Autores LGBTQIA+ de (Des)encontros Em Contos falam sobre lançamento

O Sexo da Palavra lança (Des)encontros Em Contos, a primeira antologia com autores e editores LGBTQIA+, selecionados em chamada pública.

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(Des)encontros em contos
(Des)encontros em contos

Em tempos pandêmicos houve um grande aumento no número de leitores e, consequentemente, em lançamentos editoriais. Assim, a editora O Sexo Da Palavra apresenta a antologia (Des)encontros Em Contos, a partir de uma chamada aberta para pessoas LGBTQIA+, na qual reuniu 35 contos para esta primeira antologia inédita. 

O livro está dividido em três blocos: Desencontros, Isolamentos e Encontros. Foi organizado pelo professor doutor em literatura Fábio Figueiredo Camargo e prefaciado pela escritora da editora e também doutora em literatura, Amara Moira.

Antonio K.valo, publisher de O Sexo Da Palavra e designer responsável pela edição, conta que chamou a atenção que “o mesmo sentimento que tínhamos sobre o isolamento social imposto pela pandemia foi também temática de um número significativo de contos. Por outro lado, tanto os encontros como os desencontros fizeram parte dos questionamentos dXs autorXs”. 

Na primeira parte, Desencontros abarca as relações que não se concretizam, que se desfazem e acabam. É formada pelos textos de José Carlos Aragão, Luiz Fernando Braga, Rafael Gurgel, Pedro Ferreira Dantas, David Ehrlich, Elaine Mattos, Thalles do Nascimento Castro, Bruno Figueroa, Flavio Adriano Nantes e Iago Borges.

Os Isolamentos são construídos com e sem a pandemia, mas com as barreiras sociais que nos excluem. Tem textos de Jonas Samudio, Diana Holavrac, Paulo Narley, Eduardo Chacon, Emanoelle Patente Santos, Guido Arosa, Maurício Carvalho, Jomaka, Carú de Paula e Milena Fernandes.

Por fim, Encontros nos mostram que acima de tudo o desejo ainda é maior que as repressões. Assinam os contos Abel Urias, Andressa Silva, Bárbara Leal Pippa, Gabiru, G. H. Araruna, Henggo, Lila, Matheus Gabrich, Murilo Melo Christino, Oluwa Seyi, Rafaela Figueiredo, Thasyel Fall, Ti Ochôa Tesser e Willian L. Canedo

O lucro das vendas será doada para a Casa Nem, um centro de acolhimento da cidade do Rio de Janeiro que abriga pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social. Sendo em sua maioria pessoas transexuais e travestis, que tem como principal representante Indianarae Siqueira.

Xs autorxs respondem duas perguntas sobre o lançamento para o e-Urbanidade.

#1 – e-Urbanidade – Qual é a importância de ter um título escrito e produzido por LGBTQIA+?

Eduardo ChaconUma obra que congrega todas as letras do espectro LGBTQIA+ é uma oportunidade única de ler as vozes da comunidade, perceber suas tonalidades, aproximações, contrastes. A existência de uma editora em que a diversidade de gênero e orientação sexual seja a regra (e não a exceção) gera acolhimento, nos dá a base para expor nossas escrituras com orgulho.

Thalita OliveiraEu acho que é importante ver e mostrar quantas pessoas estão por aí, vivendo suas verdades, resistindo, escrevendo histórias. A comunidade sabe bem, as oportunidades são poucas.

William L. CanedoDurante muito tempo nos foi negado o direito de ter voz e vez, na literatura e em muitos outros espaços. Durante muito tempo o que foi produzido pela nossa comunidade foi considerado de valor menor. Ter esse espaço de produção nos dando o direito de retratar nossas realidades e vivências é uma grande conquista, principalmente no momento em que vivemos.

José Carlos AragãoNão deveria ter a menor importância, se numa sociedade preconceituosa e intolerante como a nossa, alguns grupos sociais não fossem oprimidos, segregados, perseguidos e até mortos. O ideal é que fosse escrito e produzido sem a necessidade de demarcar um nicho, um território – ou uma trincheira. Mas ainda estamos longe de um mundo ideal.

Milena FernandesPessoalmente, acredito que pela representatividade na literatura. As mídias reforçam muito os estereótipos de heteronormatividade, heterosexualidade. Tanto com suas personagens como com as pessoas autoras. A gente pode estar no elenco, mas não pode ser protagonista?! Além disso, quando um de nós publica alguma coisa, outros passam a acreditar em si e apostar que podem também.

