Entrevista com a atriz Larissa Ferrara | Blog e-Urbanidade

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Larrisa Ferrara - Foto: Divulgação
Larrisa Ferrara - Foto: Divulgação
Larrisa Ferrara - Foto: Divulgação
Larrisa Ferrara – Foto: Divulgação

Larissa Ferrara aproveitou a quarentena para se envolver com a produção da websérie Nós. Em parceria com a atriz Nicole Cordery, o programa mistura realidade com ficção ao retratar a história de duas atrizes, também em reclusão.

Além de interpretar, tratou de aprender pelo YouTube sobre edição de vídeos e cuida de cada episódio. E entre um corte e outro, concedeu esta entrevista ao blog.

#1 – Blog e-Urbanidade: Como surgiu a ideia do projeto?

Larissa Ferrara: Eu sempre tive vontade de criar minhas próprias histórias, pois depender somente da aprovação de testes de grandes produções, a maior parte de nós, atores, ficaríamos parados e sem trabalho. 

Eu tenho grande admiração por atrizes incríveis que se tornaram produtoras de seus próprios projetos. Phoebe Waller-Bridge, Reese Witherspoon, Lena Dunham, Brit Marling e Miranda July são alguns exemplos que me inspiram. 

E ai, em março, veio a pandemia e o mundo inteiro passou a se comunicar por chamadas de vídeo.  Então, a websérie veio como uma forma de me conectar com o momento.

Já queria realizar esse projeto com uma atriz potente e que eu admirasse artisticamente. A primeira pessoa que me veio à cabeça foi a Nicole. Nos conhecemos na peça Nunca Fomos Felizes e ficamos muito amigas. A Nicole é o tipo de atriz que se entrega de cabeça e é altamente criativa! Tem sido ótimo!

#2 – E como foi o processo de criação?

L.R.:  A nossa ideia foi mesmo de misturar realidade com ficção. Decidimos interpretar nós mesmas, mas descoladas para uma relação ficcional.

Websérie Nós - Fogo: Divulgação
Websérie Nós – Fogo: Divulgação

Escolhemos o Instagram, pois acreditamos que a plataforma e websérie dialogam entre si.

Criamos tudo juntas, desde o roteiro até a divulgação. Gostamos de seguir o roteiro, mas com uma grande liberdade de improviso, o que traz mais verdade e espontaneidade aos episódios. 

Passamos a nos falar, pelo menos, 10 horas por dia, nesses últimos tempo. É maravilhoso! (gargalhadas)

#3 – A webserie traz elementos desta fricção entre realidade e ficção que é muito comum no teatro performático, Nós é uma websérie performática?

L.R.: Temos traços performáticos na nossa série, mas não se trata de uma série performática. Nas artes plásticas, em uma performance, o artista e seu espectador estão num mesmo espaço físico, vivenciando ao vivo uma mesma experiência. No teatro performático temos essa linha tênue entre ficção e realidade, a ponto de confundir o espectador. 

Em Nós não temos a presença simultânea do público e, conforme a história for se desenrolado, os elementos de realidade vão se distanciar. 

Mas, as atrizes não tiveram um caso no passado, Nicole não é casada com Fernanda, elas não se encontraram de verdade no mercado e não estarão envolvidas com uma produção on-line de Esperando Godot. O que fica no jogo, o que nos caracteriza, é a organicidade dessas duas atrizes atuando com seus nomes, profissões e em quarentena.

#4 – Assistimos Nunca Fomos tão Felizes em que vocês estavam em cena e é uma peça que trata de mulheres em relações tóxicas. Até que ponto aquela história e a relação dos camarins ajudaram em Nós?

Nunca Fomos Tão Felizes - Foto: Thaís Boneville
Nunca Fomos Tão Felizes – Foto: Thaís Boneville

L.R.:  Acredito que a possibilidade que Nós nos trouxe foi de escrever a nossa narrativa, expondo o que temos vontade de dizer. E isso vem como resposta ao mundo ultrapassado da peça Nunca Fomos tão Felizes (texto e direção de Dan Rosseto). Ambientada nos anos 1950, tinha a função de mostrar, como num espelho, a sociedade de onde viemos. Um mundo que não queremos mais. 

Na nossa história escolhemos retratar um mundo feminino, sob a nossa perspectiva. Nas relações de nossas personagens, Larissa e Nicole, não há relacionamentos tóxicos. Falamos de paixão (pathos) e suas complexidades. 

A insatisfação é um sentimento constante de ambas. Questionam seus privilégios; o que é certo e errado; a diferença entre amor e paixão; a complexidade de uma relação proibida; as nuances da vida; os altos e baixos que vivemos nessa quarentena; e, claro sobre a profissão de atriz. 

#5 –  Mesmo optando por filmagens por celular, com delays e som mal captado, a produção tem um ótimo acabamento nas vinhetas e abertura. Quem mais colabora ao projeto?

L.R.: Sim. Essa qualidade da filmagem foi uma escolha, para deixar tudo real. E depois de alguns meses trabalhando, apenas nós duas, a Flávia Tonalezi, diretora de produção, entrou no projeto.  

Eu faço as edições e mixagem de sons e trilha. Totalmente autodidata. Pesquisei no YouTube como mexer em cada ferramenta. Executava e passava para a Nicole aprovar. Daniel Retz me ajudou na abertura e a deixou mais orgânica. 

É fantástico aprender como faz e conseguir manusear as edições e sons. Consigo executar exatamente o que pensamos.

#6 – Teremos mais temporadas?

L.R.:  Depois desses 12 episódios, na primeira temporada, já estamos criando e editando a segunda.

#7 – O que Larissa tem feito na reclusão, além de Nós?

L.R.: Sou dubladora e estou com um estúdio em casa. Assim, tenho feito meus trabalhos, já que as gravadoras estão fechadas. 

A websérie tem me ocupado muito. Além disso, recolho tetrapack para ajudar a ong Brasil sem Frestas. E estou ensaiando a nova peça de Dan, Feliz dia das Mães.

#8 –  O que você quer fazer, no primeiro dia, quando acabar a reclusão e já tiver tomado a vacina?

L.R.:  Que respiro essa pergunta! Me veio uma cena muito clara.

Eu, no elevador do prédio onde meus pais moram, segurando uma travessa de panquecas com syrup, um xarope feito de água e açúcar. Quando eu chego no 5º andar, eu ouço algumas risadas e conversas do outro lado da porta. Toco a companhia.

Meu pai abre a porta e trocamos um sorriso largo. A pequena cachorrinha Frida pula de alegria. Ao fundo, vejo minha bela mãe sentada em sua cadeira de rodas, de braços levantados, com aquele sorriso de saudade e amor.

Dou um abraço bem apertado no meu incrível pai. Beijo minha querida Frida. Logo, me debruço ao colo da minha mãe, dizendo “minha fofinha”, como a chamo carinhosamente. Fico lá por uma eternidade.

Depois meu pai coloca uma música para tocar.  Eu e a Fofinha dançaremos no meio da sala. Eu, de pé, ela, sentada. Mas com o seus braços livres e suas mãos conectadas as minhas, sem medo de qualquer ameaça invisível.

Para assistir:
Episódios novos às terças e quintas-feiras.
No IGTV : @webserienos

Criação: Larissa Ferrara e Nicole Cordery

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