Exposição A Tensão aposta em ilusões de ótica e de percepção

Em cartaz até 20 de junho, a exposição conta com 16 obras do artista argentino Leandro Erlich, conhecido pelos trabalhos de ilusão de ótica e distorção da realidade.

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A tensão - foto: Divulgação
A tensão - foto: Divulgação

Um deslocamento dos sentidos e uma nova percepção da realidade. Esta pode ser a definição do que sentimos quando visitamos a exposição A Tensão, do artista argentino Leandro Erlich e com curadoria de Marcello Dantasque, segue em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil – CCBB, até 20 de junho.

A entrada é gratuita e precisa de agendamento pelo site da instituição. A exposição tem atraído filas imensas de público. Além das sensações de deslocamento e de ilusão de ótica, o artista também tece críticas e traz reflexões sobre o mundo contemporâneo por meio de suas obras, que no total são 16, entre telas e instalações.

A Exposição

A proposta de Erlich já traz um pouco do que se espera e do que se necessita para interagir com as obras, pelo próprio nome da exposição: A Tensão. É preciso de fato muita atenção para perceber como são construídas as ilusões de ótica das obras. Ao mesmo tempo que, antes da interação, há um mistério sobre o que cada obra carrega, criando a tal tensão, uma curiosidade em quem visita. Então, é quando se percebe como o cérebro é confundido.

Você já deve ter visto pelas redes muitas pessoas postando fotos no interior de uma piscina, que não molha. Essa é uma das obras de maior sucesso do artista: Swimming Pool, feita em 1999, em uma época nada instagramável, ao contrário dos dias de hoje, onde tudo e todos devem ser postados.

Sucesso absoluto em todos os locais por onde passou, como o MoMa de Nova Yorque, a obra está no saguão de entrada do CCBB. No entanto, a interação com a obra é curta: devido ao elevado número de pessoas interessadas, só é permitido desfrutar dela pelo período de um minuto e meio.

Erlich criou dois pontos de vista para Swimming Pool, usando apenas um acrílico e uma camada fina de água: quem está na superfície da piscina pode ver as pessoas andando naturalmente no fundo.

Já quem está dentro realmente tem a percepção de estar em uma piscina cheia de água, vendo o público acima com reflexos fieis na superfície. No entanto, há um ponto negativo para a entrada da obra: ela não possui acessibilidade já que a entrada só é feita por uma escada, não possibilitando o ingresso de pessoas com mobilidade reduzida.

Avançando pela mostra, nos deparamos com o conjunto de obras denominado Proximamente, um pouco mais diferente das outras por se tratar de um conjunto de pôsteres de cinema – sem recorrer aos efeitos das ilusões de ótica – pintados pelo artista em sua adolescência.

Esses cartazes são fictícios, com alguns trazendo uma linguagem um tanto surrealista, como também referenciando a outras obras do artista. Chama a atenção o fato dos cartazes serem pintados a óleo – e não impressos, como parecem – e nos remeterem ao cinema antigos. Assim como a entrada do setor da exposição, que está composta por uma porta que nos lembra as salas de cinema de antigamente.

Subindo a um dos andares do CCBB, chegamos a uma janela de vagão de metrô, onde são mimetizadas paisagens de Tóquio, Paris e Nova Yorque. Nos transportando para um pouco da atmosfera de cada uma dessas cidades e, mais uma vez, fazendo com que nosso cérebro, em um primeiro momento, ache que o que vê é conhecido, mas em um segundo olhar mais atento, temos uma percepção alterada da realidade, a qual julgamos conhecer.

Trata-se da obra Global Express (2011), que nos remete também à velocidade do mundo atual e à globalização.

Erlich trabalha com a mudança de perspectivas em diversos âmbitos e comenta no catálogo da exposição: “até mais recentemente, as pessoas pensavam que o universo girava em torno da Terra, porque assim percebemos as coisas. Entender como o sol e as estrelas se movimentam nos brinda uma compreensão muito diferente sobre a realidade. Nos últimos milhares de anos, a história humana se concentrou na tentativa de compreender nosso universo e seu funcionamento interno”, reflete o artista.

Assim, em A Tensão, cada obra nos convida a refletir sobre o que parece real mas não é, colocando nossos sentidos todos à prova. Nos traz a ideia de transformar coisas cotidianas em extraordinárias e, nos lembra da importância de se estar presente e com atenção ao mundo que nos rodeia.

Serviço

A Tensão – De Leandro Erlich 
Até 20 de junho, de quarta a segunda, das 9h às 19h
Entrada gratuita, com ingressos liberados no site bb.com.br/cultura
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo: Rua Álvares Penteado, 112, Centro Histórico, São Paulo

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