Crítica: O Som do Silêncio, de Darius Marder

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Um baterista de uma banda de punk metal repentinamente perde a audição, e passa a limpo a sua relação com a música, o mundo, amor e própria existência. Esse é o ponto de partida de Sound of Metal, que aqui no Brasil recebe o inconcluso título O Som do Silêncio, dirigido e roteirizado por Darius Marder.

Riz Ahamed interpreta Ruben
Riz Ahamed interpreta Ruben

Disponível na Amazon Prime Video, está nomeado em 6 categorias do Oscar de 2021. Filme, Ator para Riz Ahamed, Ator Coadjuvante para Paul Raci, Roteiro Original, Mixagem de Som e Edição.

Assim que se percebe sem audição, uma possível “cura” médica passa a ser a possível redenção de Ruben, interpretado por Ahamed. Enquanto isso, ele encontra ajuda num grupo religioso, em que Raci personifica o líder Joe. Ali cria-se o atrito entre aqueles que não veem na surdez uma doença, por isso devem aprender a conviver com ela, enquanto o protagonista compreende como uma enfermidade.

A partir daí o roteiro esmiúça camadas cada vez mais internas na jornada de Ruben, até que a última cena impacta e explora uma catarse original e lírica. Talvez aí faça sentido a tradução para O Som do Silêncio quando pensado neste lugar de sossego, do encontro consigo mesmo.

A direção apoia-se numa estética indie, de cores desbotadas, reforçando o tom naturalista e ordinário da vida normal. Os poucos personagens entregam personas comuns e que, sem dúvida, já cruzamos por aí algum dia. Assim, as interpretações são fortes, sem grandes rompantes, mas extremamente complexas. Não há mocinhos, vilões ou heróis. Existem pessoas tentando encontrar um sentido de vida.

Obviamente que Ahamed e Raci ganham a cena e merecem mesmo as indicações ao Oscar. Ainda Olivia Cooke, a namorada, além de musa de Ruben, assume com ternura e potência as contradições da moça. Há de se dizer que o longa-metragem é sobre pessoas que buscam seus sentidos de existir.

Uma das inventividades de O Som do Silêncio está em colocar no espectador os ouvidos de Ruben. Desde a surdez a possível cura, quem assiste acompanha o drama pelos próprios sentidos. Por isso, o Oscar na categoria sonora seria merecido, já que as outras categorias tem seus favoritos.

O Som do Silêncio é um filme que surpreende. Segue naquele caminho de que o homem contemporâneo não está mesmo a salvo das tragédias da vida, mas pode encontrar formas de resistir. Ruben tem muito da geração que não se aquieta, de viciados em fazer algo, como aponta Joe. Afinal, existir, assumindo e convivendo com as fragilidades e forças de cada dia, é sobre-viver.

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