Crítica: A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, direção Marco Antônio Rodrigues | Blog e-Urbanidade

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ERÊNDIRA - A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DA CÂNDIDA ERÊNDIRA E SUA AVÓ DESALMADA - Foto: Foto de Leekyung Kim
ERÊNDIRA - A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DA CÂNDIDA ERÊNDIRA E SUA AVÓ DESALMADA - Foto: Foto de Leekyung Kim
ERÊNDIRA - A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DA CÂNDIDA ERÊNDIRA E SUA AVÓ DESALMADA - Foto: Foto de Leekyung Kim
ERÊNDIRA – A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DA CÂNDIDA ERÊNDIRA E SUA AVÓ DESALMADA – Foto: Leekyung Kim

O clássico conto do escritor colombiano Gabriel Garcia MarquesA Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, chega ao Teatro SESI-SP na versão escrita pelo diretor Augusto Boal para o Théatre de L’Est Parisie. A tradução de Cecília Boal, tem direção de Marco Antônio Rodrigues e conta com 28 profissionais, estrelada pelo veterano Celso Frasteschi.

A história é da jovem Cândida Erêndira (Giovana Cordeiro) que derruba um candelabro, incendiando a casa em que mora com a avó (Frasteschi). Considerada culpada, a senhora decide que a garota pagará pelo prejuízo se prostituindo pelas cidades. E nessas andanças, desponta o romance da menina com Ulisses (Maurício Destri).

O realismo fantástico de Gabriel Garcia serve de pano de fundo para tratar da exploração histórica nos países latinos-americanos. As personagens – desde a antítese da avó boazinha dos conto-de-fadas ao fotógrafo narrador, passando pelos representantes da igreja católica, o entregador de cartas e o mocinho Ulisses – há um esgotamento das possibilidades de Erêndira. Restando a ela a redenção, possível, no reconhecimento do verdadeiro inimigo.

Há muito de Erêndira no brasileiro cordial e sem consciência de classe. Os beijinhos da menina na vovó cruel revelam a falta de perspectiva e do não reconhecimento do opressor. E diante da densidade tirânica, a partir da propositora de Boal, a direção acertada usufrui da comédia e do tom caricatural para aproximar (e divertir) o espectador.

Rodrigues propõe o distanciamento realista (próprio do teatro épico) a partir da estética circense em A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, presente também no trabalho anterior TERRENAL – PEQUENO MISTÉRIO ÁCRATA. Um coro, um narrador (Dagoberto Feliz) e personagens curingas (elemento constituinte da cênica de Boal) ajudam a revelar a história da menina.

Enquanto esse tom extenuava o assistidor nas cenas finais de Terrenal, aqui parece afastar a humanidade das personagens nas cenas iniciais. O que felizmente é revolvido rapidamente e leva a platéia de vez para a narrativa.

O encenador reúne grandes e consagrados artistas na montagem. Feliz incorpora sua experiência como clown ao narrador; Frasteschi ganha o público antes mesmo da primeira fala; Marco França, também diretor musical, mostra-se, mais uma vez, à vontade no palco do SESI-SP e domina a cena; Destri tem bons momentos e realça nas cenas finais; Cordeiro faz sua estreia no teatro com desenvoltura; Gustavo Haddad destaca-se na segunda parte do espetáculo; Alessandra SiqueyraDani Theller e Jane Fernandes magnetizam o olhar quando entram em ação; e, Caio SilvianoRafael Faustino e Eric Nowinski, muito à vontade, se divertem e divertem em cena.

Acertos também na construção estética de realismo fantástico no trabalho coletivo da cenografia de Marcio Medina, nos figurinos distópicos de Cássio Brasil e na iluminação de Tulio Pezzoni. É preciso destacar ainda as músicas originais e envolventes de Chico César.

Erêndira “é dessas personagens a quem não se presta muita atenção, mas que ocupam as ruas, esquinas e terrenos baldios o tempo todo”, esclarece o diretor. Também está ali a desumanização em nome do dinheiro, sendo necessário romper o círculo vicioso, afinal a avó desalmada pode ter sido, um dia, uma doce menina.

E, por fim, se as pessoas se libertam em comunhão, a emancipação é um sentimento único. Trazido de forma lírica nas palavras finais do contista: “Erêndira não o ouvira. Ia correndo contra o vento, mais veloz que um veado, e nenhuma voz deste mundo podia detê-la.”

Serviço
De 5 de setembro a 8 de dezembro de 2019 (61 sessões) – quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Sessões extra: 30 de novembro, 1º, 7 e 8 de dezembro
Indicação Etária: 14 anos

Ficha Técnica
Autoria: Gabriel García Márquez | Adaptação: Augusto Boal | Dramaturgia: Claudia Barral | Elenco: Alessandra Siqueyra; Caio Silviano; Celso Frateschi; Dagoberto Feliz; Dani Theller; Demian Pinto; Eric Nowinski; Giovana Cordeiro; Gustavo Haddad; Jane Fernandes; Marco França; Maurício Destri; Rafael Faustino | Tradução: Cecilia Boal | Direção: Marco Antonio Rodrigues | Cenografia: Marcio Medina | Figurino: Cássio Brasil | Iluminação: Tulio Pezzoni | Música original/canções: Chico César | Música original instrumental, arranjos e Direção Musical: Marco França | Designer de som: Gabriel Hernandes | Direção de produção: Luís Henrique Daltrozo | Consultaria e execução cenário: Murillo Carraro | Cenotécnicos: Mateus Fiorentino Nanci e Vantoir Rodrigues | Diretor de palco: Maurílio Dias | Contrarregra: Davi Puga | Preparadora corporal: Marcella Vicentini | Assistente de direção: Tiago Cruz| Assistente de cenário: Marita Prado | Assistente de figurino: Danni Tocci | Visagista: Gabi Moraes | Designer gráfico: Zeca Rodrigues | Ilustrações: André Kitagawa | Fotografias: Leekyung Kim | Assistente de produção: Carol Vidotti e Diogo Pasquim | Produção executiva: Camila Bevilacqua | Idealização: Instituto Boal |Produção: Daltrozo Produções | Realização: SESI-SP

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