Crítica: Em Nome da Terra, direção de Edouard Bergeon

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Edouard Bergeon foi indicado ao César, considerado o “Oscar francês, na categoria de Melhor Filme, como Diretor Estreante. E isso provavelmente não trouxe muitas surpresas.

Foto: Divulgação

Em Nome da Terra, conta a história de Pierre, um jovem de 25 anos que após passar um tempo trabalhando em uma fazenda dos EUA, volta para Wyoming, sua cidade de origem na França. Retorna decidido a comprar a fazenda de seu pai, para administrá-la.

O filme então vai para 1996, e com a ajuda dos filhos Thomas, Emma e sua esposa Claire Jarjeau, Pierre aprimora a propriedade. Moderniza e investe com a esperança de que no futuro colherá positivamente seus gastos.

O espectador, até esse momento, acompanha a vida da família em momentos felizes. Vemos o trabalho duro do patriarca e somos presenteados com belíssimas imagens da fazenda em tons alaranjados, mergulhando na atmosfera de uma família tradicional da França.

No entanto, como já é possível prever, Em Nome da Terra muda radicalmente e o tom dramático predomina. Até os tons alaranjados se transformam em tons frios, fazendo com que o espectador sinta as angústias das personagens. Inclusive uma pressão esmagadora sobre o protagonista, com a responsabilidade de não afundar a propriedade de seu pai.

Assistimos Pierre seguir em uma depressão cada vez mais profunda. Apesar do esforço e do trabalho duro, não há garantia de sua empresa sobreviver. A performance aprofunda e o contexto avassalador tiram do espectador qualquer julgamento.

Bergeon oferece um filme eminentemente humano, que reflete sobre suas próprias lembranças do pai. O drama familiar ambientado no mundo agrícola constitui o retrato real da família de Bergeon.

Além disso, o diretor destaca a importância da mulher, principalmente após um incêndio se alastrar na fazenda usada para criar galinhas e cabras.  A profissão difícil, física e complicada precisa de apoio. Por isso, o diretor justifica, após a última cena, que um fazendeiro comete suicídio a cada dois dias na França.

Vemos como é fácil perder o equilíbrio em um relato sensível das transformações do mundo agrícola. De certa forma, fazendo um apelo a uma profissão condenada de quem não consegue se reerguer após um grande prejuízo. Inclusive oprimida pela necessidade de estar sempre modernizando as crescentes exigências da Europa. E Em Nome da Terra é o testemunho nu e cru de um mundo em perigo, encarnados por atores formidáveis e personagens verdadeiros.

Serviço
Em Nome da Terra (2019)
Direção: Edouard Bergeon
Duração: 1h43.
Gênero: Drama
Elenco: Guillaume Canet, Veerle Baetens, Anthony Bajon, Rufus, Samir Guesmi, Yona Kervern, Solal Forte, Mélanie Raffin.

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