Henggo É um ato político, acredito. Diante do fato de que a comunidade LGBTQIA+ é tão atacada no Brasil, ter um livro desse tipo, com histórias que mostram o olhar LGBTQIA+, não apenas dá visibilidade para a nossa realidade, mas também é uma oportunidade de conexão. As fobias (homofobia, transfobia, bifobia, etc) são, por vezes, alimentadas por desconhecimento, pela falta de integração com a comunidade LGBTQIA+; Sendo assim, uma obra com histórias dessas pessoas é uma tentativa de desnudar esses preconceitos, quebrar os muros, mostrar que, diferente do que muitos pensam, o fato de sermos gays, lésbicas, transgêneros, assexuais, queers, enfim, não impede a conexão entre todos nós, independente de gênero e de sexualidade.    

Luiz Fernando BragaA representatividade se faz nessas ações. É preciso ocupar espaços de fala e escrita para que a população LGBTQIA + saia da obscuridade e tenha sua produção cultural em circulação.  É um processo de tomar como nossa função contar nossa própria história. 

Matheus  Gabrich – Visibilidade. Cada manifestação de arte, cada personagem na novela em horário nobre, no cinema, na propaganda, no livro, na revista, nas redes… qualquer que seja o cenário, o palco, tudo contribui para que sejamos vistos e, assim, quem sabe, respeitados. “O invisível não existe”, e para muitos de nós, existir significa, frequentemente, resistir. Esta é mais uma oportunidade de expor a nossa arte, nossos uni-versos, sensibilidade, talento, significando um passo importante para que a empatia floresça.

Flávio Adriano NantesA primeira vez que sofri um assédio, deveria ter mais ou menos cinco anos; ao que me lembro seria por eu ter performado de modo “equivocado” o gênero masculino; devo ter “desviado” da masculinidade hegemônica e, desde então, os assédios, as injúrias, as violências, contra meu corpo nunca mais cessaram… E exemplifico isto com o fato de que há alguns dias eu estava correndo na ciclovia do meu bairro quando dois rapazes, em uma motocicleta, passaram por mim, gritaram “vira homem, boiola!” Logo, há algo em mim, em meu corpo, no modo como construo o gênero em mim, que não está de acordo com o que a sociedade espera de mim.

A importância, então, do livro Des(encontros) em contos escrito por LGBTQIA+ é empreender uma resposta, por intermédio da arte, mais precisamente da literatura, à sociedade sobre a existência de corpos LGBTQIA+, e que eles, assim como os corpos hegemônicos (cisgênero, branco, hétero, urbano), têm o direito de circular democraticamente em todos os espaços sem sofrer qualquer sanção social por ser como são.

Des(encontros) em contos representa, por intermédio dos sujeitos de papel, as personagens de ficção, aquelas pessoas que historicamente foram/são vilipendiadas, violentadas, assassinadas. O Brasil há anos ocupa o primeiro lugar no ranking mundial em assassinatos a mulheres trans.

Este livro é uma espécie de coalizão entre escritores, pesquisadores, professores, intelectuais, que afirmam categoricamente: Nossos corpos existem! Não voltaremos para nenhum armário mofado ou empoeirado! Parem de nos matar!

No que diz respeito ao meu conto, “Os silêncios de Theo”, eu credito sua importância no que diz respeito aos suicídios cometidos por LGBTQIA+, sobretudo quando há um falso imaginário de que esses sujeitos se matam por ser quem são, quando na realidade dão cabo as suas vidas por não suportar o modo como são vistos, entendidos, tratados socialmente.

Thalles Nascimento CastroAcredito que seja importante ocupar espaços, contar histórias, também a si mesmo por meio delas, ver-se e fazer com que vejam, imaginar e possibilitar novos modos de existir. Por isso o livro. Da escrita à impressão da escrita. Para mim, importa muito toda a mobilização que envolve a letra, esforço de que o leitor pode às vezes nem mesmo desconfiar, e que passa pela construção de uma rede difusa de pessoas se dedicando a um projeto comum.

