Conheça Mulheres de Charles Bukowski

Com textos obscenos, ácidos, humorísticos e regados a álcool e drogas, conheça Mulheres, do autor alemão Charles Bukowski.

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Mulheres - Charles Bukowski
Mulheres - Charles Bukowski

Com textos obscenos, ácidos, humorísticos e regados a álcool e drogas, Charles Bukowski (1920 – 1994) presenteia seus leitores com a realidade suburbana: os seres humanos. Nascido em Andernach, Alemanha, em 16 de agosto de 1920 e criado nos Estados Unidos, o autor experienciou a Grande Depressão de 1929. Tal vivência traz personalidade para seus textos e fomenta toda a sua escrita.

Ao longo de sua vida, o escritor publicou mais de 45 livros de prosa e poesia. Possui seis romances em seu currículo: Cartas Na Rua (1971), Factórum (1975), Misto Quente (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). Publicou seu primeiro conto em 1944, aos 24 anos de idade, mas só aos 35 anos que começou a publicar poesias, seu grande amor.

Sua literatura foi criada em meio à pobreza de Los Angeles, onde passou cinquenta anos de sua vida – a maioria deles embriagado. As obras apresentam temáticas de caráter autobiográficos, com personagens marginais, como prostitutas, sexo, ressacas, miseráveis, corridas de cavalo, gatos e experiências irônicas.

Mulheres, lançado em 1978, segue o mesmo estilo livre das escritas de Bukowski. O autor tem suas obras comparadas a Henry Miller (1891 – 1980), Louis-Ferdinand Céline (1894 – 1961) e Ernest Hemingway (1899 – 1961). É considerado o último escritor “maldito” da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário.

No livro Mulheres, o autor incorpora seu alter ego, Henry Chinaski. Ao longo da obra, relata suas aventuras românticas com diversas mulheres, sempre acompanhado de alguma bebida. “Às vezes, uma cerveja é melhor que amor e sexo”, afirmava. Nessas relações é possível observar nuances de humor ácido e vazio.

Após um longo período de jejum sexual, Hank, conhece Lydia -e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie -, não importando o nome da amante. O protagonista cruza a vida destas mulheres, bagunçando suas almas, corações, causando loucuras e sofrimento.

As mulheres apresentadas no livro, ora intensas, ora descompromissadas, sempre acabam por procurar Henry. Existe um desejo da parte delas de serem eternizadas em suas obras escrachadas e severamente intensas.

 “Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma mulher”.

A saga também mostra a impaciência do protagonista, construindo uma narrativa elegante sobre a consciência da periferia norte-americana. Tal atributo é o principal mecanismo utilizado pelo autor, fornecido em doses homeopáticas ao longo das páginas:

 “As relações humanas são estranhas. Quer dizer, você passa um tempo com uma pessoa, comendo, dormindo, vivendo e amando, conversando com ela, indo aos lugares – e, um dia, tudo acaba“.

Esta não é uma leitura convencional – nem poderia ser. O sexo é apresentado em sua forma mais originária, crua e seca. Algo com a finalidade de prazer. Comum em seu cerne, mas não banalizado. Sendo tão importante como o ar que é respirado, mas sem a máscara dos contos de fadas lidos na infância.

No fim, apesar de tudo isso, todas as mulheres ainda o consideram um bom homem. Mas, afinal, o que é ser um homem bom?

Serviço

Mulheres – L&PM.
Charles Bukowski
320 páginas.

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