilst nos pergunta “Como seria um ser humano realmente livre? Sem nenhuma repressão?” E é a partir dessa premissa da autora que mergulhamos nessa inquietação, nesse medo de que a morte seja um limitador da força e potencial humano.

Ou de novo, como diz Hilst: “Meu negócio é com Deus”. Na série, essa busca da escritora pelo sagrado, pelo inefável das coisas, se dá imageticamente pela exposição negativa de fotos da autora. Como se dentro dela pudéssemos enxergar o tempo todo esses dois polos: o humano e o sagrado.

No episódio de Elas No Singular sobre Coralina, a cidade da infância é a protagonista, já que segundo a autora esse é o começo e fim de sua trajetória. É o que melhor a define: “Eu nasci numa rebarba de serra, longe de todos os lugares. Uma cidade que levaram o ouro e deixaram as pedras. Eu sou essas casas encostadas umas nas outras, sou a ramada das árvores sem nome e sem valia”.

Assim, somos, durante trinta minutos, a menina Ana que se auto intitula Coralina. Aquela que anda entre pedras e contornos de uma casa velha e escura, a procurar a sua individualidade, em uma sociedade onde as mulheres não tinham escolha, nem voz.

E é assim, por meio da aproximação sensorial do universo dessas escritoras, que percorremos histórias e consequentemente, obras tão diversas.

Com um roteiro bem construído e uma trilha sonora deliciosa, a série documental Elas no Singular mostra o que é peculiar no universo de cada autora e de como a palavra é o elemento fundante entre elas e o mundo.

Eternas esfinges a serem desvendadas, cada episódio é um adentrar pela porta da frente em suas vidas e obras. Como diz Lispector, tema do último episódio: “O escritor fala de si e fazendo isso, procura se aproximar do rosto de todos os outros. Mas é sempre o rosto desse que escreve, desse que se diz, entende?

A série estreou em 17 de março de 2020 e está disponível na HBO Max. Tem 8 episódios de 30 minutos. Saiba mais aqui.











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