Mercado editorial em 2021 e 2022

Eduardo Villela fala sobre os impactos da pandemia no mercado editorial e traça perspectivas para 2022.

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A pandemia trouxe impacto em diversos setores da economia, sobretudo para o mercado editorial. Uma das repercussões foi o fechamento de lojas megastores, como das redes Saraiva e Livraria Cultura, ambas atualmente em processo de recuperação de ação judicial.

Mesmo sendo um dos setores mais atingidos pela crise, o setor demonstrou um crescimento positivo. De janeiro a junho do ano passado, por exemplo, as vendas chegaram a R$ 729 milhões, enquanto, neste ano, atingiram R$ 998, 5 milhões.

Para Eduardo Villela, book advisor e profissional com mais de 16 anos de experiência nesse mercado, essa retomada se deu por conta da inovação que o setor vem apresentando para driblar a crise. “O e-commerce é uma realidade que já apresentava um crescimento expressivo muito antes da pandemia, e, por conta do isolamento social, ganhou ainda mais força pela facilidade e segurança para realizar compras”, diz.

Um ponto interessante em meio a toda essa estagnação foi que as livrarias de bairro retomaram o seu espaço nesse nicho. Essa modalidade ganhou mais incentivo e popularidade devido ao atendimento personalizado que oferecem ao consumidor.

“As livrarias menores geralmente se especializam em nichos, como livros de ficção infanto-juvenil ou livros técnicos para estudantes, disponibilizando um acervo amplo aos clientes”, explica o especialista. 

Além disso, elas oferecem um atendimento mais personalizado e profissional, feito por poucos funcionários bem treinados ou até pelo próprio proprietário. São detalhes que fidelizam os clientes e os fazem comprar delas, mesmo sabendo que os livros quase sempre custam menos se comprados nos grandes sites. 

A tecnologia ajuda o mercado editorial

Os audiobooks, também conhecidos por audiolivros, mostraram ser uma tendência em crescimento no Brasil. É estimado que eles já representam quase 2% das vendas de livros no país e, na opinião de Villela, em poucos anos, essa participação vai crescer entre 5% a 10%.

Os ‘livros falados’ são a gravação do conteúdo de um determinado título em áudio. Ou seja, um narrador lê a obra em voz alta para que as pessoas, em vez de lerem os livros, os escutem.

O audiolivro também tem um papel bastante importante na inclusão social. Ele é uma solução para pessoas com deficiência visual ou dislexia terem acesso ao conhecimento proporcionado pelos livros. 

Perspectivas para 2022

No próximo ano é esperada uma retomada mais expressiva do setor, com crescimento das vendas, já que várias editoras pretendem lançar mais títulos, assim como existem boas chances das feiras e eventos literários presenciais serem retomados. Eduardo finaliza dizendo que, “por ser um ano eleitoral, onde vários debates e ideias vêm à tona, a tendência é que um número expressivo de pessoas busque se informar e pensar o que querem para o país também por meio da leitura, impactando também no aumento das vendas de livros impressos”, finaliza o book advisor.

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