Entrevista com Miguel Arcanjo, idealizador do Prêmio Arcanjo de Cultura

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Jornalista Miguel Arcanjo - Foto: Edson Lopes Jr
Jornalista Miguel Arcanjo - Foto: Edson Lopes Jr

Um dos mais prestigiados jornalistas de cultura de São Paulo (e por que não do Brasil?), Miguel Arcanjo, promove a segunda edição do Prêmio Arcanjo de Cultura. Dessa vez são indicados mais de sessenta nomes como Elza SoaresFábio PorchatBábara PazBabu Santana e Thelma Assis.

São 30 troféus divididos em 7 categorias: Artes Visuais, Cinema, Música, Redes, Streaming TV e Teatro e Especial. Integra o júri especialistas que acompanham de perto a cena artística nacional: Adriana de BarrosBob Sousa, Elba KrissHubert Alquéres e Zirlene Lemos.

Miguel Arcanjo conversou com o canal e-Urbanidade sobre a edição deste ano que é remota e acontece no dia 28 de abril.

#1 – e-Urbanidade: Qual o papel do Prêmio Arcanjo neste momento tão desafiador para a classe artística? 

M.A.: A missão do Prêmio Arcanjo de Cultura é trazer visibilidade e valorização para o setor cultural. Os trabalhadores da Cultura foram um dos grupos mais afetados pela pandemia, já que ficaram impedidos de exercerem suas atividades, como shows, peças de teatro, exposições e cinema. Mesmo assim, o setor seguiu com garra, buscando novas formas de comunicação digital.

Desde o começo da pandemia, não parei de trabalhar um dia sequer, nem nosso júri. Vi que você, Celso, com seu e-Urbanidade, também seguiu em frente com garra. É isso que precisamos fazer.

Muitos prêmios artísticos tradicionais deixaram de ser realizados no momento histórico que a cultura mais precisou de reconhecimento. E digo o mesmo dos veículos de mídia mais tradicionais, que fecharam as portas para a cultura em suas pautas.

Eu não poderia deixar de realizar o Prêmio Arcanjo de Cultura 2020, do jeito que fosse. Mais do que nunca, a Cultura precisa desse nosso aplauso. E estamos aqui, do Municipal para o canal Blog do Arcanjo no YouTube, igual ao Gil nos ensinou: “Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá”. 

#2 – As indicações do Prêmio Arcanjo, além de serem diversas, têm sempre uma justificativa a seguir, diferente da enumeração objetiva dos prêmios em geral. Qual a intencionalidade dos jurados?

M.A.: Ao compor o júri, busquei especialistas que não tinham uma visão reducionista ou preconceituosa do que é Cultura, muito pelo contrário: procurei profissionais que estão sempre atentos às novidades e discussões no setor.

Tenho orgulho de dizer que tenho o júri mais plural e democrático de todos os prêmios e preciso aqui falar o nome deles: Adriana de Barros, Bob Sousa, Elba Kriss, Hubert Alquéres e Zirlene Lemos, que comigo completam o time de seis jurados com olhar atento para as Artes Visuais, Cinema, Música, Redes, Streaming TV e Teatro.

A pluralidade aqui não é discurso de marketing. É só ver a foto do júri que você percebe isso. Buscamos ressaltar a pluralidade e o viés realmente democrático para o prêmio, que tem Ivam Cabral como diretor artístico, e soube trazer isso de forma magnífica à cerimônia.

Isso é fruto do olhar que faz parte do meu trabalho jornalístico. Nunca quis cobrir essa ou outra turminha apenas. Porque na Cultura tem muito disso, né? De um grupo achar que é melhor ou mais artista que outro. Não faz sentido as divisões internas no setor.

Sempre soube que a Cultura precisa se unir para tornar-se mais forte. No meu Blog do Arcanjo, todo mundo sempre teve vez: da peça mais cabeça àquela comédia rasgada. Do projeto cultural na periferia ao grande musical da Broadway.

Foi por isso que o Prêmio nasceu com credibilidade e lotou o Theatro Municipal em sua primeira edição, às vésperas do Natal, em 18 de dezembro de 2019. Todo mundo adiou a viagem e foi lá prestigiar. Espero que agora assistam todos à cerimônia digital. Quem quiser pode usar black-tie em casa! [risos].

#3- Pra você como as artes saem deste tempo pandêmico?

M.A.: Esperamos ver logo a saída no fim do túnel, por favor! A gente vai sair muito machucado, com as perdas irreparáveis que tivemos.

Perdemos um dos nossos indicados recentemente, o João Acaiabe. Isso me deixou destroçado. Chorei feito criança, por um dia inteiro. Quando saíram os indicados, em dezembro, ele me telefonou dizendo que nunca tinha ganhado um grande prêmio aqui em São Paulo, em 50 anos de carreira.

Eu disse pra ele que o júri ainda não tinha se reunido pra votar os vencedores, mas que tinha certeza que ele teria uma boa surpresa. Ele sorriu do outro lado. Me emociono de novo ao lembrar da nossa conversa.

Eu acho que a Cultura vai sair mais forte deste período de trevas em que estamos. Assim que for novamente possível, creio que ninguém mais vai querer ficar em casa e atividades culturais viverão um novo Renascimento. Igual aconteceu na Europa após a Peste Bubônica. 

#4 – Você como jornalista da área cultural, qual papel vê nesse profissional nestes tempos de reclusão, na função de informar e formar plateias?

M.A.: Nosso papel é fundamental. Eu sou realmente fã do trabalho que você faz no e-Urbanidade, que tenho entre meus sites favoritos e que inspira muito o meu trabalho.

O jornalismo cultural migrou do impresso para o digital, quem não percebeu isso é porque parou no tempo feito peça de museu. Fico feliz de sermos pioneiros neste sentido, de termos acreditado no formato digital para conversar de um jeito mais fácil e simples com o grande público. Abandonando aquele pedantismo que durante muitos anos foi a tônica de um certo jornalismo cultural elitista que só conversava com seus pares e deixava muita gente de fora.

Formar público é ser simples, é trazer o povo para perto do artista. É isso que faço no meu Blog do Arcanjo e também no Prêmio Arcanjo de Cultura.

Zé Celso no Prêmio Arcanjo 2019 - Foto: Edson Lopes Jr
Zé Celso no Prêmio Arcanjo 2019 – Foto: Edson Lopes Jr

#5- Quando pudermos novamente nos aglomerar no Theatro Municipal para uma versão do Prêmio Arcanjo, ou seja, depois que tudo isso passar, para quem você gostaria de dar um dos seus troféus?

M.A.: Que pergunta complicada! Olha você querendo fazer eu me comprometer. [risos]

Eu já pude ter ídolos meus recebendo o Prêmio. São os casos de Zé Celso, Teca Pereira, Marília Gabriela, Fernanda Montenegro, Sérgio Mamberti, Danilo Santos de Miranda, Satyros, Eduardo Saron, os irmãos Ohtake e muitos outros que abrilhantaram a primeira edição.

São tantos nomes que integram essa minha lista de homenageados dos sonhos! Como Zezé Motta e o Tony Ramos, nomes que estive próximo nos últimos meses e foram muito carinhosos comigo. Ambos têm trajetórias incontestáveis na história cultural brasileira e merecem um Prêmio Arcanjo de Cultura. Mas acho que já estou falando demais! Vamos um passo de cada vez [risos].

Serviço
2º Prêmio Arcanjo – 2020
Dia 28 de abril de 2021, quarta-feira, às 19h
Canal Blog do Arcanjo no YouTube – http://bit.ly/YouTubeArcanjo
Indicação etária: Livre
Grátis.

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