Entrevista com o diretor e dramaturgo Dan Rosseto – Blog e-Urbanidade

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Dan Rosseto - Foto: Divulgação
Dan Rosseto - Foto: Divulgação
Dan Rosseto - Foto: Divulgação
Dan Rosseto – Foto: Divulgação

O diretor e dramaturgo Dan Rosseto não para! Neste ano já esteve em cartaz com Nunca Fomos Tão Felizes (clique aqui para ler a crítica do blog) e Duo Solo. Nos próximo dias volta em cartaz com Eles Não Usam Black Tie e acaba de lançar pela editora Giostri  o livro com seus dois primeiros textos: Manual para Dias Chuvosos e Antes de Tudo.

E enquanto se prepara para a nova temporada do clássico de Gianfrancesco Guarnieri, Eles Não Usam Black Tie, nos concedeu essa entrevista para falar dos seus trabalhos, do livro e o que mais vem por aí.

Blog e-Urbanidade: Por que Eles Não Usam Black-Tie? O que este texto tão datado das lutas de classe dos anos 1950 a 1970 tem a nos dizer hoje?

Dan Rosseto:  O ser humano nunca desiste de lutar por direitos. Esta peça merece ser revisitada sempre, por ser um clássico do nosso teatro e por tratar de temas que conhecemos bem. A atualidade da obra do Guarnieri é justamente retratar o povo brasileiro com todas as suas camadas e nuances.  A peça tem muito humor, amor e discute ideologias sem ser partidária.

Ano passado o texto completou 60 anos e por isso a montagem comemorativa. Durante os ensaios estourou a greve dos caminhoneiros e o fato por si nos deu a certeza da atualidade da obra. Sem contar que vivemos num momento onde as manifestações estão para mostrar a insatisfação, sobretudo com a política.

Nunca Fomos Tão Felizes - Foto: Thaís Boneville
Nunca Fomos Tão Felizes – Foto: Thaís Boneville

Nunca Fomos Tão Felizes conta uma história nos Estados Unidos nos anos de 1960.  Por que essa necessidade de colocar esses personagens ali, não morando aqui nos Jardins e Billie não ter sua concessionária no Jardim Europa? É possível transpor essas personagens para cá?

D.R.: A peça não está localizada nos Estados Unidos, apesar da dramaturgia beber na fonte de escritores americanos como Edward Albee e Tennessee Willians. As referências para os nomes foram inspiradas nos jazzistas assim com as canções utilizadas na peça. De certa forma parece acontecer em território ianque, mas não localizo em um país e sim numa cidade grande de qualquer lugar do mundo.

Mas sim, poderia se passar em São Paulo ou em qualquer outra cidade cosmopolita com suas corporações e industrias que contribuem para que a fome pelo poder atinja proporções exageradas e o ser humano perca o controle em busca do status através de uma vida vazia e sem amor.

Duosolo tem elementos do teatro pós-dramático e liminaridade entre ficção e realidade. O que você espera que o público experimente com esse teatro?

Duosolo - Foto: Erik Almeida
Duosolo – Foto: Erik Almeida

D.R.: Essa peça foi um grande aprendizado, em vários sentidos. O resultado, assim como o exercício de criação foi muito feliz apesar de se diferenciar de tudo o que eu tenho feito. Nós estabelecemos um jogo e através deste jogo os atores (junto comigo) criamos uma dinâmica que parecia ser um improviso, mas não era.

Ao assistir à peça o espectador saia com a impressão de ter visto um ensaio, uma espécie de processo em andamento. Era justamente essa a magia, fazer parecer uma obra em constante construção, como é o ser humano. O público era quem tinha que fazer suas catarses sozinhos, assim que as fichas caíam.

Nos próximos dias você lança em livro o seus primeiros textos para o teatro. Além de ser um importante registro de suas obras e uma forma de difundir sua dramaturgia, quando ler dramaturgos teatrais pode ser uma fruição válida para quem busca boa literatura?

D.R.: Eu estou muito feliz, é importante dizer. Ter a obra eternizada num livro é algo que eu jamais poderia sonhar, mas que está acontecendo. A leitura de peças teatrais é uma forma rápida de se conectar com uma obra de ficção. Um livro, geralmente, você leva dias ou semanas para terminar. Um texto teatral leva menos, muito menos tempo. E quando ele é bom o suficiente para deixar o leitor preso na história, a leitura torna-se mais prazerosa.

Ler obras da dramaturgia é uma maneira de se consumir arte e contribuir para que nossos escritores sejam revelados não apenas para o teatro, mas também para outros veículos.

O que move o Dan dramaturgo para escrever um próximo texto?

Eles Não Usam Black-Tie - Foto: LZ Motta
Eles Não Usam Black-Tie – Foto: LZ Motta

D.R.: Eu gosto de contar histórias e com isso surpreender o leitor a cada página. Geralmente levo mais de um ano para finalizar um texto para o teatro, eu pesquiso muito sobre os temas recorrentes nas obras e isso faz com que eu consiga refinar os diálogos sem pressa ou pressão.

Me interessa muito o ser humano com suas falhas, seus medos e sua finitude (por isso escrevo muito sobre morte) que é o tema da primeira coletânea de peças que vou lançar pela editora Giostri. Nela estarão as duas primeiras peças que escrevi e tão logo pretendo lançar o segundo volume com os textos de Enquanto as Crianças Dormem, texto pelo qual fui premiado em 2017 e Diga que você Já Me Esqueceu.

Na sequência, no último volume, estarão Nunca Fomos Tão Felizes que cumpriu duas temporadas este ano e O Último Concerto Para Vivaldi que acabei de escrever e deve ganhar os palcos em breve.

Serviço
Eles Não Usam Black-Tie
De 31/05 até 30/06 (Sexta e Sábado, 20h, e Domingo, 19h)
Indicação Etária: 12 anos

Ficha Técnica
Texto: Gianfrancesco Guarnieri
Adaptação e direção: Dan Rosseto
Direção de produção: Fabio Camara
Assistente de direção: Giovanna Marquelli
Elenco: Camila Brandão (Terezinha), Carolina Stofella (Dalva), Haroldo Miklos (João), Kiko Pissolato (Tião), Miriam Palma (Romana), Paloma Bernardi (Maria), Paulo Gabriel (Jesuíno), Samuel Carrasco (Chiquinho), Tiago Real (Braúlio) e Vicentini Gomez (Otávio)
Concepção de cenário e figurinos: Dan Rosseto e Fabio Camara
Cenotécnico: Matheus Fiorentino Nanci e Jackson Oliveira
Costureira: Lili Santa Rosa
Desenho de luz: Wagner Pinto

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