Entrevista com o roteirista Renato Magalhães de Helô| e-Urbanidade

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Em tempos de pandemia, ter um curta em uma plataforma de streaming como o Globoplay é de uma exposição sem tamanho. Foi isso o que aconteceu com Helô, produção roteirizada por Renato Magalhães e produzida pelo Centro de Pesquisa em Artes -CPA.

Renato Magalhães – Foto: Divulgação

O roteiro foi um dos selecionados no projeto Curta em Casa, do SP Cine. A partir de então, o curta Helô foi produzido pela CPA, com direção e preparação de Ronaldo Saad, fotografia de Lucival Almeida e edição de Yannet Briggiler. Com três minutos de duração e disponível na íntegra no YouTube, o curta conta a história de Helô, personagem vivida pela jovem atriz Hello Santana, e fala sobre a solidão de uma garota periférica que vive na pandemia.

Após o desenvolvimento do roteiro, Renato e equipe tiveram uma nova surpresa: Helô foi um dos vários curtas selecionados para compor a série documental 40m², disponível no Globoplay. A série fala sobre as dificuldades que jovens de periferia enfrentaram durante a quarentena, obrigados e ficarem confinados em casas pequenas e realidades difíceis.

Helô faz parte do primeiro episódio da série, chamado Vidas Negras Importam. Para Quem?. Como o próprio nome já diz, o episódio discute questões relacionadas a desigualdade social, violência policial e racismo, e ainda promove um diálogo com os protestos do Black Lives Matter que aconteceram durante 2020.

Em meio ao sucesso do curta, o e-Urbanidade conversou com Renato Magalhães sobre o projeto. Ao final desta matéria, você pode assistir a versão completa de Helô.

#1 – Blog e-Urbanidade: Como surgiu a ideia para o curta?

Renato Magalhães: Na verdade foi mais um impulso antecedido pelo contexto. Na época do desenvolvimento, estávamos – e ainda estamos – sempre participando de discussões sobre negritude. E entre estas, sobre o protagonismo negro/feminino na criação audiovisual. Assim, surgiu o Helô, sombreado por estas provocações, e pensado para a atriz protagonista participante.

#2 – Quais foram as principais dificuldades na elaboração do roteiro?

R.M.: Não houveram dificuldades necessariamente ditas, e sim cuidados na abordagem do tema e da personagem diante das limitações (técnicas e de produção).

#3 – Como foi gravar o curta em meio a pandemia?

Hello Santana – Foto: Lucival Almeida

R.M.: Apenas uma palavra nos orientava: vontade de realizar, gana por elaborar as imagens que, até então, existiam no imaginário e na escrita. Como gravamos em meio à pandemia, a equipe do set foi reduzida. Estava presente também o Ronaldo Saad, diretor do curta, Lucival Almeida, que fez a fotografia e a atriz convidada, a aluna do CPA Hello Santana.

#4 – Como você sente que o trecho de Helô contribuiu para a história do primeiro episódio de 40m²?

R.M.: O projeto em si da série e toda a nova dramaturgia e edição, nós não tivemos acesso anteriormente, mas ficamos felizes de estar no primeiro episódio. Outro fato muito legal foi que um dos frames (quadros do vídeos) do nosso filme foi escolhido para compor a divulgação oficial nos canais de comunicação, na própria plataforma digital e nas campanhas que passaram na TV.

#5 – Como foi feito o convite para o curta participar do programa do Globoplay?

R.M.: Após o projeto gravado e concluído, recebemos a notícia, através do Instituto Criar, de que havia o interesse do streaming em compor cenas do primeiro episódio da série 40m², com trechos do nosso curta e também de outros projetos que foram selecionados.

#6 – Helô tem uma história simples, mas muito sensível, que conversa com os opostos do mundo virtual e do mundo real. Como você interpreta a cena final do curta, com Helô olhando para a janela?

R.M.: Uma única palavra me dirigiu aquela cena: alívio. Acho que é isto, alívio pelo respiro.

#7 – Durante o processo de elaboração do roteiro e filmagens, quais foram os outros questionamentos que vocês queriam passar com o curta?

R.M.: Um cuidado que se estende até agora: olhar e perceber que há questões de raça que ainda estamos engatinhando na discussão. E toda contribuição, seja ela visual, escrita ou cantada são válidas. Entender que temos obrigação em discutir, em todo o processo, questões de raça, gênero etc.

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