IMS inaugura exposição da fotógrafa Madalena Schwartz sobre cena queer de São Paulo | e-Urbanidade

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Dzi Croquettes – Foto: Madalena Schwartz/Acervo IMS

2021 marca o centenário de nascimento da fotógrafa Madalena Schwartz, e para comemorar o Instituto Moreira Salles Paulista inaugura a exposição As Metamorfoses. A mostra, que reúne imagens da comunidade queer de São Paulo, fica em cartaz até 13 de junho. Mesmo com entrada gratuita, é preciso fazer um agendamento prévio no site do instituto.

A exposição foca em imagens e retratos feitos por Schwartz na primeira metade da década de 1970. No auge da Ditadura Militar, a fotógrafa registrou a cena alternativa da capital paulista, focando em artistas travestis e transformistas. Estão presentes na mostra imagens de Ney Matogrosso, Elke Maravilha, o grupo Dzi Croquettes e muito mais. Os retratos, que fazem parte do acervo do IMS, foram exibidas parcialmente pela primeira vez em 2012, no livro Crisálidas.

A mostra começa traçando uma linha do tempo da trajetória de Schwartz, uma das mais conceituadas fotógrafas do cenário de São Paulo. Nascida em 1921 em Budapeste, aos 12 anos Madalena emigrou para a Argentina, e em 1960 veio, com toda a família, para São Paulo. Na capital paulista, ela abriu uma lavanderia na rua Nestor Pestana.

A mudança na carreira de Madalena Schwartz só mudou às vésperas de seu aniversário de 50 anos. Um de seus filhos ganhou uma máquina fotográfica e a artista, interessada pelo aparelho, fez cursos no Foto Cine Clube Bandeirante e iniciou uma nova e aclamada carreira no cenário.

Amante do teatro e das artes, Madalena registrou imagens da cena queer do centro de São Paulo, durante suas caminhadas da lavanderia até sua casa no edifício Copan. Começou fotografando figuras famosas dos palcos e da TV, como Elke e Ney Matogrosso. Mas, com o tempo, foi expandindo seu leque para personagens menos conhecidas, realizando sessões de fotos em em um cenário improvisado, em sua própria casa.

Ney Matogrosso – Foto: Madalena Schwartz/Acervo IMS

Os curadores da exposição As Metamorfoses são Gonzalo Aguilar e Samuel Titan Jr. Eles afirmam que, além da qualidade técnica das imagens de Madalena Schwartz, em seus retratos a fotógrafa ainda registra o cenário cultural da época. “Não se tratava de um momento histórico qualquer, e sim dos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, sob o general Médici. Anos opressivos e violentos, mas também paradoxalmente férteis: expulsa do âmbito político-partidário, a contestação se faz sentir por outros canais, estéticos, comportamentais, eróticos“, contam os curadores.

Aguilar e Titan Jr. também afirmam que a exposição, com sua explosão de diversidade, vem em boa hora, já que, assim como nos Anos de Chumbo, o Brasil está voltando a flertar com ideais cada vez mais conservadores.

Além das fotografias, a exposição As Metamorfoses traz outros registros da cena gay e alternativa de São Paulo no período. A mostra exibe exemplares de periódicos de temática LGBTQIA+, cartazes de filmes como O Beijo da Mulher Aranha e A Rainha Diaba e outros itens que mostram a contestação dos valores conservadores.

Outro destaque é um mapa produzido exclusivamente para a exposição. Retratando o centro de São Paulo na década de 1970, aponta os principais pontos alternativos da cidade no período.

Além de falar sobre a cena alternativa paulistana, a exposição de Madalena Schwartz também traça um paralelo com a história da América Latina, registrando travestis e transformistas nas décadas de 1970 e 1980 de diversos países. Com essa temática, a mostra exibe obras produzidas por fotógrafos como Paz Errázuriz e Adolfo Patiño.

Para acompanhar a exposição, o IMS Paulista ainda lança, em março, um catálogo reunindo as principais obras de Schwartz, além de textos dos curadores e autores como Chico Felitti, Amara Moira e muito mais.

Serviço:
Exposição Madalena Schwartz – As Metamorfoses
De 9 de fevereiro a 13 de junho
Instituto Moreira Salles – Avenida Paulista, 2424 – São Paulo/SP
Horário de funcionamento: Terça a sexta (exceto feriados), das 12h às 18h. Última entrada às 17:30

A entrada é gratuita, mas é necessário agendar seu horário de visitação no site do IMS Paulista.

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