Crítica: Os Sofrimentos do Jovem Werther, direção Dionisio Neto | Blog e-Urbanidade

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OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER

O alemão Johann Goethe, também conhecido pelo clássico Fausto, escreveu Os Sofrimentos do Jovem Werther, em 1774. A história do amor correspondido, mas impossível de realizá-lo, tornou-se o marco do chamado romantismo alemão e, segundo dizem, mas não comprovado, gerou uma série de suicídios entre jovens quando publicado. Assim, a Cia. Satélite traz uma adaptação da obra, num experimento que junta teatro e cinema.

Goethe fez parte do grupo de autores que criticavam a ciência, a razão, a tecnologia e o progresso social em detrimento da natureza humana e os sentimentos individuais. Vale lembrar que estamos naquele universo europeu, em que o iluminismo racional começa a capengar.

Então, o amor impossível de Werther destaca-se nas produções românticas que vão nortear tanto a literatura alemã, como mundial, a partir daí.

O protagonista é considerado pelos estudiosos como o alter ego de Goethe, que vivia também um amor irrealizado diante de uma moça desejada, mas prometida para outro rapaz.

Na ficção, o jovem isola-se no campo para pintar, mas não consegue tirar Charlotte da cabeça. Assim, inicia a escrever cartas ao seu melhor amigo, Willem. Como é sabido, sem ser spoiler, o fim é trágico.

A adaptação da Cia. Satélite, criada em 1995, integra a Trilogia da Solidão e apresenta três monólogos tendo a solidão como o tema comum. Inclui ainda Carta ao Pai e O Belo (e a Fera).

A montagem de Os Sofrimentos do Jovem Werther parte por uma encenação naturalista, mesmo com diálogos empostados. O cenário contemporâneo e caótico, na locação num loft de decoração urbana, contrasta com o original, mas dialoga com o mundo interior e desordenado do jovem.

Adriano Arbol acerta ao interpretar Werther e também a amada Carlota e o rival Alberto, com mudanças físicas e vocais. Talvez o ritmo acelerado proposto pelo encenador, em algumas cenas, pareça destoar do tom romântico, porém, por outro lado, dá ritmo e prende o assistidor à jornada.

O teatro digital é um produto audiovisual híbrido de teatro, cinema, tv e internet, optei por fazer três planos-sequência“, conta o diretor Dionisio Neto. E nesse momento de tantas experimentações e resistência artística, Os Sofrimentos do Jovem Werther traz genialidade no usufruto desse hibridismo.

Assim, há um operador de câmara que acompanha, abre e fecha planos, mesmo que opte por quadros mais abertos, talvez para aproximar-se da estética teatral.

A adaptação tem também como função a de criar repertório ao assistidor no universo tanto de Goethe, com sua importante contribuição à literatura e pensamento de uma época, tanto ao romantismo, ou seja, neste lugar das idealizações.

Talvez quase um século depois, a partir do pensamento psicanalítico, Werther poderia ser classificado como obsessivo ou algo do gênero. Mas, sem dúvida, o grande valor de acessar essa história é de como uma sociedade conservadora, que insisti em definir narrativas e histórias, diante de uma mente frágil, pode ser cruel e trazer repercussões trágicas. E isso está na ordem do dia.

E nesses dias de solidão, assistir a montagem da Cia. Satélite pode ser a oportunidade de refletir e até promover uma catarse ao espectador que está preso em casa, esquivado de outras relações. E por isso, vale a pena conferir.

Serviço
De 6 a 28 de agosto – quintas e sextas às 21h.
Indicação Etária: 18 anos

Ficha Técnica
De Johann Wofgang von Goethe
Direção: Dionisio Neto
Com Adriano Arbol

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