5 perguntas para o diretor Reginaldo Nascimento, de Chuva de Anjos

Texto inédito do argentino Santiago Serrano faz reflexão sobre a solidão e o individualismo, com as atrizes Amália Pereira e Vera Monteiro

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Reginaldo Nascimento - Foto: Brendo Trolesi
Reginaldo Nascimento - Foto: Brendo Trolesi

Chuva de Anjos é um texto inédito do dramaturgo argentino Santiago Serrano, com direção de Reginaldo Nascimento, termina temporada online. Em cena, são duas mulheres desconhecidas, interpretadas por Amália Pereira e Vera Monteiro, que falam sobre pessoas que saltam dos prédios, suicidando-se.

O diálogo improvável trata de vida e morte, numa perspectiva ora existencialista, ora pessimista. Assim, trata em uma sociedade em plena derrocada.

O primeiro contato com o texto Chuva de Anjos aconteceu em 2018, durante uma leitura na Oficina Cultural Oswald de Andrade, dentro da programação do projeto Teatro Kaus Da América Latina à Espanha, Dez Anos De Dramaturgia Hispânica.

O e-Urbanidade conversou com o diretor Reginaldo Nascimento sobre a montagem:

Chuva de Anjos - foto: Divulgação
Chuva de Anjos – foto: Divulgação

#1 – e-Urbanidade – Como o primeiro acesso de vocês ao dramaturgo foi em 2018, por que o interesse em seguir com esta montagem? O que motivou vocês?

Reinaldo Nascimento: O nosso primeiro contato com a obra do Santiago Serrano foi em 2006, quando montamos o seu texto A Revolta, dentro da nossa pesquisa de estudos e montagens de dramaturgias latino-americanas. A obra do Santiago sempre se renova e faz uma espécie de leitura do nosso tempo.

A princípio, a questão da solidão, o suicídio e outros gatilhos que a obra Chuva de Anjos aborda, de certa forma, apresenta um recorte do que estamos vivendo desde o início de 2020. Trancafiados com as nossas maneiras necessárias de proteção, mudando hábitos e caminhos para sobreviver. Vivendo reclusos em nossos apartamentos, tal como as personagens. Claro que num outro contexto, estamos acometidos da necessidade de liberdade.

#2- O texto de Santiago Serrano tem influências do Teatro do Absurdo, por que a opção de fazer uma montagem mais realista?

R.N.: Na verdade, a opção realista se deu pela necessidade técnica de utilização da ferramenta digital, para que a encenação conseguisse, de alguma forma, atravessar a tela do vídeo e gerar uma percepção real em quem vê.

Talvez o Absurdo esteja na realidade narrada na cena, na configuração que agora apresentamos. Muito da “absurdidade” da obra com certeza será notada quando pudermos ter apresentações presenciais, onde o tempo da cena e o jogo das atrizes no espaço e tempo do espetáculo conseguirá de alguma maneira atingir este lugar.

#3 – Como foi o processo de gravação e leituras do texto? Como conseguiram fazer a interação necessária entre as atrizes?

R.N.: Todo o processo, desde o início, foi realizado via Google Meet. O que ajudou a suprir a distância física na construção do trabalho foi o fato de termos realizado uma leitura presencial na Oficina Oswald de Andrade, em 2018. De certa forma, nos trouxe uma lembrança de como seria o trabalho feito presencialmente. Transpor essa atmosfera para os ensaios remotos demandou de nós todos muita paciência para compreendermos os códigos do processo criativo, para que as atrizes se completassem no jogo à distância.

Fizemos leituras, debates sobre o texto e os ensaios como se estivéssemos no mesmo espaço físico, porém, conectados de regiões diferentes na cidade de São Paulo. Assim encontramos possibilidades de diálogo que foram, de alguma forma, muito reais, como se as personagens estivessem realmente na mesma praça.

#4 – O que Chuvas De Anjos tem a nos dizer neste período tão complexo da pandemia e pós-pandemia?

R.N.: Que precisamos sair, olhar a vida, respirar de verdade, respeitar o tempo, o corpo, as escolhas dos outros, viver em paz. Que as pessoas possam ser felizes sem muitos “anéis”, tendo saúde mental, emocional. Sobretudo, “revivermos velhos costumes” daqueles encontros entre amigos e parentes, que há muito não encontramos. Em algum momento da vida, em algumas horas fora dos compromissos, jogar conversa fora mesmo e rir de coisas sem sentindo, já que o dia de amanhã pode ser uma pandemia.

#5 – Já existe um projeto para a apresentação deste texto, presencialmente, em 2022? 

R.N.: Sim, nosso desejo é quem em meados de fevereiro ou março a peça possa estrear e fazer temporada na cidade de São Paulo.

Serviço
Chuva de Anjos
Até 24 de outubro, sextas, sábados e domingos, às 20h.
Gratuito.
Link para assistir: https://www.youtube.com/OFICINASCULTURAISDOESTADODESAOPAULO

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1 COMMENT

  1. A montagem virtual ficou ótima…
    Não vejo a hora de poder assistir a montagem presencial.
    As atrizes são fantásticas.
    Amália Pereira é uma atriz que nasceu para os grandes palcos.
    A direção do Reginaldo Nascimento é um bálsamo de liberdade nesse momento de restrições.
    Ótimo espetáculo!

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