Crítica: A Jaula, de João Wainer

Chega aos cinemas o primeiro filme de João Wainer. O thriller psicológico é estrelado por Chay Suede, Alexandre Nero e Mariana Lima.

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A Jaula - Foto: Divulgação
A Jaula - Foto: Divulgação

Com direção do jornalista e fotógrafo João Wainer, A Jaula é seu primeiro longa de ficção. Wainer também é diretor dos documentários Pixo e Junho – o Mês que Abalou o Brasil. Baseado no filme argentino 4×4, o novo longa tem roteiro original assinado por Mariano Cohn e Gastón Duprat, a partir de adaptação de João Candido Zacharias.

O filme traz a história de um ladrão de carros, Djalma, interpretado por Chay Suede, que acaba caindo numa emboscada armada pelo dono do carro, um ‘cidadão de bem’, um ginecologista interpretado por Alexandre Nero. Quando Djalma tenta roubar o rádio do carro, descobre que está preso dentro do veículo. Socos, chutes, empurrões e gritos são inúteis em sua tentativa de sair dali, já que o veículo é blindado e possui vidros espelhados.

No meio de seu desespero, recebe a ligação do dono do carro para o próprio veículo, que cansado de ter sido assaltado diversas vezes, optou por criar uma vingança com suas próprias mãos. Assim, tornou o carro uma prisão impossível de sair, que é onde fica Djalma, durante aproximadamente uns dois dias, sem água e sem comida e quase sem ar.

Poderia ser apenas mais um filme policial brasileiro, mas A Jaula é um suspense de tirar o fôlego, mesmo com algumas superficialidades e pontos que poderiam ter sido mais desenvolvidos. Tece alguma crítica sobre os lugares comuns do discurso do “cidadão de bem”, que vem permeando o país nos últimos anos.

O tom de tensão já acontece nas primeiras cenas e segue esse ritmo até o final devido às interpretações de Suede e Nero. Sem contar na construção dos enquadramentos, com muitos close-ups, que trazem a sensação de sufocamento para quem assiste ao longa.

Astrid Fontenelle também está no elenco com uma personagem que é uma sátira em formato de apresentadora de um programa policial sensacionalista, e mostra as atrocidades diárias que acontecem na metrópole. Sua personagem ainda escancara a nossa realidade televisiva, com a espetacularização da barbárie e beirando o absurdo. Tal como uma cena em que ela faz uma enquete com os espectadores, e devem decidir se o bandido deve morrer ou não.

Mas, mesmo com boas interpretações, não se explora muito a relação entre eles. O filme se reduz basicamente a Djalma preso no carro, trancado e sendo torturado psicologicamente. Assim, as ações de Djalma consistem em suar, gritar, se machucar, basicamente, enquanto que à Nero limita-se a sua voz.

A Jaula tem o intuito, portanto, de fazer uma crítica social sobre a violência urbana, mas com uma dualidade rasa entre o bandido e o cidadão de bem. Há uma tentativa de humanização do bandido, assim como o personagem de Nero, que está cansado de ser roubado. E que, por sua vez, repete vários clichês reacionários frequentemente ouvidos nos últimos tempos.

O longa estreia nos cinemas dia 17 de fevereiro de 2022.

Ficha técnica

Direção: João Wainer
Roteiro original:Mariano Cohn e Gastón Duprat
Tradução e adaptação: João Candido Zacharias
Direção de fotografia: Leo Resende Ferreira
Direção de arte: Billy Castilho
Direção de produção: Marcos Tim França
Produção: Tx Filmes
Coprodução: Star Original Productions, Cinecolor
Produção executiva: Camila Villas Boas
Eddie Vogtland
Mariano Cohn
Gastón Duprat
Martin Bustos
Produtora: Camila Villas Boas
Produtor associado: Roberto T. Oliveira
Maquiagem: Emi Sato e Marcos Ribeiro
Figurino: Nicole Nativa
Preparação de elenco: Márcio Mehiel
Montagem: Cesar Gananian
Desenho de som e mixagem: Ariel Henrique
Trilha sonora original: Apollo Nove
Trilha sonora adicional: Mc Guime – Triz — Tropkillaz
Distribuição: Star Distributions

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