Espetáculo Mau Lugar se transforma em podcast com acessibilidade em libras

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Podcast Mau Lugar – Foto: Divulgação

Como lidar com a perda em uma sociedade distópica que condena o luto? Este é o tema central da peça Mau Lugar, exibida desde 2017 e que agora se transforma em podcast, com episódios semanais disponíveis no Spotify, SoundCloud e YouTube do Coletivo de Galochas.

Além do conteúdo em áudio, as exibições no YouTube também contam com uma adaptação em libras, feita pelo Coletivo ramariaS.

Com dramaturgia de Antonio Herci e Rafael Presto. O elenco do podcast conta com os atores Diego Henrique, Kleber Palmeira, Natália Quadros, Rafael Presto, Mariana Queiroz, Wendy Villalobos.

Mau Lugar retrata uma sociedade controlada pelo Remédio da Felicidade, e onde o suicídio é criminalizado com fortes penas para os familiares das vítimas. O podcast conta a história de Lúcia, uma gerente de fábrica que, certo dia, vê tudo se transformar ao encontrar o corpo da filha. Enquanto lida com a perda e o sequestro do seu luto, Lúcia deve se livrar do corpo antes que as autoridades descubram.

Herci afirma que, apesar de a história de Mau Lugar ter sido concebida há alguns anos, ela tem fortes analogias com o que a sociedade brasileira vive atualmente, por conta da pandemia de Covid-19, “em que entes queridos e os ritos de luto são arrancados de nós, e os corpos tornam-se objetos de descarte rápido, com abrupto distanciamento de nossas próprias raízes“, conta Herci.

Antonio também destaca que o podcast usa como mote narrativo a ausência para criar a compaixão do público, transportando os ouvintes para o universo distópico em que se passa a história: “Essa ausência da compaixão em cena tem justamente o efeito de provocar a busca e a construção imediata e necessária dela no mundo”, completa o dramaturgo.

Mau Lugar foi exibida pela primeira vez em 2017, e já passou por espaços importantes como o Teatro da USP, Teatro de Arena Eugênio Kusnet e Teatro da Cia. da Revista, onde teve uma temporada reduzida por conta da pandemia em 2020. A partir daí, o Coletivo de Galochas decidiu se inspirar nas radionovelas do século XX para criar uma narrativa que dependesse apenas dos sons e vozes dos atores, fazendo com que o público mergulhasse no universo da história.

De acordo com Herci, um dos principais desafios da adaptação do espetáculo foi justamente descobrir este novo universo, em que os atores usam não mais o corpo, mas suas vozes como forma de contar a história. Outro desafio foi o isolamento social – o elenco foi dirigido remotamente, por videoconferência, e as gravações foram feitas por equipamentos que circulavam pelos atores.

Os novos desafios estabeleceram, para a direção do projeto, o objetivo de explorar a sensibilidade da história por elementos não-visuais: “A direção teve como meta uma sensibilidade expandida, onde a retirada de qualquer referência visual provocasse um aprofundamento nas relações de fala, relações simbólicas e no próprio drama musicado, possibilitando um ganho na audição introspectiva em relação à montagem inicial, no espaço físico teatral“, conta Herci.

Já o trabalho de acessibilidade em libras, disponível no YouTube, dá a possibilidade de pessoas surdas e com deficiência auditiva poderem embarcar na história e compartilhar as sensações e o drama do projeto, mesmo ouvindo o mundo de uma maneira diferente.

Serviço
Podcast Mau Lugar, uma Áudio Libras Ficção
Episódios disponíveis no Spotify, Soundcloud e YouTube nos dias 15 e 22 de maio.
Episódios disponíveis no canal do YouTube do Coletivo de Galochas contam com acessibilidade em Libras.

Confira a programação
15/05 – Campo expandido da sensibilidade: O encontro entre linguagens enquanto potência criativa, com o Coletivo ramariaS.
23/05 – Ocupação cultural e acessibilidade: Avanços e desafios, com Glauce Teixeira, Nana Roots e Mona Rikumbi.
30/05 – Diálogos sobre luto e morte: Falar para resistir, com a professora Maria Júlia Kovacs.

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