Crítica: Sede, direção Zé Henrique de Paula

Sede, texto do mundialmente premiado autor Wajdi Mouawad, volta ao Tucarena, com Felipe de Carolis, Luna Martinelli e Marcelo Várzea.

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Sede - Foto: Caio Gallucci
Sede - Foto: Caio Gallucci
Sede - Foto: Caio Gallucci
Sede – Foto: Caio Gallucci18

Texto publicado em 18/02/2020

O texto do dramaturgo libanês-canadense Wajdi Mouawad chega em São Paulo, com produção novamente assinada pelo ator Felipe de Carolis, associado a Selma Morente e Célia Forte. Com tradução de Angela Leite LopesSede é um quebra-cabeça para espectador, com três personagens que buscam o sentido da vida.

É dia 6 de fevereiro de 1991 e Murdoch (Carolis), um universitário de 22 anos, abre a cena contando sobre sua intrincada relação pessoal e familiar. Há também Noruega (Luna Martinelli), uma garota trancada no quarto, puro mistério e lirismo. E costuram essas histórias, Boon (Marcelo Várzea), um simples antropólogo forense chamado para desvendar e reconhecer dois corpos encontrados no fundo do rio.

O enigma de Wajdi vai sendo revelado em cada cena, fala, imagem e objeto trazido à baila. Assim, numa verborragia freudiana (e teatral), temas como depressão, sentido, morte e juventude revelam a complexidade da existência. Do intrapessoal para social, as camadas vão rachando-se até o desfecho final.

A estética proposta por Zé Henrique de Paula, além de dialogar com a dramaturgia, cria um universo delirante.  E aí funcionam a cenografia acertada de Bruno Anselmo; o desenho de luz de Fran Barros; e, a programação visual meticulosa de Laerte Késsimos. Um dos pontos altos da montagem!

A trilha sonora executada ao vivo e preparada por Fernanda Maia dá liga, mas os números musicais de Carolis soam deslocados. E quebram a narrativa já bem arredonda com o trabalho de direção, dos atores e na plasticidade proposta.

Zé Henrique e Maria Manoella desligaram-se da montagem quando interpretavam Boon e Noruega, respectivamente. Mesmo diante do pouco tempo de preparação de Várzea e Martinelli, mostram-se à vontade no delineamento e nas gradações das suas personas.

Com certeza, Sede traz importantes reflexões sobre depressão e suicídio, temas hodiernos desses dias de muita exposição e culto à felicidade instagramável. Temas tratados em debate ao final de algumas apresentações.

Mesmo assim, a jornada de Boon aponta para possíveis redenções: na questões sobre beleza (e feiura); na transição e nas perdas da juventude para a vida adulta; no perdão (mesmo sem necessariamente dizer “eu te perdoo”); e na tentativa de resgatar a sede de vida e de ludicidade no dia a dia.

A montagem, cartaz do TUCARENA, é uma fábula sobre o homem pós-moderno (ou pós-colonial) diante dos seus traumas, ora retalhado por uma vida comum, ora afogado nas suas incongruências. Então, é ai que Sede pode ser tão tocante e inquietante.

Serviço
Nova temporada:
22 de outubro até o dia 12 de dezembro de 2021. Sexta e Sábado às 20h. Domingo às 18h. Saiba mais aqui.

Indicação Etária: 16 anos

Ficha Técnica
De Wajdi Mouawad
Com a colaboração de Benoit Vermeulen
Tradução de Angela Leite Lopes
Direção Geral Zé Henrique de Paula
Direção Musical Fernanda Maia
Elenco
Felipe de Carolis -Murdoch
Luna Martinelli – Noruega
Marcelo Várzea – Boon
Cenografia Bruno Anselmo
Figurino Zé Henrique de Paula
Desenho de Luz Fran Barros
Preparação de corpo Inês Aranha
Produção Executiva Martha Lozano
Assistência de Produção Alcení Braz
Estagiário de Produção Murilo Dom
Coordenação Administrativa Dani Angelott
Administradora Magali Morente
Produtores Associados Felipe de Carolis, Selma Morente e Célia Forte

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