Que Horas Ela Volta? – Blog e-Urbanidade

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Poucos filmes terão mais significado diante da dualidade política e social que se instaurou no Brasil nos últimos tempos do que Que Horas Ela Volta?, estrelado pela a rainha da periferia Regina Casé e pela correta diretora Anna Muylaert que tem se mostrado uma boa realizadora nos seus últimos filmes.

O filme aposta em cenas de riso solto e nervoso que o público vai dando à medida que se apresenta Val (Casé) e sua filha Jéssica (Camila Márdila) na relação de poderes dura e silenciosa apresentada num Brasil que ainda existe, bastando entrar numa casa em qualquer bairro de classe média do Brasil.

A diretora Muylaert já tinha me encantado em alguns dos seus filmes, tais como, Durval Discos, É Proibido Fumar, sendo esse último estrelado por Glória Pires e que elogiei aqui no blog em 2010. Se repete uma história simples, focada numa dramaturgia do cotidiano, dando sinais de uma crônica social.

Apoiado em poucos símbolos que servem de âncora dramatúrgica para avançar na redenção de Val, o filme acerta no tempo, nos diálogos curtos e numa fotografia muito bem feita. Belo roteiro ao se mostrar tão claramente nas xícaras preto e branco e na entrada de Jéssica na piscina, tão bem finalizada na cena em que Val entra na mesma piscina, mostrando o início do resgate daquela mulher.

O casal classe média não chega muito a convencer na interpretação dos atores, mesmo estando em papéis tão importantes na trama. Já Camila é uma boa surpresa e Regina Casé não tem nada a ver com a Regina de todos os domingos, numa construção impar e que é possível reconhecer em várias Vals que já cruzamos pelo mundo. Casé está numa interpretação que vale cada prêmio que for conquistando por ai.

Não sei se Que Horas Ela Volta? chega a indicação ao Oscar, mesmo tendo sido escolhido, nesta última semana, a representar o Brasil na premiação norte-americana. Mas não deixa de ser uma nova visão daquela Dora que tanto deu voz àquele povo que não sabia escrever e que mesmo alfabetizado, hoje, ainda esbarra num país preconceituoso e cheio de dualidades ridículas.

Assistam!

Minha Opinião
🙂

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