Crítica do Filme: O Inferninho – Blog e-Urbanidade

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Inferninho - Yuri Yamamoto é Deusimar - Foto: Divulgação
Inferninho - Yuri Yamamoto é Deusimar - Foto: Divulgação
Inferninho - Yuri Yamamoto é Deusimar - Foto: Divulgação
Inferninho – Yuri Yamamoto é Deusimar – Foto: Divulgação

Se para Sartre o inferno são os outros para o filme Inferninho as trevas estão dentro da gente. O longa metragem dirigido por Guto Parente e Pedro Diógenes, roteirizado em parceria com Rafael Martins, é uma história com estética kitsch, mais parecido com uma película saída dos anos de 1980.

O bar homônimo ao título do filme é comandando por Deusimar (Yuri Yamamoto) e recebe figuras bem estranhas. O lugar pra lá de decadente promove o encontro romântico do marinheiro Jarbas (Démick Lopes) e a dona do bar, em um diálogo divertido sobre as semelhança do moço com o ator Sean Penn. Dali em diante o espectador se entrega de vez às peripécias ora inusitadas ora burlescas.

Entremeada a história de amor, dois capangas chegam para cobrar grana de Jarbas, enquanto um funcionário de uma construtora propõe a compra do Inferninho para torná-lo estacionamento de um grande parque. Compõe ainda esse universo a cantora romântica de forrós, Luizianne (Samya De Lavor, que domina suas cenas!), Coelho (Rafael Martins) e Caixa Preta (Tatiana Amorim).

Inferninho é a protagonista! É um daqueles cantos perdidos e decadentes de qualquer cidade. Mesmo que toda a narrativa aconteça em praticamente apenas uma locação, a direção usufrui com genialidade dos recursos cinematográficos. Imagens, cortes e enquadramentos apoiados pelos figurinos e cenários desgastados dá um tom poético ao romance de Deusimar e Jarbas.

Pode haver diferentes entendimentos para aquele lugar perdido, etéreo. A película é a respeito de uma história de amor, mas também é sobre aquele lugar dentro de nós, com medos, desejos, ilusões e por ai vai.

Destrancar a porta desse lugar, sair e conhecer outras bandas (aliás, é na cena externa de Deusimar que a direção se esbalda na estética kitsch) não muda aquele espaço, mas torna possível começar outra história.

Por fim, Inferninho traz um poder emancipatório no retorno de Deusimar, da opressão sobre os lugares (pobres, velhos, decadentes…), corpos (negros, velhos, gays, trans, heterossexuais…) e fantasias. Se é possível uma história de amor ali, há também a superação de uma perspectiva de opressão das minorias. Afinal, “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, os homens se libertam em comunhão” (Paulo Freire).

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