Crítica: Bibi, Uma Vida em Musical – Blog e-Urbanidade

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Amanda Acosta entre Simone Centurione e Chris Penna - Foto: Guga Melgar
Amanda Acosta entre Simone Centurione e Chris Penna - Foto: Guga Melgar
Amanda Acosta entre Simone Centurione e Chris Penna – Foto: Guga Melgar

Bibi, Uma Vida em Musical chega a São Paulo após temporada cheia de elogios no Rio de Janeiro ao narrar a história de uma das maiores atrizes do Brasil. Filha do ator e empresário Procópio Ferreira com a bailarina espanhola Aida Izquierdo, a trajetória da artista com 95 anos é revelada em 165 minutos cheios de boas histórias, músicas inesquecíveis, em uma produção extremamente bem realizada.

É lugar comum dizer que a história de Bibi Ferreira se mistura com a do Brasil e com o teatro nacional. Entrou no palco ainda bebê, teve sua própria companhia teatral aos 19 anos e participou de grandes musicais inesquecíveis, tais como, Gota d’Água, de Paulo Pontes e Chico Buarque, My Fair Lady, Alô Dolly e Piaf, a Vida de Uma Estrela da Canção. Além disso trabalhou em Portugal e Inglaterra, foi  homenageada pela escola de samba Viradouro, em 2003, e realizou seu grande sonho aos 90 anos: apresentou-se na Broadway.

[toggle title=”Outras versões dos musicais” state=”close”]

Alguns desses musicais receberam outras versões que foram destaques no blog:

Alô, Dolly com Marília Pêra e Miguel Falabella.

Gota D´Água [a seco] com Laila Garin.

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Bibi, Uma Vida em Musical tem dramaturgia de Artur Xexéo e Luanna Guimarães, com direção geral de Tadeu Aguiar, direção musical de Tony LucchesiThereza Tinoco e Cláudia Neri assinam a produção, estrelada por Amanda Acosta e grande elenco:  André Luiz Odin, Bel Lima, Caio Giovani, Carlos Darzé, Chris Penna, Fernanda Gabriela, Flavia Santana, Guilherme Logullo, João Telles, Julie Duarte, Leandro Melo, Leo Bahia, Leonam Moraes, Luísa Vianna, Moira Osório, Rosana Penna e Simone Centurione.

O espetáculo toma partido de 3 narradores para contar a trajetória de Bibi: uma cigana fajuta (Flávia), um mestre de cerimônia de circo (Leo) – que rouba a cena -, e avó materna, Irma, (Rosana). Dessa forma, alguns acontecimentos são apresentados e outros apenas relatados, numa mistura de teatro épico e metalinguagem.

Impressiona a interpretação de Amanda nas várias fases de vida de Bibi, conseguindo emocionar, fazer rir e numa capacidade vocal altíssima. O tom empostado e caricato de Chris a Procópio incomoda, mas convence nas cenas mais dramáticas.

Bibi, Uma Vida em Musical é um espetáculo obrigatório para estudantes de artes cênicas diante da importância da família Ferreira ao teatro brasileiro. E diante da discussão recente da desrregulamentação da carreira de ator, já que Procópio foi um dos grandes agitadores para essa normalização.

Por fim, o musical cartaz no Teatro Bradesco toca nas feridas da ditadura e na interrupção cruel no desenvolvimento cultural do nosso país. Dali é possível perceber como o Brasil teve um esvaziamento dos aparelhos artísticos nacionais após 1968.

Bibi, Uma Vida em Musical é uma das grandes produções desta temporada e homenageia com glória essa atriz ainda em atividade. E mesmo que o longo espetáculo tenha algumas “barrigas”, ou seja, momentos que poderiam ser cortados, Bibi explica sobre o papel fundamental dessa certa letargia. Diz ela que só assim é possível o espectador valorizar a cena anterior e a posterior. E, quando as cortinas se fecham, de forma gloriosa, não há como não sair inspirado por esse grande talento.

Serviço:
Temporada até 1/07/2018 –
Quinta (19h), sextas e sábados (21h), domingo (20h30) – clique nos dias da semana para ter acesso a agenda.

 

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