Crônica: The Square – A Arte da Discórdia – Blog e-Urbanidade

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Cena do filhe The Square fazendo sátira com uma exposição moderna
The Square - A Arte da Discórdia - Foto: Divulgação
Cena do filhe The Square fazendo sátira com uma exposição moderna
The Square – A Arte da Discórdia – Foto: Divulgação

Assim que The Square – A Arte da Discórdia estreou no cinema e foi indicado aos principais prêmios do cinema, além de receber críticas elogiosas, alguns pensadores partiram a elaborar textos sobre o significado e o lugar da arte no mundo contemporâneo. O que é arte?

Qual o sentido do diretor de um museu contratar dois relações públicas e postar um vídeo escandaloso na internet sobre a nova exposição? Esse mesmo sujeito, Christian (Claes Bang), pergunta nas primeiras cenas à jornalista: “Colocar sua bolsa dentro do museu à torna arte?”

Mesmo que esse seja o ponto central da produção, o diretor sueco Ruben Östlund não tem medo de cutucar o espectador em diversos outros dilemas. E um deles está explícito no título do longa-metragem – the square – em como estamos todos no seu quadrado e como é difícil (ou impossível) nos tirar desse lugar.

Quando Christian é tirado da sua rotina, roubado (sim, na Suécia existem furtos, mas são elaboradíssimos!), sua jornada inicia ao sair da zona de conforto, indo atrás do celular em um prédio da periferia. No quadrado do seu carro há uma discussão de quem vai deixar a carta mal criada.

Mais a frente causa estranhamento dos de fora do veículo: o que faz um negro dentro de um carro tão bacana? Estar dentro desse quadrado não garante legitimidade!

Antagonistas de papeis pequenos cruzam o caminho do moço, tais como Anne (Elizabeth Moss), Oleg (Terry Notary), suas filhas, mendigos e uma criança extremamente decidida no que quer: levar o diretor até sua casa.  Ali, percebemos como o mundo anda infantilizado e incapaz de conviver com suas frustrações. “Não” não é “não” no universo do grito, confronto e guerrilha.

Por outro lado, a elite intelectual apenas só pode ser destronada pelo combate. Não tem jeito!  E quando o diretor do museu grava uma mensagem de vídeo para o pai do garoto fica escancarada aquela questão da fragilidade branca (e preconceituosa).

A apresentação estranha de Oleg no jantar expõe também o lado predador da elite. E aqui entende-se como “elite” qualquer grupo que exerça algum papel de constrangimento sobre outro. Lembro-me aqui do grupo da igreja que convivi na minha adolescência e início da juventude. Mesmo alguns sendo analfabetos, oprimiam na ânsia de manter seu poder.

Como mais ou menos diz Joana para seu Jasão em Gota D’Água: “você se tornou um igual a eles quando senta nessa cadeira, achando que é um trono!”

Voltando ao filme…

É um trabalho de leitura social se aquietar para analisar algumas cenas, como a do jantar, da palestra interrompida pelo assistidor com síndrome de Tourette, da criança chorando na reunião de trabalho e do chef de cozinha não ouvido.

The Square – A Arte da Discórdia tem elementos do teatro do absurdo colocando o espectador diante dessas situações disfuncionais. Fica perceptível que não é possível mudar o status quo sem sairmos do nosso próprio quadrado. Esse negócio de “lugar de fala” faz muito sentido na histórica de Östlund.

Por fim, sobre o tema central do filme, há ainda uma crítica a racionalidade renascentista. Anne tem uma chimpanzé desenhando em casa e Oleg faz careta numa instalação no museu, além da questão seria-arte?, há outra inesperada: seria a primata também uma artista?

Reflexões. Esse é o maior tesouro deste filme.

Atenção: The Square – A Arte da Discórdia está disponível em streaming.

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