Entrevista com Ronaldo Saad, diretor de Dom Casmurro, o Musical

0

Miguel Falabella, Ricardo Tiezzi, Fernanda Maia e Charles Möeller são alguns dos nomes que participam do 1º Festival Paulista de Teatro Musical. E entre as apresentações, tem a leitura de Dom Casmurro, o Musical, direção e adaptação de Ronaldo Saad.

Ronaldo Saad - Foto: Henrique Romero
Ronaldo Saad – Foto: Henrique Romero

A montagem tem letras e músicas de Guilherme Gila. Além da suposta traição de Capitu ou o relacionamento entre Bentinho e Escobar, o musical propõe um olhar sobre as outras relações entre os personagens, como indivíduos sociais. 

No elenco tem alguns atores e atrizes que vem destacando-se no teatro musical, como Luci Salutes e Rodrigo Garcia. O #eUrbanidade conversou com o Ronaldo Saad sobre o musical e leitura no Festival.

#1 – e-Urbanidade: Por que Dom Casmurro? Por que atualizar a trama de Bentinho, Capitu e Escobar?

Ronaldo Saad: Primeiramente porque é um texto brasileiro e já há algum tempo priorizo em meus trabalhos as histórias nacionais. O Brasil é rico culturalmente e temos tantos escritores e escritoras sensacionais que poderíamos criar infinitos espetáculos, filmes e séries em cima da nossa literatura.

Outro ponto é que o autor, Machado de Assis, nos presenteou com um excelente e instigante enredo. Eu gosto muito de histórias que deixam dúvidas no ar e questões em aberto para que o leitor/espectador tire suas próprias conclusões. E exatamente isso que livro faz: gera dúvidas o tempo todo.

Sobre os três personagens, o livro nos dá muito material para trabalhar as relações humanas e acredito que isso seja o ponto crucial para uma boa história. E ainda o musical propõe um olhar sobre as outras relações entre os personagens enquanto família e indivíduos sociais.

#2 – Como foi o processo de criação do musical ?

R.S.: O processo ainda está acontecendo. Eu já venho pesquisando sobre Machado de Assis e a própria obra em que o musical se baseia há alguns anos. Durante a pandemia, enquanto trabalhava no texto, me veio a ideia de que teria de ser um musical. Então conheci o Guilherme Gila, que está fazendo lindamente as letras e as músicas do espetáculo.

Estamos trabalhando há uns 5 meses e temos em torno de 8 músicas mais avançadas e seis delas poderão ser escutadas durante a leitura. Temos várias dificuldades porque cada vez que a gente se aprofunda no texto, mais dúvidas aparecem, o que é bom para o processo de criação que estamos. 

#3- O CPA destacou-se nos últimos anos em produções infantis e para adultos, quais foram as dificuldades em transformar um clássico em musical?

R.S.: Antes da pandemia estávamos em cartaz com O Auto da Compadecida e o Autinho da Compadecida, versão que adaptamos para crianças e adolescentes. É outro texto de autor brasileiro, Ariano Suassuna, mais um gênio que o Brasil teve. A dificuldade maior é focar nas histórias que selecionamos para nos aprofundar. É muito duro ter que fazer essas escolhas porque todos os personagens do livro são fascinantes. 

#4 – Machado de Assis foi também dramaturgo e o Dom Casmurro tem algumas referências ao teatro. Isso de alguma forma foi pensado para a adaptação?

R.S.: Sim. Além do personagem Bentinho gostar muito de ir ao teatro, Machado de Assis fez muitas relações com Otelo, de William Shakespeare. Bentinho tem certeza da traição de Capitu quando assiste Otelo e vê Desdêmona sendo morta pelo mouro, acusada de traição. 

#5 – 2020 e 2021 tem sido um ano muito difícil para as artes, como você acha que o seu coletivo CPA sai de tudo isso? 

R.S.: Sairemos mais criativos e, com certeza, mais adaptados ao digital, que veio de vez para ficar. Acredito que teremos novos meios de nos apresentar e outras estruturas para que pessoas que moram fora daqui tenham a chance de ver o espetáculo ao vivo. Além de outras experimentações que fomos fazendo neste período.  

#6 – O que o Ronaldo gostaria de ver ou fazer nos palcos, quando o teatro presencial for possível?

R.S.: Muitas coisas, viu? Mas a prioridade será levar o Dom Casmurro, o Musical para o teatro. Quero voltar com o Auto e com o Autinho. Além de estrear outros projetos. Tem o The Heartbreak Hotel, um espetáculo-show com músicas do Elvis Presley, que assino como diretor criativo e Sonhos de uma Noite de Verão que será um musical bem diferente do que o público já viu.  

Serviço
Leitura

Dia 27 de Abril, às 18h.
Transmissão gratuita pelo canal no YouTube do Prêmio Bibi Ferreira.

1º Festival de Teatro Musical
De 22 a 30/04.
Programação e transmissões pelo canal no YouTube do Prêmio Bibi Ferreira.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui