Crítica: PI – Panorâmica Insana – Blog e-Urbanidade

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Cláudia Abreu, Leandra Leal e Luiz Henrique Nogueira - Foto: João Caldas
Rodrigo Pandolfo, Cláudia Abreu, Leandra Leal e Luiz Henrique Nogueira - Foto: João Caldas
Cláudia Abreu, Leandra Leal e Luiz Henrique Nogueira - Foto: João Caldas
Rodrigo Pandolfo, Cláudia Abreu, Leandra Leal e Luiz Henrique Nogueira – Foto: João Caldas

A diretora Bia Lessa mais uma vez constrói uma montagem teatral que uni diferentes linguagens. Numa instalação em um teatro inacabado, com dimensões de 23 X 20 m, composto por 8 mil peças de roupas, os atores Claudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo apresentam 150 personagens no espetáculo chamado Pi – Panorâmica Insana. É um olhar pessimista (ou realista?) sobre o lugar em que chegou a raça humana com suas escolhas.

O espectador encontra os encenadores, assim que adentra a grande sala, já apresentando seus personagens (e suas roupas) na performance chamada pela diretora de 3×4. Desde ai, percebe-se uma escritura cênica não convencional, num espetáculo imagético, com dramaturgia concebida a partir das construções corporais dos ensaios e de alguns textos de Jô Bilac, Júlia Spadaccini, André Sant’anna com citações de Franz Kafka e Paul Auster.

Assim como em Grande Sertão: Veredas,  Bia e Dany Roland criaram uma trilha sonora com várias camadas compostas por músicas, ruídos, ambientes e a voz dos atores (manipuladas tecnologicamente). Diante de tantas roupas espalhadas pelo espaço, o figurino de Sylvie Lebranc reforça o universo imagético. Destaque também para Amália Lima e João Saldanha no trabalho de corpo dos atores.

Mesmo diante de todo cuidado e impacto estético de PI, o maior destaque é da dramaturgia que traz importantes reflexões sobre questões contemporâneas, pois enquanto o homem foi capaz de curar doenças e criar máquinas potentes, por outro lado, criou tecnologia e artefatos sociais e culturais para se destruir. Violência, miséria, homofobia, feminicídio, intolerância religiosa e por ai vão as tragédias humanas.

Desde a mulher que come suas próprias fezes ao corintiano evangélico, Bia Lessa foi capaz de preparar um elenco homogêneo diante das diferentes experiências profissionais e nuances das centenas de personagens. Mesmo ainda nos ensaios abertos, percebe-se atores maduros, bem preparados e jogo cênico orgânico.

Provavelmente, PI leve importantes prêmios nesta primeira temporada paulistana. Merecidamente! Afinal, estamos diante do mais inovador e visceral projeto teatral do momento.

Serviço:
Até 29 de julho de 2018.
Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 18h – clique nos dias da semana para ter acesso a agenda do blog.

 

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