Resenha: 22 em XXI, de Hélio Goldsztejn

Dirigido por Helio Goldsztejn, o longa retrata o centenário da Semana de 22, com depoimentos de Emicida, Caetano Veloso, Ruy Castro, dentre outros.

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Cenas do filme 22 em XXI
Cenas do filme 22 em XXI

Com o centenário da Semana de 22 neste ano, inúmeras produções vêm se destacado com o intuito de repensar esse evento. A mostra marcante para a cidade de São Paulo, como também foi vanguarda para as produções artísticas das décadas seguintes em nosso país.

O documentário 22 em XXI, com direção de Hélio Goldsztejn, investiga os antecedentes e as consequências da Semana nos tempos de hoje.

Um encontro entre documentário e ficção

O documentário fica disponível na plataforma do Sesc Digital. Traz depoimentos de artistas, especialistas e atores que conversam e refletem sobre o modernismo no país, além de dramatizações de fatos ocorridos na Semana. Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Mário de Andrade ganham vozes interpretadas por Erika Puga, Maria Manoella, Marcelo Diaz e Anderson Negreiro, respectivamente.

Ao longo de 3 anos, o cineasta Helio Goldsztejn construiu o projeto do filme sobre o modernismo e seu símbolo maior: a Semana de 22.”O SescSP e o SescTV possibilitaram que meu desejo virasse um filme”, conta Helio.

Pois cá estamos cem anos depois da Semana com um documentário que conta essa história com o olhar do nosso século. Minha vontade sempre foi a de poder mergulhar um pouco nesses dias, repletos de criação, dilemas e contradições. Arte, muita arte sim, e um projeto político por trás. Bem-vindo ao sonho, ao Cadillac verde de Oswald rumo à antropofagia, Bossa Nova, Concretismo e Tropicália!”, finaliza Goldsztejn.

Durante o filme o espectador tem a possibilidade de entrar em contato com diversos olhares sobre o que foi a Semana de 22. Com depoimentos de grandes artistas e especialistas como Aracy Amaral, Caetano Veloso, Emicida, José Miguel Wisnik, José Celso Martinez Corrêa, Ruy Castro, Maria Bonomi, Maria Adelaide Amaral, entre outros. Assim, se depara com diversos questionamentos, como a presença, a idealização e a animalização do negro no quadro A Negra, de Tarsila do Amaral.

Outro ponto de destaque que o longa também traz é sobre a repecurssão da Semana, que se deu muito tempo depois, mais precisamente a partir dos anos 1950 e que teve força com o Cinema Novo, Tropicália e o Concretismo. Esses questionamentos e muitas outras curiosidades dão o tom do longa.

O documentário integra o projeto Diversos 22 – Projetos, Memórias, Conexões: uma ação em rede do SescSP, com atividades artísticas e socioeducativas, programações on-line e presenciais nas unidades do estado de São Paulo.

Tal iniciativa tem como objetivo marcar um arco temporal que evocará celebrações e reflexões de naturezas diferentes, mas integradas e em diálogo, acerca dos projetos, memórias e conexões.

Ficha Técnica

Direção Geral: Helio Goldsztejn
Produção: SescTV
Dramaturgia: Alexandre Reinecke
Roteiro: Fabio Brandi Torres
Consultoria: Marcos Augusto Gonçalves, autor do livro “1922 a Semana que não Terminou”
Pesquisa: Renata Junqueira
Direção de Fotografia: Thais Taverna
Montagem: Pichi Martirani
Trilha Sonora: José Paes de Lira (Lirinha)
Duração: 1h25
Depoentes: Aracy Amaral, Caetano Veloso, Emicida, Jerá Guarani, José Miguel Wisnik, Fred Coelho, José Celso Martinez Corrêa, Maria Eugênia Boaventura, Ruy Castro, Regina Teixeira de Barros, Hélio Menezes, Maria Bonomi, Maria Adelaide Amaral, Antonio Risério, Pedro Duarte e Marcos Augusto Gonçalves.  
Elenco de dramaturgia: Anderson Negreiro, Erika Puga, Marcelo Diaz e Maria Manoella.

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