IMS abre exposição com os maiores trabalhos da fotógrafa Paz Errázuriz | Blog e-Urbanidade

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Infarto 29, Putaendo, da série O infarto da alma - Foto: Paz Errázuriz
Infarto 29, Putaendo, da série O infarto da alma - Foto: Paz Errázuriz
Infarto 29, Putaendo, da série O infarto da alma - Foto: Paz Errázuriz
Infarto 29, Putaendo, da série O infarto da alma – Foto: Paz Errázuriz

Desde sua reabertura, o Instituto Moreira Salles de São Paulo deu as boas vindas à arte ativista da fotógrafa chilena Paz Errázuriz. A mostra sobre a trajetória da artista fica em cartaz gratuitamente no IMS.

Essa é a primeira grande retrospectiva feita pela fotógrafa chilena, que é a mesma que foi exibida em Madri, em 2015, pela Fundación MAPFRE. A retrospectiva reúne cerca de 150 fotografias, divididas em dez sessões para cada tema abordado pela artista.

Além da exposição, o IMS também lançou o livro O Infarto da Alma, com fotografias de Paz Errázuriz e texto de Diamela Eltit. Essa é a primeira vez que a obra foi traduzida para o português.

Nascida em 1944, Paz Errázuriz é uma das fotógrafas mais revolucionárias do Chile. A partir dos anos 1970, ela começou a fotografar como uma forma de fazer resistência ao regime militar e cobriu diversas manifestações na época. Ela também é uma das fundadoras da Associação de Fotógrafos Independentes, famosa por cobrir as atividades das manifestantes do grupo Mulheres Pela Vida.

Como o tempo, Errázuriz passou a diversificar ainda mais seus trabalhos, mas sempre focando em indivíduos que, propositalmente ou não, desafiavam o regime conservador no país.

Evelyn, La Palmera, Santiago, da série O Pomo de Adão - Foto: Paz Errázuriz
Evelyn, La Palmera, Santiago, da série O Pomo de Adão – Foto: Paz Errázuriz

O Infarto da Alma, uma de suas coleções mais famosas, foi toda feita no hospital psiquiátrico Philippe Pinel de Putaendo. Em uma série de fotografias sensíveis, a artista mostrou a relação amorosa entre casais formados no local, além de criticar o sistema manicomial.

A crítica, inclusive, sempre esteve presente nas obras de Paz Errázuriz. Ela já registrou a rotina de transexuais que trabalhavam em bordéis de Santiago, e entrou em locais onde a sua presença, como mulher, não era bem recebida. Esse foi o caso da série de fotografias A Luta Contra o Anjo, em que mostra os bastidores da vida dos lutadores de boxe, fazendo uma crítica aos estereótipos de gênero.

Atáp/Ester Edén, Puerto Éden, da série Os Nômades do Mar - Foto: Paz Errázuriz
Atáp/Ester Edén, Puerto Éden, da série Os Nômades do Mar – Foto: Paz Errázuriz

Errázuriz também cultivava uma relação de respeito com seus fotografados, o que a permitiu registrar até mesmo a rotina dos Kawésqar, etnia indígena em extinção na Patagônia. De início o grupo se recusou a ser fotografado, mas após estreitar os laços com a fotógrafa, permitiu os registros – que fazem parte da série Os Nômades do Mar.

Além dessas obras mais famosas, a exposição também conta com fotografias de uma comunidade de cegos e também uma série feita com pessoas idosas nuas – novamente uma crítica, dessa vez aos padrões de beleza.

Serviço:
Paz Errázuriz: coleções Fundación MAPFRE
Até 3 de janeiro de 2021. Terça-feira à sexta-feira, das 12h às 16h. Sábados, domingos e feriados das 13h às 17h.
A entrada é gratuita, mas é necessário agendar horário no site do IMS.

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