Entrevista com o escritor Marco Severo que lança novo livro | Blog e-Urbanidade

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Marco Severo - Foto: Renato Soares
Marco Severo - Foto: Renato Soares
Marco Severo - Foto: Renato Soares
Marco Severo – Foto: Renato Soares

Depois de três livros de contos, Marco Severo lança a novela Um Dos Nomes Inventados para o Amor.  A história de Cacilda, uma mulher que nasceu para o amor, aprofunda em temas que o contista e cronista já havia trazido em outras obras.

Profícuo escritor, são já cinco livros antes desse: Os Escritores Que Eu Matei (2015), Todo Naufrágio É Também Um Lugar De Chegada (2016) e Cada Forma De Ausência É O Retrato De Uma Solidão (2017), Coisas Que Acontecem Se Você Estiver Vivo (2018) e Se Eu Te amasse, Estas São As Coisas Que Eu Te Diria (2019).

Formado em Letras pela Universidade Federal do Ceará, Marco contou ao Blog e-Urbanidade sobre Cacilda e o que andou fazendo nesta quarentena.

#1) Blog e-Urbanidade: Como foi este caminho de sair das crônicas e contos e propor uma novela? Quando o novelista falou mais alto?

Marco Severo: Eu gosto de experimentar, e minha literatura é caracterizada por isso. A cada livro novo, me apetece que o leitor, a leitora, não saibam o que esperar. Comecei com um livro de crônicas sobre literatura, escrevi dois livros de contos realistas, fui para a crônica com temas mais amplos, depois escrevi um livro de contos cuja temática era o amor, embora não o amor Eros – queria escrever algo longe da ideia do amor romântico.

A novela surgiu inicialmente como um conto. Mas à medida em que eu escrevia a história de Cacilda, a protagonista, me vi querendo saber mais sobre ela, as motivações por trás de suas atitudes. Comecei a reescrever. E de versão em versão, quando vi, tinha uma novela. Gostei da experiência, já estou escrevendo outra, num outro estilo.

#2 – Conta pra gente sobre Cacilda?

M.S.: Sem dar muitos detalhes, porque qualquer coisa que se diga sobre ela é também falar da história dela no livro, Cacilda é uma mulher a quem o afeto foi negado desde o começo da vida. As circunstâncias pelas quais passa levam-na a acreditar que ela não apenas merece, como precisa ser amada. Isso a torna uma mulher intensa, que busca o sentimento amoroso a qualquer custo, sem medir consequências.

#3 – A quarentena nos obrigou a conviver conosco mesmos durante dias. Como Cacilda, esta mulher que está em caça a si mesmo, pode dialogar com esses dias?

M.S.: No caso dela, suas verdades são muito específicas: ela acredita que sabe o que quer e se coloca no mundo de modo a atingir esses objetivos.

Estarmos obrigados a conviver tempo demais consigo mesmos é um desafio imenso que pode custar a sanidade a muitos, principalmente em tempos em que estamos ultra-conectados e há uma tendência a fazer de tudo algo passageiro, descartável, sem nos colocar em contato com o lado mais profundo de nós mesmos – que às vezes é um bocado escuro, longe da pretensa beleza das fotos de Instagram.

E Cacilda se vê mergulhada em seus lados mais sombrios, porque acredita que ao sair deles encontrará algo melhor. O que ela encontra está no livro. E nós, o que encontraremos?

#4 – Seus contos sempre trazem elementos de realismo fantástico. Por quê? Neste livro há uma ruptura com essa narrativa?

M.S.: Na verdade, inseri em cada livro meu uma ou outra história de realismo mágico (ou fantástico), porque é um gênero do qual gosto, que nos permite pensarmos a realidade através de metáforas. É o mesmo mundo em que vivemos, mas com elementos surpreendentes. No ano que vem deverá sair um livro inteiro de contos de realismo mágico, minha primeira incursão verdadeira no gênero.

#5 – Uma das coisas que sempre me chamaram atenção nos seus livros são os títulos, soam quase como mais uma história que você quer contar. Como eles nascem? Qual seu ponto de vista para escolhê-los?

M.S.: A ideia é trazer para a capa um título que possa fazer os leitores já pensarem em uma narrativa. O leitor é o primeiro a contar uma história a si mesmo diante do título que lê. E quando adentra no livro, já está de mãos dadas comigo.

O título nasce para ser mesmo uma história a mais. Pensar num título é uma das partes que mais gosto do processo, embora eles me venham com uma certa naturalidade, inicialmente, e em seguida eu vou modificando uma palavra ou outra até encontrar a forma que desejo.

#6 – Você produziu na quarentena? O que leva desses dias?

M.S.: Nos primeiros dias, não. Foram dias de muitas incertezas. Ninguém entendia muita coisa, o medo era geral, e era difícil pensar em escrever ficção. Com o passar das semanas fui conseguindo retomar a concentração, me forçando a escrever como um exercício, mesmo, consciente do quão árduo era voltar a fazê-lo.

Depois o ritmo dos dias foi voltando ao normal e consegui a escrever todos os dias, como sempre faço. Apesar da contínua incerteza, diante da maneira irresponsável como vemos a COVID-19 ser tratada pelo governo federal brasileiro. Afinal, ele só atrapalha quem quer ajudar e traz informações confusas.

No começo as pessoas estavam otimistas, acreditando que iam diminuir a velocidade de suas vidas, prestar mais atenção aos amigos, parceiros, filhos, usufruir mais da vida em si. E o que temos agora? Tudo igual, e o vírus ainda continua aí, fazendo mais de mil vítimas por dia. Banalizamos a vida e a existência humana, não há como ser otimista. Definitivamente, a pandemia não é professora de ninguém.

A literatura, as artes como um todo, de forma direta ou indireta, acabam por ter que dar conta disso. Refletir sobre o mundo, sobre o nosso tempo. Continuará sendo a mais importante atitude do artista em seu tempo ou em qualquer tempo.

[toggle title=”Marco Severo no podcast Rolê Urbano” state=”close”]

O escritor participou do episódio Home Office e fez uma lista de personagens que ficaram reclusos na ficção. Clica aqui para ouvir no player do blog.

Também está disponível em outras plataformas:

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Serviço

UM DOS NOMES INVENTADOS PARA O AMOR
Marco Severo
DIMENSÕES: 14x21cm
PÁGINAS: 84
ISBN: 978-65-5681-011-9
GÊNERO: Novela
ANO: 2020
Site: www.marcosevero.com.br
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