Crítica: Julieta, em Amores Difíceis, direção Tatiana Rehder | Blog e-Urbanidade

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Amores Difíceis - Foto: Divulgação
Amores Difíceis - Foto: Divulgação
Amores Difíceis - Foto: Divulgação
Amores Difíceis – Foto: Divulgação

Falar durante o isolamento social sobre amor, parece uma boa propositura, não? E por aí foi o palpite da atriz e diretora Tatiana Rehder. Levar para a plataforma Zoom a série Amores Difíceis, que inclui textos do livro homônimo do autor italiano Ítalo Calvino e outros, encenada no palco em 2006.

A encenação, ou experimentação, inicia pela carismática receptividade ao público que vai abrindo suas janelas. Assistimos Julieta, com a atriz Isadora Petrin. Dois monólogos integram a série – A Banhista, também com Isadora, e A Viajante, com Andrea Serrano. E já planejam uma nova temporada com as duas atrizes “contracenando” de suas casas.

Julieta adapta o clássico shakesperiano, numa perfomance que além de funcionar para a plataforma on-line ajuda a achegar ao público. A atriz conta sobre a sua frustração em nunca ter sido escalada para interpretar a Capuleto. E, a partir daí, narra, representa, chama o público a participação e propõe um jogo de olhares.

E ao perceber essa Julieta/Isadora madura, rompendo com os esteriótipos sociais postos sobre si é libertador. “Essa nova Julieta é uma mulher, não mais uma adolescente. Ela pode ser quem ela quiser ser, da maneira que quiser, sem impedimentos ou julgamentos. Ela acredita no amor, na mudança e que extremismos levam a lugar nenhum“, explica a intérprete.

Mesmo tendo a peça gravada, a diretora sustentou em trazer a nova temporada à plataforma, ao vivo. “Não era mais a mesma peça que desejávamos colocar em cartaz. E como ter a plateia ao vivo reagindo? Como interagir com a plateia. Foi desse pensamento que veio a ideia do Zoom. Seria mais um espaço a ser pesquisado, um outro lugar“. Conta a Tatiana ao blog.

Assim, a encenadora apropria do espaço alheio a semiótica teatral. Propõe regras e usa o jogo teatral para contar a história, com perucas, fundos de tela, participação do público e até um instrumento musical. E essa fricção entre relatos pessoais e ficção, próprios da performance, parece adequar-se bem ao formato.

E, possivelmente, o maior desafio (e riqueza) do exercício está na impermanência ainda da ferramenta para a encenação. Inclusive com suas instabilidades, delays e queda de internet.

Amores Difíceis, assim como Pandas ou Era uma vez em Frankfurt, com Nicole Cordery e Mauro Schames nos propõe, sem dúvida alguma, o encontro. Fundamental no poder das artes cênicas. Mesmo que nada disso se torne o tal “novo normal” após a reclusão, já terá valido o ajuntamento.

E o amor nos une. Tatiana conclui: “Nesse momento agora estamos pulsando, nunca foi tão difícil o amor, ele existe, mas está distante, estamos questionando o que é e como vai ser esse amor. Será que o jeito de amar vai mudar? Será que o que pensávamos que era difícil vai continuar sendo difícil? São tantas perguntas, com tão poucas respostas.”

Que bom que o Zoom virou teatro, não?

Serviço (clique no nome da peça para acessar a agenda)
Dias 2, 3, 5, 7, 23 e 24 de maio – Julieta com Isadora Petrin
Dias 9, 10, 12, 14, 26 e 28 de maio – A Banhista com Isadora Petrin
Dias 16, 17, 19 e 21 de maio – A Viajante com Andrea Serrano

Ficha Técnica
Baseado no livro Os Amores Difíceis, de Ítalo Calvino.
Direção – Tatiana Rehder. Elenco – Isadora Petrin e Andrea Serrano. Texto – Tatiana Rehder, Isadora Petrin, Andrea Serrano e Marcela Arce. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Produção – Tatiana Rehder, Isadora Petrin e Andrea Serrano.

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