Laços, direção de Daniele Luchetti

Filme Laços, de Daniele Luchetti, retrata um dos maiores sucessos do romancista italiano Domenico Starnone

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Um casamento não é mantido apenas pelo amor. Assim, Laços (The Lies), adaptação do livro de sucesso e homônimo de Domenico Starnone chega ao streaming, com direção de Daniele Luchetti.

Laços (Fase 2) - Foto: Divulgação/Atômica
Laços (Fase 2) – Foto: Divulgação/Atômica

Culpas e ressentimentos são nós feitos entre Aldo (Luigi Lo Cascio e Silvio Orlando) e Vanda (Alba Rohrwacher e Laura Morante) após ele assumir o caso extraconjugal com Lidia (Linda Caridi). Com dois filhos pequenos, a separação toma ares dramáticos e trágicos, envolvendo a guarda dos filhos e até uma tentativa de suicídio da mulher traída.

Laços, como no livro, é roteirizado em três tempos.  Inicia-se com a separação deles, em Nápoles, com o crescente destaque de Aldo na rádio que trabalha, em Roma. Já velhos, um provável assalto na residência do casal abre-se para aquelas lembranças e revela como a casa tornou-se um museu de ressentimentos. E, por fim, os dois filhos, próximos aos quarenta anos, se encontram no café, em que quando crianças o pai ensinou a fazer um intricado laço de sapato.

O roteiro escrito por Francesco Piccolo, em colaboração com Luchetti e o próprio Starnone, revela os múltiplos reflexos da separação dos diferentes integrantes da família. Assim, como nos livros do autor italiano, o filme também mantém o foco na implosão, naquilo não dito e não revelado. Como os golpes sofridos por Aldo, na segunda parte do longa-metragem, expõem a dispersão e a escapada da realidade.

Laços abriu o 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2019, e marca a carreira de Daniele Luchetti em filmes que buscam aprofundar nas relações afetivas. Como Il Portaborse (1991), que entrou em competição no Festival de Cannes e levou o prêmio de Melhor Roteiro e Melhor Ator na época.

Laços (fase 1) - Foto: divulgação/Atômica
Laços (fase 1) – Foto: divulgação/Atômica

Luchetti explora olhares e perspectivas na direção. As cenas abrem-se e recortam-se pelos pontos de vista das personagens. É genial, por exemplo, quando Vanda procura por Aldo na rádio em Roma, com a câmera do lado externo do estúdio e o som cortado, o espectador não ouve o início da discussão. Rapidamente muda-se de lugar e torna-se audível, revelando que a vida e seus reflexos são feitos por compreensões, óticas e contingências.

O elenco nas diferentes fases consegue mergulhar nos silêncios e nas sequências feitas de olhares rápidos e comedimentos. Todos ganham a cena em diferentes momentos. 

Mas, é preciso dizer, que Rohrwacher, a Vanda na primeira fase, domina todas as nuances e entrega para o público a multiplicidade de sentimentos e contradições da mulher abandonada. Ora pelo texto, ora pelo simples olhar ou caminhar. Seria ela uma manipuladora ou vítima ou ambas?

Se Starnone é um escritor habilidoso para tratar sobre as relações feitas além do amor, a adaptação Laços consegue trazer esses elementos para o audiovisual. Há um tom sensível, em que a explosão figura-se em esquecimentos, cartas, fotografias escondidas e levantes. Assim, os laços intrincados de cada dia são amarrados por contradições e complexidades, em que a afetividade não é a protagonista. 

Leia a resenha do livro Segredos, de Domenico Starnone, feita pelo e-Urbanidade em agosto de 2020.

Disponível Claro Now, Vivo Play, Sky Play, iTunes / Apple TV, Google Play e YouTube Filmes. 

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