Crítica: Aeroplanos, direção Ednaldo Freire – Blog e-Urbanidade

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Aeroplanos - Foto: João Caldas
Aeroplanos - Foto: João Caldas
Aeroplanos - Foto: João Caldas
Aeroplanos – Foto: João Caldas

Texto, direção e atores carismáticos fazem de Aeroplanos um bom relato sobre amizade e envelhecimento. Dois atores em cena, os veteranos Antonio Petrin e Roberto Arduin, a montagem no Teatro Eva Herz tem texto do premiado dramaturgo argentino Carlos Gorostiza e direção de  Ednaldo Freire.

A partir da amizade genuína entre dois velhos amigos com mais de 70 anos e ex-jogadores de futebol, os encontros diários vão revelando os amores, a relação com a família e a brevidade da vida. Enquanto Cristo (Arduin) é mais introvertido e Chico (Petrin), expansivo, em menos de 5 minutos de espetáculo o público é catapultado para dentro da história. Tudo isso graças ao magnetismo do atores e a genuinidade dos acontecimentos.

Gorostiza propõe a encenação a partir dos diálogos e do jogo cênico dos atores. Em um registro naturalista, a cenografia funcional, também de Petrin, parte de um móvel que os desconecta da realidade. À reminiscência por meio da vitrola até o futuro pelo aeroplano.

Dessa forma, Aeroplanos reforça o virtuoso trabalho de Petrin, no terceiro espetáculo do projeto Velhos Protagonistas iniciado em 2000. Desde lá o autor já levou para o palco A Última Gravação de Krapp, de Samuel Beckett e Um Merlin, texto escrito especialmente para ele por Luis Alberto de Abreu.

Há grandeza nas propostas teatrais descomplicadas, inclusive nas dramaturgias sem grandes peripécias. Na montagem há alguns momentos, poucos!, de certo didatismo e talvez uma simplificação de alguns dramas. Isso de forma alguma prejudica e, na verdade, chega como um suspiro a cena teatral que anda tão melancólica  nessa temporada.

A amizade de Cris e Chico tem muito sobre a ranhetice dos amigos próximos e sobre a velhice. A solidão e o cuidado excessivo da família parecem drenar, gradativamente, as energias diante da brevidade da vida, reforçada pela morte de colegas, vizinhos.

Assim a redenção das duas personagens está na proximidade, no contato e até mesmo nas brigas diárias – elemento também usado na ótima série Método Kominsky (Netflix), com Michael Douglas e Alan Arkin. E, sem dúvida, está ai o grande valor de Aeroplanos, afinal após os 70 anos é possível (e deve-se!) sonhar e voar por ai.  Percebido na história e pela belíssima vitalidade de Petrin e Arduin em cena.

(Esta nova temporada acontece no Teatro Eva Herz, ao lado da estação Consolação. Além da facilidade de acesso, é uma boa opção de teatro para a semana.)

Serviço
7 de maio a 26 de junho – Às terças e quartas, às 21h (clique nos dias da semana para ter acesso a agenda).
Indicação Etária: 14 anos

Ficha Técnica
Texto: Carlos Gorostiza
Tradução: Antonio Petrin.
Direção: Ednaldo Freire.
Elenco: Antonio Petrin e Roberto Arduin
Cenografia: Antonio Petrin.
Criação de Luz: Wagner Freire.
Direção de produção: Sonia Kavantan.
Realização: Proa Produções Artísticas do ABC.

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