Bruno FigueroaA construção de uma visibilidade LGBTQIA+ é um processo contínuo. É sempre uma busca de transformar o modo de simbolizar a comunidade, frente a tentativa do poder de conter e apagar nossos corpos e desejos. O momento atual é de retrocesso simbólico, uma vez que se tenta resgatar os símbolos que representam apenas a classe dominante nos processos educacionais, míticos e morais, na manutenção de um modelo único de família e na validação de sistemas políticos.

A criação recente de um projeto de lei (PL 504/20) que visa proibir a veiculação de peças publicitárias com diversidade sexual, por exemplo, com o discurso de que a presença de pessoas LGBTQIA+ em propagandas traria desconforto emocional a inúmeras famílias e mostraria práticas danosas às crianças é um nítido ataque à imagem do LGBTQIA+ e suas narrativas.

O preconceito é de natureza diversa. Se não há estímulo ao pensamento crítico, o resultado é a manutenção dos modelos padrões de privilégio e exclusão. Nesse sentido, é muito importante ter um título escrito e produzido por LGBTQIA+ porque é necessário, mesmo, a criação de mecanismos para que a nossa história possa ser sempre contada e ressignificada nos meios onde a sociedade está e que, como indivíduos, nós possamos ser representados com todas as nossas subjetividades e servir de referência para outros tantos LGBTQIA+, mostrando que é possível assumir protagonismos e reduzir preconceitos.

Iago BorgesLGBTQIA+… onde vivem? Do que se alimentam? O que escrevem? Nós somos uma comunidade profundamente heterogênea, que consequentemente escreve sobre assuntos absolutamente diversos, das maneiras as mais variadas. Ao meu ver, a importância de um título como o (Des)encontros é justamente evidenciar essa profusão de vozes, discursos, escritas e projetos literários e editoriais que estão sendo produzidos por nós. A “literatura LGBTQIA+” não é homogênea, tem de tudo e pra todes.

Guido ArosaDiante de um governo federal que menospreza nossa comunidade, acredito que um livro, qualquer que seja, voltado para esse tema é relevante por demonstrar alguma capacidade nossa de resistir diante do menosprezo. Quando vemos no governo um retrocesso em nossa “política de costumes”, que deseja o fim da cultura e do amor igualitário, priorizando as armas e a Bíblia, só nos resta com as palavras tentar lutar e gritar por nosso direito de continuarmos vivos e existindo fora do armário. Um livro, uma arma contra os moralistas.

JoMaKAÉ necessário demarcar territórios na Literatura contemporânea para que nós,LGBTQIA+, possamos construir memórias e contar (ou criar) histórias. Alcançar cada vez mais pessoas e lugares com arte e educação, pessoas que escrevem e pessoas que leem, acreditando na possibilidade de transformação social por esses meios. Para além do essencial registro de vozes e da garantia de representatividade, acredito que a importância do livro “(des)encontros em contos” está no incentivo à cultura lgbtia+, quando contribui para a promoção da  escrita com o objetivo da coletânea de textos selecionados.

Gabriel Bastos MacêdoÉ de suma importância que os produtores de arte abram espaços para corpos dissidentes poderem se expressarem, e isso não deveria ser novidade. Historicamente, o pouco que se foi falado sobre nossos corpos, geralmente acontecia de forma genérica e externa, além de, é, claro, muito CARICATA, por pessoas que não tinham a vivência LGBTQIA+. Como um país culturalmente homofóbico como o nosso, sempre foi muito raro vermos esses corpos nas peças de sucesso dos teatros, nos filmes e novelas, à frente ou por trás das telas, nas bibliotecas sendo lidos, e hoje conseguimos dar alguns passos em relação a isso, mas ainda é muito pouco. Nós ainda somos desvalorizados e subestimados em todos os setores, e o mundo da arte é um deles. Então, essas iniciativas, como a do Sexo da Palavra, são muito necessárias pra desengavetar artistas que estão sob a poeira do preconceito e que tem muito o que falar e contribuir para a cultura brasileira. Ninguém tem mais propriedade pra falar sobre nossas vivências que nós mesmxs, e fazemos sim coisas grandiosas mas que não estão sob os holofotes e nem são tão bem quistas. Esses espaços que conquistamos no coletivo fazem muita diferença a curto e longo prazo.

Oluwa SeyiA maior importância dessa obra, a meu ver, é principalmente a celebração de existências muitas vezes ignoradas e deslegitimadas. A publicação lembra que, além de toda a relevância social, as pessoas da comunidade LGBTQIA+ pensam, produzem e gestam arte. E a arte – produção e apreciação -, segundo minha percepção, é o que nos humaniza. 

