Crítica: Charlie E A Fantástica Fábrica De Chocolate, direção geral John Stefaniuk

Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate chega ao Teatro Reanault em grande produção, em versão de Scott Wittman e Marc Shaiman.

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Charlie E A Fantástica Fábrica De Chocolate - Foto: João Caldas Fº
Charlie E A Fantástica Fábrica De Chocolate - Foto: João Caldas Fº

A lendária e mágica história de Willy Wonka, depois de quinze meses de espera, é o novo cartaz do Teatro Renault, em São Paulo. O musical Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate chega em grande estilo com cenografia ostensiva, trinta oito atores e atrizes em cena, dezessete músicos na orquestra, em quase três horas de espetáculo.

A história é sobre o encontro do antissocial Wonka e Charlie, um garoto sonhador. O magnata propõe uma visita a sua fábrica com 5 crianças premiadas por bilhetes dourados encontrados em barras de chocolate. Nos incríveis e mágicos departamentos da indústria, uma aventura colorida – e poderia ser considerada macabra – aproxima os dois protagonistas.

A história original foi escrita por Roald Dahl, em 1964, tendo duas adaptações para o cinema. A primeira montagem para o teatro musical foi em 2013, na West End, na Inglaterra. Chegou a Broadway em 2017, numa nova reformulação assinada por Marc Shaiman e Scott Wittman, ambos criadores do premiado Hairspray. Antes de chegar ao Brasil, essa versão estreou em 2019 em Sydney, Melbourne, Milão e Oslo.

A dramaturgia aposta nos elementos próprios da comédia farsesca. Assim, uma lição de moral é construída por personagens caricatos, sem complexidade, facilmente reconhecidos pelas suas características físicas e bordões. Fórmula que teve origem na Grécia e Roma, com destaque no movimento da Commedia Dell´Arte, no século XV, na Renascença italiana.

Charlie, interpretado por Felipe Costa, Davi Martins e Leonardo Freire, é um menino pobre, sonhador e boa gente. A Sra. Bucket é a mãe perfeita – e bailarina – , feita por Sara Sarres. Os avós Joe (Rodrigo Miallaret), Jorgina (Clarty Galvão), Jorge (Marco Azevedo) e Josefina (Bia Castro) são velhos, lentos, becktianos e paralisados pela vida.

Charlie E A Fantástica Fábrica De Chocolate - Foto: João Caldas Fº
Charlie E A Fantástica Fábrica De Chocolate – Foto: João Caldas Fº

Já as outras quatro famílias são manifestadas por suas bem definidas constituições físicas, figurinos e canções. Lá tem os comilões e italianos Sra. Gloop (Vânia Canto) e seu corpulento e faminto Augustos (Isidoro Gubnitsky, Rodrigo Espinosa e Vinícius Spada). O som de hip hop anuncia a popular e convencida Violeta Beauregarde (Lorena Castro, Nina Medeiros e Lanna Moutinho) e seu pai (Guilherme Leal).

Tem a clássica e russa família Sal representada pelo pai (Thiago Perticarrari) e a egoísta e mimada Veruca (Anna Luiza Cuba, Isabella Daneluz e Lusa Bresser). Ainda há trupe trumpista e conservadora norte-americana composta pela Sra. Tevê (Giovana Zotti) e o hacker Mike Tevê (Agyei Augusto, Pedro Sousa e Sam Sabbá).

Nas versões cinematográficas Sr. Wonka teve diferentes registros. De Gene Wilder, por Mel Stuart, de 1972, havia uma partitura elegante e de perspicácia. Já Johnny Deep, na leitura de 2005 do diretor Tim Burton, trazia um misantropo perturbado. Nessa tradução brasileira, Cleto Baccic parece ter saído de um anime ou game: acelerado e com tom irônico predominante.

Já é sabido que os grandes musicais da Broadway poucas possibilidades de criação permitem aos atores e atrizes, diante das marcações rígidas e entonações obrigatórias. Mesmo assim, essa adaptação nacional de Mariana Elizabetsky e Victor Mületahler atualiza piadas e dá a impressão de improvisos.

O diretor John Stefaniuk propõe um mundo mágico, no segundo ato, contrastando com o visual fabril e de privação da primeira parte. A cenografia de Michael Carnahan e Floriano Nogueira apoia-se em grandes telões de LED de 18m por 16m. Ajudam a construir o universo, principalmente o de cada personagem, os figurinos de Ligia Rocha e Marco Pacheco e o visagismo de Feliciano San Roman.

A direção musical de Daniel Rocha comanda uma orquestra completa, com vários momentos grandiosos e de efeitos sonoros. Mesmo assim, há de se dizer que em Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate falta uma grande canção, como as inesquecíveis de O Fantasma da Ópera e Le Miserables.

Por fim, os opulentos musicais são feitos de grande números musicais, estética ostentosa e personagens inesquecíveis. O que tem aqui, incluindo a possibilidade de encontrar Willy Wonka, figura lendária reforçada pelas inesquecíveis versões do cinema. E aí, curta a fantasia, afinal é tudo que precisamos neste retorno pós-quarentena da Covid-19.

Serviço
De 17 de setembro a 19 de dezembro.
Sexta-feira às 20h30.
Sábado às 15h30 e 20h30.
Domingo às 14h30 e 19h30.
Indicação etária: livre.
De R$ 50 a R$ 310
150 minutos (com 20′ de intervalo).

Ficha Técnica
Baseado no livro de Roald Dahl
Libreto David Greig
Música Marc Shaiman
Letras Scott Wittman e Marc Shaiman
Canções do filme por Leslie Bricusse e Anthony Newley
Direção Geral John Stefaniuk
Direção Musical Daniel Rocha
Cenógrafo Michael Carnahan
Coreógrafo Floriano Nogueira
Figurino Ligia Rocha e Marco Pacheco
Designer de Luz Mike Robertson
Designer de Som Gastón Briski
Visagista Feliciano San Roman
Designer de Projeção Protótipo Filmes e Maze FX
Design de Bonecos Bea Brandauer
Versão Brasileira Mariana Elizabetsky e Victor Mületahler
Cenógrafo Associado Amelia Bransky e Craig Napolielo
Designer de Luz Associado Tom Mulliner
Designer de Som Associado Alejandro Zambrano

Elenco
Cleto Baccic – Willy Wonka
Felipe Costa, Davi Martins e Leonardo Freire – Charlie Bucket
Rodrigo Miallaret – Vovô Joe
Sara Sarres – Senhora Bucket
Isidoro Gubnitsky, Rodrigo Espinosa e Vinícius Spada – Augustus Gloop
Vânia Canto – Senhora Gloop
Lorena Castro, Nina Medeiros e Lanna Moutinho – Violeta Beauregarde
Guilherme Leal – Senhor Beauregarde
Agyei Augusto, Pedro Sousa e Sam Sabbá – Mike Tevê
Giovana Zotti – Senhora Tevê
Arízio Magalhães – Jerry
Lia Canineu – Cherry
Ensemble Aline Serra, Bia Castro, Carla Vazquez, Carol Tanganini, Clarty Galvão, Danilo Martho, Della, Fernanda Biancamano, Guilherme Gonçalves, Ludmillah Anjos, Marco Azevedo, Rafael Pucca, Rodrigo Garcia e Sandro Conte.

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