Crítica: Um Panorama visto da Ponte – Blog e-Urbanidade

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Uma Panorama Visto da Ponte - Foto: Ale Catan
Uma Panorama Visto da Ponte - Foto: Ale Catan
Uma Panorama Visto da Ponte - Foto: Ale Catan
Uma Panorama Visto da Ponte – Foto: Ale Catan

Um panorama visto da ponte é texto clássico de Arthur Miller, dirigido por Zé Henrique de Paula, e conta a história de um grupo de imigrantes italianos nos EUA na década de 40. Uma família já estabelecida recebe dois novos membros recém-chegados do Velho Mundo e juntos tentam trabalhar, fazer dinheiro, driblar a polícia imigratória e viver seus dramas pessoais.

Ao final da apresentação que assisti, os artistas reservaram um tempo para um debate com o público. Essa atitude deles, além de muito simpática, me despertou algumas reflexões e sentimentos. Primeiro, foi uma ótima oportunidade do público fazer abertamente os elogios e reconhecimentos aos atores, nesse caso foram direcionados sobretudo ao grande Sérgio Mamberti, cuja presença engrandece o espetáculo, e ao protagonista Rodrigo Lombardi, que nos passa muito bem a ambiguidade e complexidade do personagem Eddie Carbone. É ainda a Patricia Pichamone que, pelos comentários, encantou a todos com seu trabalho sensível (confesso que a mim também, que atriz delicada!). Mas todo o elenco está muito bem, sem exceção.

Segundo, essa troca com a platéia me ajudou a ampliar a compreensão sobre a peça. E não estou dizendo que o espetáculo precisa de uma explicação posterior, ao contrário, é claro e compreensivo (sem ser didático, é óbvio ). O que quero dizer é que o debate proporcionou a construção de uma visão coletiva sobre a peça, ampliando minha perspectiva isolada para incluir as percepções dos demais. E conhecimento, quando é compartilhado assim, no calor da hora, se torna mais vivo, ganha mais sentido dentro de cada um.

E, por fim, o debate nos salvou (pelo menos a mim) de sair do teatro com a tensão angustiante e claustrofóbica da peça. A claustrofobia criada pela condição daqueles personagens. A claustrofobia da vida em containers, como bem sugerido pelo cenário. A claustrofobia dos imigrantes que se escondem, da adolescente Caterine que não pode ser dona de si, de Beatrice, presa no papel de mulher que tem que ser compreensiva com todos.  Sobretudo, da claustrofobia do amor proibido que sente Eddie Carbone, amor trágico, grego, rodriguiano, e “brochante”, como bem disse a partir da platéia o diretor e ator André Garolli, que estava ali como espectador, em uma visão psicanálitica sobre nosso protagonista.

É isso, um clássico é algo que sempre tem o que dizer. O texto de Arthur Miller, escrito em 1955, é atualíssimo. Trata de imigração, liberdade, feminismo e todos os temas que fazem a diversidade do discurso contemporâneo. Em tempos de Trumps e Bolsonaros, precisa ser encenado e exibido para todos. Nesta montagem, o texto encontra elenco e direção ideias para sua força. Assim como no final, está aberto o debate!

Serviço: até 25/11/2018 – sextas às 21h30 | sábados às 21h | domingos às 18h

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  1. […] By admin   Posted in #amoteatromf Posted on 23 de agosto de 2018 Um panorama visto da ponteé texto clássico de Arthur Miller, dirigido por Zé Henrique de Paula, e conta a história de um grupo de imigrantes italianos nos EUA na década de 40. Uma família já estabelecida recebe dois novos membros recém-chegados do Velho Mundo e juntos tentam trabalhar, fazer dinheiro, driblar a polícia imigratória e viver seus dramas pessoais. Ao final da apresentação que assisti, os artistas reservaram um tempo para um debate com o público. Essa atitude deles, além de muito simpática, me despertou algumas reflexões e sentimentos. Primeiro, foi uma ótima oportunidade do público fazer abertamente os elogios e reconhecimentos aos atores, nesse caso foram direcionados sobretudo ao grande Sérgio Mamberti, cuja presença engrandece o espetáculo, e ao protagonista Rodrigo Lombardi, que nos passa muito bem a ambiguidade e complexidade do personagem Eddie Carbone. É ainda a Patricia Pichamone que, pelos comentários, encantou a todos com seu trabalho sensível (confesso que a mim também, que atriz delicada!). Mas todo o elenco está muito bem, sem exceção. Continue lendo Aqui […]

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