#2 – O que te motivou a integrar esta produção?

Eduardo ChaconTinha acabado de escrever um conto sobre uma mulher transexual e sou gay: a chamada parecia feita sob medida para mim! Como em todo edital, sabia que meu texto poderia não ser selecionado, mas senti que eu e minha personagem estávamos em casa, entre iguais. Isso, em si, já era reconfortante e encorajador.

Thalita OliveiraA oportunidade de ser publicada (cada degrau conta, quero ser lida!!) e de contribuir com uma boa causa!

William L. CanedoSempre fui apaixonado por literatura, mas durante grande parte da minha vida não conseguia me encontrar nas narrativas, não conseguia me identificar com os personagens. E é isso que me motiva a escrever: eu quero que a próxima geração de pessoas como eu possa se identificar com o que é representado nos livros.

José Carlos AragãoSempre me opus à violência e à injustiça, especialmente contra os oprimidos – que nem sempre são fracos, mas ocasionalmente fragilizados. Luto pela causa dessas pessoas com as armas que tenho, e a principal delas é a palavra escrita. Por isso, para o livro, escolhi um conto que eu já tinha pronto e que também se adequava aos termos do edital. Nele, abordo a violência contra a mulher – mas que, muitas vezes, também atinge outros gêneros.

Milena FernandesQueria ver esses contos publicados, queria que outras pessoas pudessem ler também. Achei a ideia de trabalhar nele muito boa, gostei de como consegui desenvolver um texto interessante, saindo da minha zona de conforto, que são os quadrinhos. Tenho muitos trabalhos com quadrinhos, mas não quero mais ficar só engavetando projetos de escrita assi, ainda mais se forem contos eróticos. Deixa todo mundo saber! Daqui uns anos eu morro, mas fica aí uns pedaços de mim no mundo.

Henggo – A oportunidade de falar sobre a cultura de São Luís, MA, especificamente sobre a tradição do tambor de crioula, porém, trazendo uma protagonista transgênero. O objetivo principal é refletir, junto ao público, sobre a importância de não cairmos na falsa premissa de que as tradições seculares não conversam com a realidade LGBTQIA+. Sim, ainda há muito preconceito. Sim, o fato de muitas dessas tradições terem viés religioso contribui para os embates. Contudo, eu quis mostrar que há vários grupos culturais que estão de braços abertos e souberam mesclar tradição e diversidade sem “perder a essência” ou “macular o sagrado”, como muitas pessoas pensam.

Luiz Fernando BragaO que mais me atraiu para esta publicação foi poder integrar um grupo de autores até então desconhecidos a mim, poder emprestar minha voz a uma tessitura coletiva.

Matheus GabrichEssa foi bem mais que uma chamada de publicação, foi um projeto de união e apoio, que agora está batendo asas. E o resultado era de se esperar. Diversos autores de várias cores, construindo juntos uma antologia rica e emocionante, repleta de história, de dores, de alegrias, de voos. Ajudando outras tantas pessoas igualmente coloridas, que encontram-se em situação de vulnerabilidade e precisam de apoio. Me sinto imensamente honrado e muito orgulhoso de fazer parte desse projeto.

Flávio Adriano NantesQuando soube do edital de convocação da O sexo da palavra estava trabalhando num texto crítico sobre suicídio e muitas ideias acerca do tema estavam pululando em mim, em meu corpo linguagem, que mais tarde se tornaram o embrião para o conto.

Des(encontros) Em Contos é um livro urgente. É urgente no Brasil da agoridade que nos últimos tempos volta suas armas para os sujeitos historicamente subalternizados, entre eles, os LGBTQIA+. É urgente, sobretudo, quando a sociedade é legitimada por discursos de ódio do atual presidente do Estado-nação, Jair Bolsonaro. É urgente porque o Brasil não pode seguir ocupando o primeiro lugar no ranking mundial em assassinatos a mulheres trans.

De tempos em tempos, o Brasil recorre à extrema violência e mostra seus ferros contra determinados sujeitos, com o claro objetivo de perpetuação de poder e de privilégios de outros. Por isso, Des(encontros) Em Contos é urgente, pois se levanta contra a lesbo-gay-bi-transfobia perpetrada, endossada e replicada pela sociedade brasileira.

