#MinhaLista de Hugo Oliveira, do duo Feito Café

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Letícia Pacheco e Hugo Oliveira, do duo Feito Café – Foto: Felipe Sales

Falar sobre os altos e baixos da vida adulta contemporânea é o objetivo do duo Feito Café em seu primeiro álbum de estúdio, Stand-Up Drama!

Lançado em 2021, o projeto é um compilado de canções compostas pelo casal Hugo Oliveira e Letícia Pacheco durante os sete anos na estrada, e mistura pop, folk e MPB. Ouça nos principais serviços de streaming clicando aqui.

Apesar de não ser um álbum conceitual, Hugo revelou que as músicas conversam entre si e mostram uma evolução do duo desde o lançamento do seu primeiro EP e singles – apesar de reunir canções escritas desde o começo do projeto, a seleção não foi feita aleatoriamente.

“[O álbum] aglutina composições que surgiram junto com o nascimento do duo, como A Vida é… (Longa Despedida), criada ali por 2014, 2015, assim como músicas mais recentes, caso de Santuário Interior, escrita em 2020, na mesma leva em que as faixas do single duplo Compactando o Agora foram compostas“, conta Hugo.

Além de ser o primeiro álbum do Feito Café, este é o primeiro projeto em que Letícia aparece como letrista, na música Caminho. A Vida É… (Longa Depedida) também traz uma parceria na composição, entre Hugo e o músico Cecel Alves. Já o guitarrista Rick Ferreira colabora em duas faixas, tocando banjo e pedal steel nas músicas Parece e Aquele Amor. Pela primeira vez o grupo também trabalha com vários arranjos feitos por instrumentos de metal, e a produção ficou a cargo de Clower Curtis, que já trabalha com o duo desde 2020.

De acordo com Hugo, a temática do álbum, que aborda os altos e baixos da vida adulta, também se deu naturalmente, já que reflete o momento atual que os integrantes do duo estão vivendo. “Eu diria que todas as nossas músicas, desde o primeiro single até o disco recém-lançado, seguem por esse lado mais agridoce, sabe? É impossível ser absolutamente good vibes depois dos 35… Ainda mais vivendo nesse Brasil despedaçado. Ainda assim, também não queremos ser tiozões amargos e ranzinzas. Restou-nos o meio termo“.

Para comemorar o lançamento do novo álbum, o e-Urbanidade convidou Hugo Oliveira para participar da coluna #MinhaLista e selecionar cinco músicas imperdíveis de Stand-Up Drama. Confira a seguir:

#1 – STAND-UP DRAMA

Duo Feito Café – Foto: Felipe Sales

É a faixa que abre o álbum, a nossa Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Apesar de, como criador da canção, ter imaginado algo mais The Kinks do que The Beatles, faz sentido – guardadas as devidas proporções – citar os quatro rapazes de Liverpool nessa música.

Tudo começa comigo e com a Letícia deitados na cama, sonhando com a possibilidade de viver da nossa música e, ao mesmo tempo, enumerando as dificuldades reais para que isso pudesse acontecer. Tem violão dedilhando ao fundo, pianinho no clima vaudeville, metais e a gente aconselhando: ‘Não subestime o que te faz feliz / mesmo se isso for na contramão / em todo caso, tenha um plano B, C, D, E / até o Z por pura precaução’.

#2 – NUM DIA COMO OUTRO QUALQUER

Adoro histórias de gente que, ao menos por um momento, decidiu descobrir o sentido da vida ou as verdades do mundo. Acho ingênuo, bonito e, em muitas ocasiões, perigosíssimo. Um bom exemplo tem a ver com o livro e o filme Na Natureza Selvagem, onde um jovem americano filho de pais ricos decide largar tudo e viver pelo mundo, na natureza e ao natural, contrariando todo o sistema de diretrizes que estamos acostumados a seguir.

A possibilidade de não encontrar respostas daquilo que queríamos – ou conclusões diferentes daquelas que esperávamos – é algo que realmente pode levar uma pessoa à iluminação… Ou à loucura. É mais ou menos sobre isso que esse folk rock acelerado versa: alguém que largou tudo para descobrir que ‘viver é só uma fração de tudo o que podemos ter’, e acabou enxergando algo que não queria ou esperava ver. Coloque na faixa 3 e boa viagem. Por sua conta e risco.

#3 – PARECE

Essa canção foi escolhida como primeiro single do álbum, e não poderia ser mais emblemática. Fala sobre as dificuldades e obstáculos que aqueles que ousam trabalhar com algo diferente do habitual – música e cultura, por exemplo – têm que enfrentar para, pelo menos, tentar realizar algo minimamente satisfatório dentro da área.

Num dos trechos da letra eu começo aludindo a Belchior, passo pelo Cazuza e termino com Lulu Santos. ‘Parece que nós dois não somos iguais aos nossos pais / parece que o futuro não vai repetir o passado jamais / vamos nos permitir… Parece’. A faixa, número 5 do disco, ainda conta com o pedal steel da lenda brasileira da guitarra, Rick Ferreira.

#4 – CAMINHO

Apesar de aparentemente ser afeita ao lado mais pop do Feito Café, Letícia escreveu uma letra muito rock em nossa primeira parceria, na música Caminho. Tendo passado por diversas crises de ansiedade, ela colocou no papel toda a vontade de seguir em frente, mesmo com os problemas psicológicos que teimavam em tentar segurá-la. E assim, oferecendo caminhos mais rápidos a uma possível cura daquele estado.

Ela entendeu que deveria passar por aquilo tudo e aprender com os percalços. O caminho é a cura. Falando em cura, fiz uma canção bem puxada ao The Cure, com um baixo marcado e um violão à lá In Between Days, além de bateria, guitarra e teclados cheios de energia.

#5 – SANTUÁRIO INTERIOR

A penúltima faixa do álbum é também uma das mais belas e profundas canções que já escrevi. Pensei numa música para todos que querem exorcizar seus demônios e curar suas feridas. Àqueles que, depois de olhar para fora e enxergar toda a dor, entenderam que o momento é de olhar para dentro, de encontrar alguma paz no interior de nossos corações e mentes.

O produtor, arranjador e músico no álbum, Clower Curtis fez um dos arranjos mais bonitos que uma música composta por mim poderia ter. E Letícia está deslumbrante na voz. Pense na Sandy cantando uma música escrita por Ian Curtis (falecido cantor do grupo pós-punk Joy Division). É meio bizarro, mas penso que soa mais ou menos por aí.

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