Crítica: Wasp Network: Rede de Espiões, roteiro e direção Olivier Assayas | Blog e-Urbanidade

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Wasp Network: Rede de Espiões - Foto: Divulgação/Netflix
Wasp Network: Rede de Espiões - Foto: Divulgação/Netflix
Wasp Network: Rede de Espiões - Foto: Divulgação/Netflix
Wasp Network: Rede de Espiões – Foto: Divulgação/Netflix

Histórias com espiões infiltrados em filmes estadunidenses são para lá de lugar comum, e Wasp Network: Rede de Espiões chama atenção em trazer tal narrativa com agente cubanos, entranhados nos EUA. E complete-se um elenco latino de primeira linha com Edgar Ramírez (Venezuela), Gael García Bernal (México), Ana de Armas (Cuba), Leonardo Sbaraglia (Argentina) e Wagner Moura (Brasil); incluindo ainda Penélope Cruz (Espanha).

Inspirado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, do jornalista brasileiro Fernando Morais, o filme inicia com o piloto Rene (Ramírez) deixando sua família em Cuba, como desertor, até então. Daí, o roteiro e a direção do francês Olivier Assayas (Personal Shopper, Vidas Duplas) apresentam um amaranhado se surpresas, com interpretações eficientes, num filme que mistura suspense e drama.

Numa estética realista e com um olhar sempre à espreita, Wasp Network chama atenção pelo tema e usufrui do tempo de comédia do elenco para reforçar o impensado relato. Ou seja, a rede de espiões cubana entranhada em Miami, para investigar e relatar as ações dos grupos de terrorismo, patrocinados pelos EUA, a fim de enxovalhar o turismo de Cuba.

Cruz destaca-se no papel da esposa abandonada e realça na cena de reencontro com Rene, nos Estados Unidos. Ramírez assume com sobriedade o mistério necessário ao protagonista. Sbaraglia dá um tom bufão ao líder do grupo de salvamento a cubanos que tentam atravessar o mar, em direção aos Estados Unidos.

Cartaz de Wasp Network: Rede de Espiões
Cartaz de Wasp Network: Rede de Espiões

Moura está à vontade no enigmático Juan Pablo, em boas cenas com a charmosa esposa interpretada por Armas. Garcia Bernal tem uma participação sem grande arrombo, mas é correto, diante da personagem sem grandes possibilidades.

Wasp Network é um filme que revela sobre os desdobramentos da Guerra Fria que marcou a rivalidade entre EUA e Rússia. Bombas e tiroteios em hotéis e resorts em Cuba, sendo uma das importantes fontes de renda cubana, torna-se estratégica na propaganda do sucesso do capitalismo. Tudo isso após o desfalecimento de importantes estados comunistas, no final dos anos de 1980.

Fidel Castro participa do filme, em uma entrevista da época, dando um tom documental aos acontecimentos. Diante da indignação mundial sobre os agentes cubanos, negado inicialmente, o então presidente justifica-se já que toma os mesmos métodos de espionagens adotados pelos EUA em todo mundo. A curta presença do estadista dá o tom de denúncia, mesmo irônica, às estratégias norte-americanas para continuar como país hegemônico mundialmente.

É verdade que Wasp Network demora um pouco para acontecer e é preciso do assistidor paciência para o desenrolar dos mecanismos. E é importante destacar que, depois de décadas de prisões, manifestações e negociações, atualmente, os espiões estão de volta a Cuba.

Sendo assim, o novo filme de Assayas no Netflix, mesmo não sendo um grande filme, é uma narrativa necessária. Com elenco sofisticado, principalmente por reunir importantes nomes da dramaturgia da América Latina, é uma das boas produções a se conferir como entretenimento e relato.

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