Crítica: O Último Concerto Para Vivaldi, texto e direção Dan Rosseto

Termina temporada peça de teatro com texto e direção de Dan Rosseto e no elenco Amazyles de Almeida, Bruno Perillo e Michel Waisman.

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O Último Concerto Para Vivaldi - Foto: Cléber Corrêa
O Último Concerto Para Vivaldi - Foto: Cléber Corrêa

Um grande amor destruído por uma doença terminal e a morte assistida são os temas centrais de O Último Concerto Para Vivaldi. A peça que tem direção e dramaturgia de Dan Rosseto terminou temporada no Teatro Nair Bello e conta a história de um casal homoafetivo que vai da Primavera ao Inverno, ao som das músicas compostas por Antonio Vivaldi (1678-1741), inclusive As Quatro Estações.

Anton (Bruno Perillo) é professor de matemática e Ben (Michael Waisman) é violonista profissional. A cena abre-se com eles em camas distintas, amparados pela enfermeira mulçumana Adilah (Amazyles de Almeida). Diante dos nomes estrangeiros, algo costumas de Rosseto, um melodramático recapitular das suas histórias vão sendo trazidas à tona, desde infidelidades, relações tóxicas até o tema espinhoso da morte assistida.

A dramaturgia alonga-se em 100 minutos, em que a coadjuvante enfermeira toma a cena. Tanto pelo carisma da atriz, quanto pelo tom leve e menos açucaro entregue pelo texto. Anton tem jeito de boy-lixo, em quarentena por causa da doença do parceiro. Já Ben é um enfermo sem autopiedade e cativante. Almeida, Perillo e Waisman assumem suas personas com desenvoltura e têm bons momentos.

Diante da profícua produção dramatúrgica de Rosseto, são vários os temas em que se aventura. Dessa vez retorna à questão da finitude, como esteve em Manual Para Dias Chuvosos. E diante do seus diálogos sempre afiados, como em Nunca Fomos Tão Felizes (provavelmente seu melhor universo) e Doralice Senhora Meretriz, aqui entrega-se de vez ao tom sentimental. É um Love Story (1970) ou My Girl (1991) homo afetivo.

A contundente questão da morte assistida, ou seja, do paciente terminal decidir por um falecimento medicamentoso, antes do aniquilamento pela doença, infelizmente fica dissolvida.

O encenador propõe uma estética hospitalar, com camas, móveis e até janelas características, na cenografia assinada por Rosseto, Fabio Camara e Thais Boneville. Ainda Boneville veste as personagens em paletas que se harmonizam e expõem sobre o universo das personagens.

A iluminação do experiente César Pivetti colabora à dramaturgia tanto na plástica ambulatorial, tanto para as cenas menos realistas. E funcionam as trocas de cena coreografas, ao som de Vivaldi, apoiadas pela preparação de corpo de Giovanna Marqueli.

O Último Concerto para Vivaldi emociona e a plateia vai às lágrimas nas últimas cenas. Talvez o fim poderia encerrar-se na despedida de Ben, afinal as explicações e discussões a seguir, mesmo elucidativas, não adicionam mais.

Portanto, se as histórias de amor devem aparecer com mais frequência na dramaturgia de filmes, séries e peças nos próximos tempos, conforme indicam algumas previsões sobre a pós-pandemia, o novo texto de Rosseto deve ter vida longa. Depois das 18 apresentações em três diferentes teatros, retornar aos palcos será benquisto.

Afinal, tem-se uma envolvente história de amor partilhada por um casal gay, assistidos por uma mulher oriunda de uma das religiões mais preconceituosas de nossa época. Como veem, não faltam bons dramas e boas tramas.

Mediação – propostas para ampliar sua fruição

A Despedida - Foto: California Filmes
A Despedida – Foto: California Filmes

A morte assistida é o tema do recente filme com Susan Sarandon e Kate Winslet, A Despedida. Susan é Lily, uma mãe de família que convida suas filhas para o último fim de semana juntos, já que ela quer evitar o sofrimento criado por uma doença terminal.

O filósofo Luiz Felipe Pondé escreveu à Folha de São Paulo, no dia 22/08/2021, a crônica Adulto em sofrimento terminal deveria, sim, ter o direito de morrer, inclusive inspirado no filme A Despedida. Segue o link. É exclusivo para assinantes e dialoga bem sobre um dos temas da peça.

FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Dan Rosseto
Direção de produção: Fabio Camara
Assistente de direção: Larissa Ferrara
Elenco: Amazyles de Almeida, Bruno Perillo e Michel Waisman
Figurinista: Thaís Boneville
Iluminador: César Pivetti
Cenografia: Dan Rosseto, Fabio Camara e Thaís Boneville
Visagista: Louise Hèlene
Cenotécnico: Matheus Fiorentino Nanci
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Giovanna Marqueli
Operador de luz: Jackson Oliveira
Operador de som: Beto Boing
Costureira: Lili Santa Rosa
Fotos estúdio: Cléber Corrêa
Fotos ensaio: Felix Graça
Arte gráfica: André Kitagawa
Redes Sociais: Kyra Piscitelli
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Produção: Applauzo Produções e Lugibi Produções

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