Entrevista com o cantor e produtor Felipe Câmara

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Foto – Débora Agostini

Felipe Câmara não nega ser um grande romântico e seu novo projeto chegou pra provar. O músico, que faz parte de banda Folk na Kombi, deu o pontapé para o seu projeto solo, Um Ano, em 2021. A ideia é falar sobre o amor no curso de um ano completo, misturando música, videoclipes, poemas e conteúdo em suas redes sociais.

A primeira música do projeto Um Ano, chamada Pardon Me, foi lançada no final de março, e a estreia do clipe – gravado ao vivo – aconteceu no começo de abril.

O projeto Um Ano será dividido em quatro EPs, cada um com arranjos e sonoridade que remetam à estação do ano que eles representam. A inspiração para o trabalho solo de Câmara como cantor surgiu a partir do término de seu casamento, e por isso o conceito de toda essa era audiovisual conta uma história de superação.

Pardon Me inicia o projeto no Outono. A estação representa o término recente e a esperança de uma reaproximação. Ao todo serão lançados 12 videoclipes – um para cada mês do ano -, mostrando a jornada de Câmara até chegar no verão. As músicas da próxima estação de Um Ano serão lançadas a partir de junho, mês em que começa o inverno.

Junto com Estêvão Queiroga, Felipe assina a produção musical do projeto. Apesar do trabalho solo, Câmara também continua fazendo parte do grupo Folk na Kombi, no qual já colaborou com vários artistas, como Zé Geraldo. Além de músico, o cantor também atua há anos como engenheiro musical no estúdio Space Blues, onde ajudou a mixar trabalhos de nomes como Zeca Baleiro, Chico César, Zizi Possi e Céu.

Inclusive, foi junto de Céu que Câmara conquistou o seu primeiro Grammy Latino. Ele já foi indicado sete vezes por sua colaboração em trabalhos de artistas como Nando Reis e Zeca Baleiro, mas conseguiu a honraria em 2019. Levou como engenheiro assistente do álbum APKÁ, de Céu, que ganhou o troféu de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

Em um momento de tantos novos projetos, o e-Urbanidade conversou com o artista sobre o lançamento, sua história na música e a emoção de ganhar um Grammy. Confira a seguir.

#1 – e-Urbanidade: O seu novo projeto, Um Ano, é inspirado em um término de relacionamento que você viveu. Como foi transformar este momento difícil em arte?

Felipe Câmara: Foi difícil transformar isso em arte, mas acho que a expressão de sentimento é combustível pro artista, não é? Para mim, fazer musica, apesar de ser difícil, é também prazeroso, porque você consegue dizer coisas pra você mesmo que está precisando ouvir, e coisas talvez que você não consiga dizer sobre o relacionamento. Então foi um momento de autoconhecimento importante, e transformar isso em música, em arte, me ajudou a superar.

#2 – Durante a concepção do projeto, houve algum momento em que você sentiu receio de revisitar a sua história e os momentos difíceis que passou?

F.C.: Na verdade ainda existem momentos em que eu tenho que revisitar a história. Nunca tive receio, porque é a minha história, mas sinto diferentes sensações. Então agora, a gente está fazendo uma série para o IGTV do Instagram. Eu tenho que escrever poemas toda segunda-feira pra postar. Ao longo do ano, vão ser 52 poemas, e eu finalizei agora os 12 primeiros que vão cobrir o Outono.

Então sempre que eu sento pra escrever, tenho revisitado a história e os momentos difíceis. Mas não sinto receio, não. Acho bom. Toda vez aprendo um pouco mais sobre mim, sobre a própria história. Tem sido interessante.

#3 – O projeto Um Ano une música, videoclipes, poemas e também conteúdo que você tem postado no seu Instagram. Como surgiu a ideia de transformar seu novo trabalho em um álbum audiovisual?

F.C.: O projeto Um Ano une isso tudo. Música, videoclipes, poemas e os vídeo. Acredito que hoje o caminho é lançar um trabalho audiovisual. Acho que a gente está muito atrelado à imagem e sinto muitos pontos positivos nisso. A imagem reforça sensações e as nuances que a gente quer passar com a música e, às vezes, não se consegue passar só com os arranjos.

