4 perguntas para Diogo Locci, autor do livro de contos Cruel

O livro de contos Cruel, lançado este mês, pela editora Folhas de Relva traz assuntos sobre os problemas da atualidade no Brasil.

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Diogo Locci, autor de Cruel. Foto: Felipe Djanikian

O livro de contos Cruel, lançado pela editora Folhas de Relva, trata dos problemas da atualidade no Brasil. O autor Diogo Locci compôs 18 contos independentes, com algo em comum: Todas estão rodeadas por situações abusivas de poder expressadas por várias instâncias.

As histórias são ilustradas pela artista plástica Liz Under que usou como elemento de pesquisa a arte alegórica e a mitologia, principalmente que diz respeito à sereias, harpias e esfinges. As pinturas foram criadas a partir de desenhos em spray, feitas em técnica mista e analógica.

Capa Cruel, de Diogo Locci
Capa Cruel, de Diogo Locci

O e-Urbanidade falou com o autor. Confira:

  • #1 – e-Urbanidade: De onde surgiu a ideia da criação de um livro de contos?

Diogo Locci: Em 2016 eu percebi que vários textos que estava escrevendo neste período tinham uma conexão muito clara, que era a temática do horror social, das questões pertinentes aos nossos tempos altamente individualistas e tomados pelo neoliberalismo. Comecei a olhar para esses coincidências como uma espécie de projeto, e daí a ideia de Cruel foi ganhando peso. O livro, escrito entre 2016 e 2020, ganhou ainda ilustrações assinadas pela artista plástica Liz Under e prefácio da escritora, dramaturga e crítica literária Priscila Gontijo.

  • #2 – O que te inspirou na escolha dos temas?

D.L.: A persistência da desigualdade social no Brasil e o projeto de despolitização que a elite burguesa do País instaurou foram a maior inspiração para esses textos.

Pensava muito em como eu seria capaz de fazer uma contribuição poética para gerar reflexão sobre esses assuntos e a literatura me pareceu a forma mais apropriada. Todos os temas estão amparados por metáforas para os nossos absurdos cotidianos, então o realismo mágico e recursos da literatura fantástica estão presentes nesta obra.

  • #3 – Qual a expectativa em relação ao lançamento do livro?

D.L.: Gostaria de poder visibilizar mais esses assuntos urgentes, que passam pelas opressões e também por um conformismo em relação ao que está dado. Quero poder lembrar o leitor de que as lógicas das quais estamos sujeitos são absurdas e devem ser mudadas.

  • #4 – Por que ler Cruel?

D.L.: Para que a literatura brasileira contemporânea seja difundida e para que possamos pensar, coletivamente, em quais são as alternativas para discutirmos política e luta anti-opressão por outros meios, como a arte e a literatura.

Precisamos que esses assuntos estejam cada vez mais na nossa altura, e não restritos a pequenos grupos que acabam tomando as decisões por nós. Cruel é uma discussão sobre o poder exercido com autoritarismo e o meu desejo é que pensemos juntos em como fazer do poder uma força solidária e generosa.

Serviço
Cruel, de Diogo Locci
Editora Folhas de Relva
134 páginas
editorafolhasderelva.com.br 

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