Museu Lasar Segall homenageia Rossini Perez

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Estátua - Foto: Rossini Perez
Estátua - Foto: Rossini Perez
Estátua, fotografia de Rossini Perez

Um ano após o falecimento do artista Rossini Perez, o Museu Lasar Segall abre uma mostra virtual em homenagem ao artista: Arqueologia da Criação: Uma imersão no acervo-ateliê de Rossini Perez. A exposição traz em diversas galerias um olhar completo da obra dele, conhecido por seu trabalho com colagens, fotografias e, principalmente, gravuras.

A retrospectiva de Rossini Perez teve curadoria da pesquisadora Sabrina Moura, e é resultado não apenas da pesquisa, mas também da convivência da escritora com o artista desde 2017. De acordo com Sabrina, seu primeiro contato com o ateliê de Rossini foi enquanto estudava a arte senegalesa dos anos 1970.

Apesar de ser natural do Rio Grande do Norte, Perez viajou o mundo todo realizando exposições, e foi responsável por implantar uma oficina de gravuras na Escola Nacional de Belas Artes de Dacar (no Senegal), na época – fazendo com que sua relação com a cultura senegalesa contemporânea seja muito próxima.

Heidi (1996), colagem de Rossini Perez

Na primeira vez em que visitei seu ateliê, queria conhecer as histórias de sua passagem pelo país africano“, conta Sabrina. “Mas ele fez questão de me mostrar as colagens que vinha fazendo. Nos encontros seguintes, apresentou outros trabalhos e materiais que guardava em seu acervo. Quando percebi, já tinha sido pega pela armadilha que é o labirinto da memória e da produção artística de Rossini“.

Com um acervo tão rico e diverso, o universo online foi o ambiente ideal para compor a exposição – de acordo com Sabrina, a ideia é que o visitante se sinta próximo de Rossini, “como se estivesse manipulando as gavetas de seu ateliê“.

A exposição também mostra a atenção especial que Perez dedicava aos detalhes das formas, e como o artista se dedicava a arquivar minuciosamente tudo o que produzia. “Essa espécie de ‘febre arquivística’ levanta, aliás, um debate crucial sobre os acervos brasileiros, num momento em que nossos espaços de memória têm sido fragilizados“, aponta Sabrina.

Consciente do legado que construiu durante mais de 50 anos de carreira, pouco tempo antes de sua morte Rossini Perez doou várias de suas obras para diferentes instituições, como a Pinacoteca, o Museu de Arte do Rio e a Biblioteca Mário de Andrade. Rossini faleceu em março de 2020, aos 89 anos de idade, por conta de uma infecção pulmonar crônica que o acompanhava desde a infância.

O Museu Lasar Segall também planeja uma série de atividades virtuais para aproximar crianças e adultos da obra de Perez. Às quintas feiras, do dia 18 de março ao dia 6 de maio são transmitidos episódios de uma websérie para crianças e famílias. Já do dia 17 de maio a 21 de junho, sempre às segundas-feiras, acontecem os laboratórios de curadoria.

Rossini Perez em Paris, 1965 – Foto: acervo pessoal

Além disso, em 10 de junho acontece o lançamento de uma publicação baseada na mostra de Rossini Perez, com textos de pesquisadoras como Cláudia Rocha (Museu Nacional de Belas Artes), Maria Luisa Távora (UFRJ), Juliana Maués (Unicamp) e Marisa Ribeiro (UFPB). Mais detalhes serão divulgados em breve.

Serviço:
Exposição Arqueologia da Criação: Uma Imersão no Acervo-Ateliê de Rossini Perez
De 17 de março a 1º de julho de 2021
Para acessar o site da exposição, clique aqui.

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