Neste projeto os arranjos também são focados nas estações. A imagem reforça e facilita com que a gente consiga passar de fato essa expressão das estações junto com a música, os clipes e os próprios poemas.

#4 – Como você criou o conceito por trás do clipe ao vivo de Pardon Me?

F.C.: Na verdade eu tenho um grande parceiro, Estêvão Queiroga que está fazendo toda a direção artística do projeto. Ele também coproduziu as faixas, e é muito criativo. Então a gente tem criado basicamente esse projeto a quatro mãos, a mais ou menos dois anos.

De todas as faixas do disco e singles que a gente vai lançando, pensamos que um dos clipes das estações poderia ser uma live. Então foi assim que surgiu a ideia de Pardon Me. A criação desse clipe também acontece com o diretor, o Cisco Vasques. Ele que trouxe todo o conceito visual, a ideia de ser um plano sequência, a ideia de ser dentro da casa… Então é uma criação conjunta.

#5 – Como a sua história com a música começou?

F.C.: A minha história com a música começou com meu pai, minha avó paterna e alguns tios maternos, que sempre tocaram em casa. Meus pais gostam muito de música, eu escutei muito em casa. Aos 9 anos eu presenciei um professor de violão de um vizinho tocando na rua e fiquei encantado. E como meu pai também tocava, eu pedi para me presentear com um violão. Então comecei a fazer aula com 9 anos. E toco até hoje.

#6 – Qual foi o principal desafio de lançar um projeto solo, após tantos anos fazendo parte de grupos e bandas musicais?

F.C.: O principal desafio é se sentir sozinho em alguns momentos. E também para tomar algumas decisões, mas ao mesmo tempo são desafios interessantes, porque nos conduzem para o fato que existem coisas que nós precisamos encarar mesmo. Realizar e tratar a solitude.

Os momentos sozinhos também são importantes. Eu continuo com a minha banda, o Folk na Kombi. Mas o projeto solo vem também pra saciar outros desejos de outras expressões artísticas. Eu sou um cantor romântico e sempre quis fazer um trabalho mais pra esse lado. E aí, nas bandas, você precisa negociar mais. Sozinho você acaba tomando o caminho que você decide com você mesmo ou com sua equipe, que faz mais sentido pra você.

#7 – Você já colaborou com diversos artistas durante sua carreira. Com quem atualmente você sonha em fazer uma parceria? Por quê?

F.C.: Durante a minha carreira eu tive o prazer de poder colaborar com vários artistas e também ter a colaboração deles no meu trabalho. Mas existem alguns artistas que eu gostaria de fazer parceria. Alguns inclusive eu já sou bem próximo. Mas, outros não tenho nem acesso.

Gostaria de cantar com a Anitta e Iza, por exemplo. E gostaria muito de ter uma parceira com os artistas mais antigos, da velha guarda. Com Gilberto Gil seria um sonho grande.

#8 – Você já conquistou um Grammy Latino, que é uma das maiores honrarias do mundo da música internacional. Depois disso, o que você ainda sonha conquistar?

F.C.: Sim, é uma das maiores honrarias do mundo da música, e eu me sinto muito grato a tudo. Ao pessoal do Space Blues, que é o estúdio em que eu trabalho e ao [Alexandre] Fontanetti, nosso primeiro engenheiro e dono do estúdio. E depois disso eu ainda sonho em conquistar um Grammy como artista, com a minha música. Esse é um sonho presente na minha vida.

#9 – Qual conselho você daria para quem sonha em viver de música e gostaria de, um dia, também ganhar um Grammy assim como você?

F.C.: O meu conselho é que não ligue pro Grammy. Essas honrarias são importantes, mas não são as coisas mais importantes. Que façam as suas verdades e vivam a vida, com as filosofias que acreditam. Não só para música. Para qualquer coisa.

Eu sou um defensor de que a gente deveria medir a economia por alegria, e não por dinheiro. Talvez o mundo fosse mais leve, mais simples, mais amoroso, né? O conselho que eu daria é: faça o que te faz feliz. O que te tira sorrisos, trabalhe muito, incansavelmente. Mas trabalhe com algo que você possa sentar depois e sentir o prazer em curtir os resultados. Faça o que dá sentido à sua vida.

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