Crítica: Eduardo & Mônica, de René Sampaio

A conhecida história do Planalto Central ganha vida e trilha sonora em uma viagem fidedigna aos anos 80, no longa de René Sampaio.

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Eduardo e Mônica - Foto: Janine Moraes
Eduardo e Mônica - Foto: Janine Moraes

Se você deseja voltar aos meados dos anos 1980 ao som de Legião Urbana, Titãs, B-52s, entre outros, e ainda acompanhar a história do casal mais cantado na música daquela década, esse filme é para você.  A partir de 20 de janeiro, o público poderá conferir nos cinemas essa história que  faz parte da cultura musical brasileira.

Com produção de Bianca De Felippes e protagonizado por Alice Braga e Gabriel Leone, o filme é baseado na música Eduardo e Mônica, escrita por Renato Russo, com a banda Legião Urbana, do álbum Dois, de 1986. É também a segunda adaptação para as telas realizada por René Sampaio, que também dirigiu Faroeste Caboclo, em 2013. 

Com uma atuação primorosa, o elenco também conta com os nomes de Otávio Augusto, dando vida ao avô ex-militar de Eduardo, e Juliana Carneiro da Cunha, como a mãe de Mônica. 

O casal de atores protagonistas, Braga e Leone, dão vida à história de amor cantada por Renato Russo, de forma primorosa e verossímil, com delicadeza e profundidade nos personagens que já existiam no imaginário dos brasileiros há três décadas, exaltando as diferenças que os completam. 

A personagem de Mônica, por exemplo, não é somente uma estudante de medicina como diz a letra da música, senão uma mulher forte, vigorosa, também artista, engajada em causas políticas. E reflete muito o contexto de um Brasil que recém havia saído de um regime ditatorial. 

Sampaio não apenas transpôs os personagens da música, fugindo do óbvio, como também procurou dar profundidade a eles e trazer toda a atmosfera envolvente dos anos 1980, com uma trilha sonora variada composta também por sucessos da década, como B-52s, Titãs, The Clash e A-Ha.

Na coletiva de lançamento do filme, em São Paulo, René conta que era sonho da produção agregar na trilha alguma música do Ramones, mas não foi possível: “a gente tentou no Faroeste Caboclo, tentou em Eduardo e Mônica, mas os Ramones não respondem os e-mails,” conta o diretor.

“Pra gente era muito importante a textura musical do filme. Eu sou de Brasília, então o rock de lá significou muito pra mim. Eu acho que, pra quem era brasiliense nos anos 1980, o rock dizia ‘Você de Brasília pode ganhar o mundo’”, destaca René. 

Além disso, o roteiro foi desenvolvido de modo a revelar ao espectador as motivações e a origem do encontro de Eduardo e Mônica. Faz um recorte da história, deixando de fora a última parte da música, no momento em que eles se casam e têm filhos. Uma espécie de corte do tão famoso “felizes para sempre”. 

Bianca De Felippes conta sobre a preocupação da produção em manter a atmosfera proposta por Renato Russo: “era muito importante para a gente ser fiel ao espírito do Renato. Das músicas compostas por ele, essa é a mais solar. Então, a ideia era manter essa energia”, acrescenta a produtora. 

Outro ponto importante é sobre a dificuldade de realização do longa, já que a produção teve início de fato em 2018, com previsão de estreia para junho de 2020. No entanto, devido à pandemia, a estreia teve que ser adiada. Mesmo assim, Eduardo & Mônica participou de diversos festivais internacionais, sendo vencedor de melhor filme no Festival de Edmoton, no Canadá. 

Sobre o adiamento, René conta que na época ficou chateado, pois afinal o desejo de realizar a obra havia começado ainda no ano 2013, quando iniciou as ideias de roteiro e pesquisa para o longa.

Mas, hoje entende que há um outro significado muito especial nessa estreia: “hoje eu acho que o filme vem em um momento em que essa história faz mais sentido pro público, que está precisando de mais uma história de amor, de uma experiência como essa no cinema, do que naquela época, em que talvez o filme fosse só mais um filme de amor ou uma história legal e não tão significativa. Acho que hoje Eduardo & Mônica vem com a função de reintegrar o público ao cinema, trazendo um novo feeling para o país, em um momento em que as pessoas sofreram muito. Portanto, o filme pode trazer um bom momento para um povo tão sofrido”, reflete René. 

Quem um dia irá dizer que não existe razão, nas coisas feitas pelo coração?

Ficha Técnica
Roteiro: Matheus Souza 
Roteiro Final: Claudia Souto, Jessica Candal, Matheus Souza e Michele Frantz
Produção de Elenco: Marcela Altberg
Preparação de Elenco: Sergio Pena
Trilha Sonora Original: Lucas Marcier, Fabiano Krieger, Pedro Guedes
Som Direto: Pedro Sá
Supervisão e Edição de Som: Miriam Biderman, ABC
Desenho de Som: Ricardo Reis, ABC 
Mixagem: Toco Cerqueira
Finalização: Afinal Filmes
Montagem: Lucas Gonzaga
Supervisão de Pós-produção: Renato Tilhe
Caracterização: Auri Mota
Figurino: Valéria Stefani
1º Assistente de Direção: Hsu Chien
Maquinista Chefe: Edu Mourão
Gaffer: Jubel Magrão
Direção de Produção: Barbara Isabella Rocha
Direção de Fotografia: Gustavo Hadba
Câmera: Lula Cerri
Direção de Arte: Tiago Marques
Produção Executiva: Bianca De Felippes, Gabriel Bortolini e Tathiana Mourão
Produção: Bianca De Felippes e René Sampaio
Direção: René Sampaio
Produção: Gávea Filmes, Barry Company e Fogo Cerrado
Distribuição: Downtown e Paris Filmes.

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Bacharela e licenciada em Letras Português-Espanhol, pela FFLCH-USP é redatora, tradutora, professora de espanhol e de português como língua estrangeira. Também é atriz com formação pelo Senac- SP e pela Oficina de Atores Nilton Travesso. Ama o mundo da comunicação e das artes, a cultura brasileira, espanhola e latinoamericana, (além de teatro e performance, literaturas dos mais diversos tipos e lugares, filmes e natureza.) E claro, também ama viajar, como uma boa alma inquieta e wanderlust. @samnascimentoarts

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