Exposição Era Uma Vez o Moderno chega ao Centro Cultural Fiesp

Considerada a maior mostra sobre o modernismo brasileiro já realizada, reúne mais de 300 obras e documentos inéditos sobre a intimidade dos artistas e pensadores modernistas

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Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira. Tomás Santa Rosa Jr./Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo, SP
Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira. Tomás Santa Rosa Jr./Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo, SP

Já pensou encontrar obras e reflexões de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Manuel Bandeira, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Osvaldo Goeldi, Ismael Néry, Guilherme de Almeida, Gilberto Freire, entre muitos outros, em um único só lugar?

Isso será possível na exposição Era uma vez o Moderno [1910-1944]. A mostra é uma parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP), instituição que guarda o maior acervo sobre o modernismo no país.

Está disponível ao visitante diários, cartas, manuscritos, fotos e obras dos artistas e intelectuais que fizeram parte de diversas iniciativas em torno da implantação de uma arte moderna no Brasil, entre 1910 e 1944. 

Contando com mais de 300 obras e documentos, o público pode revisitar três décadas dessa história e, em especial, conhecer as produções dos autores e pensadores que participaram da Semana de Arte Moderna, em 1922, cujo centenário se dará em fevereiro do próximo ano.

A exposição pretende mostrar a dimensão humana das mulheres e homens que participaram do debate em torno da possibilidade de se fazer uma arte moderna no Brasil. Assim como a diversidade de manifestações e direções do que se convencionou chamar de modernismo brasileiro.

Entre os destaques da exposição estão o diário de Anita Malfatti, de 1914, que registra os preparativos da sua primeira exposição individual, realizada em São Paulo. E para a experiência ficar ainda mais real, os visitantes podem assistir vídeos protagonizados por atores que interpretam alguns artistas modernistas em momentos importantes de suas vidas, bem como da história do movimento cultural.

Outro ponto interessante é a intimidade daqueles que construíram este movimento cultural a partir da leitura de cartas como, por exemplo, aquela escrita por Mário de Andrade para Tarsila do Amaral, em 1929, na qual ele comunicava o rompimento da relação de amizade com o também modernista Oswald de Andrade.

Também merece destaque o personagem virtual de Mário de Andrade, que lê um trecho do livro Pauliceia Desvairada, durante a segunda noite da Semana de Arte Moderna. Naquela ocasião, nervoso, o poeta tremia de timidez. 

Em outro momento, a figura de Manuel Bandeira, interpretada no vídeo pelo ator Nilton Bicudo, lê uma carta que o poeta pernambucano escreveu e destinou a Mário de Andrade, criticando o movimento Pau Brasil, de Oswald de Andrade, num momento cheio de humor.

Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira. Autor: Tomás Santa Rosa Jr.

Já entre os quadros há destaque para O Homem Amarelo, um dos mais conhecidos de Malfatti. A pintura esteve na Exposição de 1917 e na Semana de 22.  

A obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, finalizada em 1925, também está exposta na Avenida Paulista. Neste quadro, a artista buscou representar a realidade da época fazendo uso de cores fortes e formas geométricas influenciadas pelo cubismo e pela arte do francês Fernand Léger, seu mestre.

Também é possível conhecer os objetos, diários e fotos que foram resultados das viagens de Mário de Andrade à região Amazônica e às cidades do Norte e Nordeste do Brasil, comprovando seu interesse pela pesquisa de caráter etnográfico.

Em resumo, a mostra traz algumas das manifestações apresentadas na Semana de 22, irmanadas pelo desejo de ruptura com a arte do passado e pretende apresentar a correspondência entre as obras dos artistas com as cartas, os manuscritos e os demais itens do acervo pessoal deles.

A curadoria da mostra é do professor e pesquisador do IEB/USP, Luiz Armando Bagolin, e do historiador Fabrício Reiner e quem preferir programar a visita deve acessar o portal Meu Sesi.

Serviço
Exposição Era Uma Vez o Moderno
De 10 de dezembro de 2021 a 29 de maio de 2022.
De quarta a domingo, das 11h às 20h.
Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp.
Gratuito.

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