Ademais, é urgente que escritores LGBTQIA+ sejam publicados. É urgente que temas LGBTQIA+ circulem na literatura brasileira. É, por fim, é urgente que penetremos o cânone literário eminentemente cisgênero, hétero, branco, médio, urbano, e reivindiquemos um espaço para nossa escritura e escrevivências (Conceição Evaristo). As motivações, portanto, em integrar esta produção com vários escritores dão-se pela urgência de reivindicação de espaços na literatura, no cânone, na sociedade, isto é, lugares que são nossos por direito.

Thalles Nascimento CastroA possibilidade de ter um conto publicado em uma coletânea impregnada de erotismo muito potente.

Bruno FigueroaO anseio inicial era poder simbolizar os corpos LGBTQIA+, criando novas possibilidades de representação. Escolhi o ponto de vista “homem cis gay”, até porque é o lugar de onde falo, mas na divulgação da chamada era muito claro o desejo da editora de fazer uma coletânea que pudesse abraçar todas as demandas da comunidade.

Então, achei incrível essa possibilidade de poder fazer parte da construção dessas representações. Eu acredito que existe um déficit. A rede simbólica dominante é heteronormativa e o poder pertence a esses corpos assim simbolizados. Então, era uma chance de contar histórias e, ao mesmo tempo, fazer parte dessa construção de um lugar para a gente poder falar.

Como resta aos nossos corpos produzir, para sobreviver, suas próprias mídias, entendi que ali, na chamada, existia essa possibilidade muito concreta. A editora propõe para o indivíduo que sofre o preconceito ser protagonista da própria luta, então, isso me atraiu. Como não existe uma forma correta de representar o LGBTQIA+, porque existe uma diversidade de práticas e comportamentos, a coletânea, ao abraçar cada sigla da nossa comunidade, revela isso também ao leitor. E é incrível! O resultado final é bem isso aí: uma diversidade importante e maravilhosa!

Iago Borges – Eu escrevo há mais de 10 anos e nunca publiquei nada. Essa é minha primeira publicação e é difícil de explicar porque só agora. Talvez a chamada voltada especificamente pra artistas LGBTQIA+ foi o que mais me motivou. De algum modo intui que meu conto seria lido de um jeito diferente, menos masculinizado, menos falocêntrico e mais “envaginado”, sei lá. Acho que me senti mais seguro. E rolou.

Guido Arosa – A possibilidade de integrar uma coletânea que sairia por uma editora tão interessante como a Sexo da palavra, que publica autores como Walmir Ayala, me motivou a enviar meu conto “Que horas ele volta?” para concorrer. Com parte dos lucros sendo revertidos para a Casa Nem, vejo que fiz uma escolha ainda mais acertada.

JoMaKAQuando vi a chamada para o concurso, além da oportunidade de publicação inédita, percebi uma possibilidade de conhecer (e de me apresentar para) pessoas lgbtia+ que, assim como eu, batalham para viver de Literatura. Eu acredito no poder da palavra, dos livros, dos encontros e me interessa alcançar mais visibilidade a partir do meu trabalho e fortalecer laços redes-poéticas-literárias.

Gabriel Bastos MacêdoO fato de ser uma produção voltada aos corpos LGBTQIA+. Sinto falta dessas produções nos acervos da literatura brasileira, sendo lidas, sendo pesquisadas nas academias. Nossa literatura ainda é muito cis, branca, sudestina e elitista. E como um amante da literatura brasileira, se posso, preciso contribuir pra mudar esse cenário. Estar nessa produção significa, pra mim, uma afirmação de que existem bons escritores LGBTQIA+ sim, que produzimos sim, e estamos no mundo todo proliferando mais e mais escritores.

Oluwa SeyiEu vi essa chamada e me lembrei deste conto, que já tinha escrito havia meses. Achei que seria interessante e enriquecedor ter um texto meu sobre a experiência amorosa de uma mulher negra que ama outra mulher negra. Naturalizar mulheres negras sendo alvo de amor, um amor saudável, um amor-espelho, é importantíssimo e urgente. E eu, enquanto mulher negra bissexual, também chamo pra mim a responsabilidade de criar universos (ficcionais e reais) em que somos amadas e celebradas. 

Serviço
(Des)encontros em contos 
Editora O Sexo Da Palavra
À venda no site da editora.
R$ 45,00 (valor em nov/2021)
Formato 14X21 cm
256 páginas

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