Podcast da Casa 1 conta histórias de pessoas LGBT+ que migraram para São Paulo

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Os episódios do podcast Passagem Só de Ida vão ao ar semanalmente nas principais plataformas de streaming

Alma Negrot – Foto: Léo Fagherazzi

Conhecida como a maior metrópole da América do Sul, São Paulo se tornou, nas últimas décadas, a morada de parte significativa da população LGBTQIA+ brasileira. Contar as histórias, origens e diferentes motivos que essas pessoas tiveram para migrar para a capital paulista é o objetivo do podcast Passagem Só de Ida, da Casa 1.

O projeto foi produzido pela Casa 1, centro de acolhimento de pessoas LGBTQIA+, em parceria com o Acervo Bajubá e apoio da Rede de Mulheres Imigrantes Lésbicas e Bissexuais de São Paulo (Rede MILBI).

A primeira temporada do podcast terá 10 episódios, sendo que oito já foram ao ar, e podem ser escutados gratuitamente nas principais plataformas de streaming.

A cada episódio o podcast conta com um entrevistador e um entrevistado diferente. No programa de número 2, por exemplo, o Mestre em Psicologia Social Yuri Fraccarolli entrevistou Jurandy Valença. Artista visual, poeta e jornalista, o alagoano deixou Maceió há 30 anos, inspirado pela seguinte frase de Hilda Hilst: “Tu podes ir e ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti“. Durante a entrevista, ele conta sobre a sua percepção a respeito de ser homossexual em sua cidade natal nos anos 1980, e no decorrer de sua vida em São Paulo.

Outras personalidades também fazem parte do podcast Passagem Só de Ida, como Ericah Azeviche, integrante do gabinete da Deputada Estadual Erica Malunguinho, a artista e maquiadora Gretta Sttar, a comunicóloga Anne Fonseca, entre outros.

No penúltimo episódio da temporada, que vai ao ar em 19 de abril, entrevista o maquiador Raphael Jacques, também conhecido como a drag queen Alma Negrot. O artista aborda a sua saída de Gramado, no Rio Grande do Sul, e as vantagens de viver em São Paulo. “Acho que o que mais me chocou foi a possibilidade de a gente ser quem a gente é com mais liberdade, por mais que a gente tenha que ter muita cautela, muita prudência, é possível a gente ser muito mais corajoso“, afirma Raphael.

Já no último episódio conversa com Symmy Larrat, que chegou em São Paulo em 2014 para coordenar o programa Transcidadania. Além de falar sobre a sua própria história de vida, Symmy ainda fala sobre a sua luta pela garantia dos direitos civis para pessoas transexuais, e a necessidade de que essas políticas públicas sejam feitas também por pessoas trans.

O acervo busca estimular o registro das narrativas históricas das pessoas LGBTQIA+, apesar do intenso fluxo migratório, até hoje não há dados sobre quantas pessoas LGBT se mudam para São Paulo ao ano.

Além disso, o programa também tem o objetivo de abrir uma discussão a respeito da forma como São Paulo é vista pela comunidade queer.

Enquanto a capital paulista é vendida como uma cidade livre de preconceitos, na prática ela pode reforçar obstáculos já enfrentados por estas pessoas em suas cidades de origem. Esta LGBTfobia se torna ainda mais opressora quando reforçada por outros preconceitos, de raça, classe e gênero, por exemplo.

Serviço:
Podcast Passagem Só de Ida
Produção: Casa 1 e Acervo Bajubá
Episódios publicados semanalmente, de forma gratuita, nas principais plataformas de streaming, ou no site do projeto.

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