Meu Pai, filme de Frolian Zeller

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Meu Pai é um dos lançamentos esperados nesta fase de Oscar 2021. Estrelado por Anthony Hopkins e Olivia Colman, o longa-metragem tem o roteiro adaptado da peça do dramaturgo francês Florian Zeller, que estreia na direção cinematográfica nessa produção. 

A história percorre a deterioração da memória de Anthony (Hopkins), um senhor de oitenta e um anos, e sua relação com o mundo exterior manifesta no convívio com sua filha, Anne (Colman). A originalidade do texto teatral, alcançada também na versão para o cinema, está em transpor a perspectiva do idoso ao espectador. Assim, o público vai tomando consciência dos efeitos de se viver sem memória.

Robert Hirsch, Frank Langella e Fúlvio Stefanini, aqui no Brasil, já interpretaram o texto original nos palcos. O e-Urbanidade quando esteve na temporada de 2018, escreveu: “a repetição de cenas, histórias, fatos ou confusões constroem um universo particular e de exaustão onde estão todos debilitados. Como se relacionar com esse pai ora cruel ora amável? A poesia de Zeller emociona e toca fundo na fragilidade humana.”

E esse desfazimento do mundo de Anthony é trazido no drama, deixando o espectador perplexo com a vulnerabilidade humana diante de um problema de saúde. Segundo a crítica do Hollywood Report, Meu Pai é “o melhor filme sobre dores do envelhecimento desde Amor“, filme de Michael Haneke, de 2013.

Hopkins, como era de esperar, domina a trama e constrói um personagem verossímil e comovente. Inclusive é um dos indicados a melhor ator no Oscar 2021, mas, tudo indica que Chadwick Boseman, por A Voz Suprema Do Blues, leve o prêmio, numa homenagem póstuma ao intérprete que faleceu no ano passado.

Meu Pai ainda concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (para Colman), Melhor Montagem, Melhor Design de Produção e Melhor Roteiro Adaptado. O script foi adaptado por Zeller e Christopher Hampton que tem no currículo obras como Ligações Perigosas e Desejo E Reparação.

Meu Pai - Foto: California Filmes
Meu Pai – Foto: California Filmes

Colman consegue imprimir em tela a imagem da filha perplexa e amável. Na sequência em que apresenta uma nova cuidadora ao pai, provavelmente seja seu melhor momento ali e confirma a atriz de grandes possibilidades. Dessa maneira, um filme que tem como premissa um texto perspicaz, feito por um elenco diminuto, tem na escalação tanto dos papéis principais, como dos secundários, a maior ingrediente de acerto.

Meu Pai opta por um olhar mais realista nas últimas cenas, se comparada à versão teatral. Sem nenhuma redenção diante da falibilidade do corpo ao tempo, a humanidade é traço determinante do drama.

Talvez tratar sobre a velhice seja um tema normalmente dispensado pelas artes, já que heróis e as grandes viradas humanas agradam mais o grande público. Também é uma forma de burlar a realidade. Portanto, a narrativa de Zeller torna-se uma dura, mas necessária oportunidade de se ver no espelho da existência.

O filme estreia no dia 9 de abril, nas plataformas digitais, Now, iTunes (Apple TV) e Google Play disponível para compra. Fica disponível para aluguel, a partir de 28 de abril, nessas plataformas e ainda na Sky Play e na Vivo Play. Sem previsão ainda de apresentação nos cinemas.

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