Crítica: Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral, direção Renato Farias | Blog e-Urbanidade

1
68
Stonewall - Foto: Debora Agostini
Stonewall - Foto: Debora Agostini
Stonewall - Foto: Debora Agostini
Stonewall – Foto: Debora Agostini

O Cultura em Casa, projeto da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, trouxe numa4 live a peça Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral. Com texto e atuação de Thiago Mendonça, é atualizada para a internet, após temporadas aqui em São Paulo e por outras cidades brasileiras.

A apresentação soa pra lá de oportuna já que estamos no início do mês do Orgulho Gay, originado a partir dos protestos que aconteceram após uma batida policial no bar de Nova Iorque, Stonewall. E também no domingo seguinte em que um grupo porta-se com tochas, lembrando Ku Klux Klan, frente ao Supremo Tribunal Federal. Por fim, manifestantes ocupam as ruas dos Estados Unidos diante da morte de George Floyd, por sufocamento.

[toggle title=”Saiba mais sobre o filme Stonewall: Onde o Orgulho Começou ” state=”close”]O roteiro parte da história ficcional, mas verossímil, de Danny (Jeremy Irvine) que é expulso de casa após seu machista pai ficar sabendo da relação dele com um outro colega da escola onde ele é professor. Assim, Danny vai parar exatamente na esquina da Sétima avenida com Christopher Street em Nova Iorque. (Leia mais a crítica do Blog e-Urbanidade ao filme)[/toggle]

O texto performático realiza-se na fratura dos relatos do Thiago-ator com das personalidades como Vange Leonel, George Michael, Judy Garland, Divina Valéria e Phedra de Córdoba. E, de fato, um dos pontos fortes da dramaturgia é sua coesão. Nada se perde, tudo vai sendo usado para construir a jornada do Thiago-personagem.

Diante da coleção de miniaturas que vai desde He-Man a Renato Russo – personagem que o ator interpretou no teatro -, há um mergulho nos reflexos trágicos das existências apagadas pelo preconceito. Afinal, há menos de trinta anos a homossexualidade era uma doença, ainda é crime em mais de setenta países e o Brasil é o pais que mais mata LGBTQIANP+ no mundo.

A peça que tem direção de Renato Farias toma novos ares nos recortes da câmera da live. E que, felizmente, parece manter a atmosfera do Satyros, onde fez temporada aqui em São Paulo, e também do bar novaiorquino. Assim, a estética colabora na construção desordenada e de resistência de ambos, da Praça Roosevelt e de Stonewall.

Thiago abraça a jornada e propõe um jogo de olhares em que a alteridade do ator e do assistidor parecem incessantemente negociadas. Jogos, imagens, simulacros e corpo são trazidos à ação do performer para destacar identidades e existências.

Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral tem bom título como live. É, em suma, uma celebração assistir Thiago nesta semana. Claro, há tristezas. Muitas! Nessas vidas desconsideradas pela pandemia tanto do COVID-19, tanto da LGBTQIANP+fobia. Mas, como mesmo indica o ator, ao mudar um pretenso final triste para a apresentação, é preciso seguir resistindo. Alegres! E celebrando as múltiplas possibilidades do teatro.

Ficha Técnica
Texto e atuação: Thiago Mendonça
Direção: Renato Farias
Direção de movimento: Gaby Haviaras
Preparação Vocal: Dody
Figurinos: Lila Medeiros

Quer receber essa e outras notícias no seu e-mail? Assine a newsletter

1 COMMENT

  1. Que maravilha. Gratidão querido por ter ‘estado’ na apresentação e por compartilhar seu sensível olhar.
    Só queria aproveitar e me corrigir pois na live eu disse 2020 e em seguida o 20 se repetiu no número de países que ainda criminalizam os comportamentos homossexuais… mas o dado correto é ainda mais triste, são mais de 70 países… mundo cruel!
    Grato beijo.
    Thiago M.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here