Filme sobre marionetista comemora 20 anos de Juliana Notari

Com pré-estreias no Cine Matilha e no Museu da Imigração, Coágulo tem evento aberto ao público e trata da arte da marionete de forma inovadora e impactante.

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Coagulo - Juliana Notari
Coagulo - Juliana Notari

Uma artista plural, criativa e corajosa. Essas são algumas características da marionetista Juliana Notari, que comemora 20 anos de carreira com projeto 20 anos de Marionete Livre – Comemoração e Manifesto. A iniciativa engloba a criação do curta-metragem Coágulo e a publicação do livro Pedagogia da Marionete Livre: Festa e Manifesto. Ainda neste ano, a artista também vai organizar uma mostra de repertório com obras apresentadas no exterior e inéditas no Brasil.

Criadora e Criaturas

Juliana é plural e criativa pelo fato de já ter criado mais de 30 obras, participado de festivais internacionais e feito grandes turnês por países como México, Bolívia, Argentina, Colômbia, Espanha, Letônia, França, Portugal, República Tcheca, Itália, Suíça, Coreia do Sul, entre outros.

Além disso, a artista ficou conhecida pelo projeto Velhas Caixas, uma investigação sobre a velhice que a levou a se internar em duas casas de repouso na França em 2011.

De 2015 a 2020 foi gestora do espaço independente Condomínio Cultural, localizado em São Paulo, onde promoveu ações de difusão e fomentos às artes da marionete.

Em 2020, realizou a minissérie audiovisual experimental Selva, ao lado da artista e jornalista Laura Corcuera e do editor Yuri de Francco. É fundadora da Sociedade Insólita para Marionete Contemporânea ao lado da Cia Mevitevendo.

A coragem de Notari vem por questionar todo um sistema patriarcal, por meio de suas marionetes. Como é o caso do material da marionete Coagulador, que Juliana produziu especialmente para o filme Coágulo, que representa as forças opressoras do sistema e foi modelada a partir de calcinhas de algodão usadas.

“A matéria com que a marionete é fabricada também tem um peso na narrativa que queremos contar. As calcinhas são objetos íntimos, polêmicos, que, em si, manifestam um recorte da sociedade”, destaca Juliana.

Já em parceria com Maria Zuquim, a artista criou os chamados coágulos, definidos como objetos-brinquedos-marionéticos, que se transmutam em diferentes formas e se fundem ao lugar em que são dispostos.

Notari encontrou nas marionetes a forma ideal de se expressar e se comunicar com o mundo: “como se trata de uma arte muito generosa e aberta, ela pode dialogar com diversas tecnologias, e também com qualquer outra linguagem artística”, afirma a artista.

A artista já criou marionetes com cascas de árvore, folhas, palha, cascas de alimentos e até com um vestido de noiva. A arte da marionete não tem restrição de público. “Desde criança temos essa conexão com os objetos e esse poder de transformá-los. A marionete tem uma liberdade de movimentos e ações, de transitar entre mundos e de, ao mesmo tempo, olhar profundamente, o que fisga os adultos”, afirma.

Já o livro Pedagogia Da Marionete Livre: Festa E Manifesto, que tem previsão de publicação no segundo semestre deste ano, reúne as experiências e os diversos processos de criação de marionetes. Além disso, a obra aborda uma metodologia livre de construção de marionetes e relata os cursos e oficinas ministrados pela artista no Brasil e em diversos países, como Argentina, Colômbia, Chile e Espanha.

O Filme

Coágulo trata de uma batalha contra um sistema opressor patriarcal que invade os corpos dos seres viventes, humanos e não-humanos, e bloqueia o fluxo da existência. A inspiração para o projeto surgiu em 2016, a partir de reflexões sobre o cenário político do Brasil e a postura opressora adotada por homens que ocupam posições de poder.

O filme, que conta com 20 minutos, discute a capacidade do ser humano de se transformar e se livrar das opressões que impedem a plena manifestação da vida e da liberdade e está dividido em quatro momentos – encantamento, contração, expansão e fluxo.

A artista contracena com o percussionista Herí Brandino, que também é o responsável pela direção musical e pela composição da trilha sonora do filme. O curta-metragem foi gravado na Mata Atlântica, no município de Ubatuba, no litoral de São Paulo, durante uma residência artística de 13 dias realizada em dezembro de 2021.

Serviço

Pré-estreias do curta-metragem Coágulo
Cine Matilha: 21 de junho de 2022, 19h30.
R. Rêgo Freitas, 542 – República, São Paulo – SP, 01220-010 – 68 lugares 
Entrada: 1 pacote de absorventes para a Campanha Dignidade Menstrual para a população em situação de rua.

Museu da Imigração: 25 de junho de 2022, 16h.
Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP. 96 lugares.
Indicação: livre

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