5 perguntas para Marco de Castro, autor de Morto Não Fala

Morto Não Fala E Outros Segredos Do Necrotério de Marco de Castro escancara os fantasmas de Sampa. Título possui dois contos adaptados para as telonas.

0
Marco de Castro - Foto: Luciana Lazarini
Marco de Castro - Foto: Luciana Lazarini

Em seu livro Morto Não Fala E Outros Segredos de Necrotério, o jornalista e cronista policial Marco de Castro denuncia o racismo e escancara a imoralidade e a violência da cidade de São Paulo em diferentes histórias de horror. Duas delas foram adaptadas para as telonas com os títulos Ninjas, curta-metragem de 2010, e Morto Não Fala, de 2019, ambos do diretor Dennison Ramalho.

O autor tem uma longa experiência cobrindo crimes para jornais e portais da segunda maior cidade da América Latina, conhecendo com intimidade os labirintos da noite da capital paulista e seus crimes assustadores. Agora tem seu livro lançado pela editora DarkSide Books.

Capa Morto Não Fala
Capa Morto Não Fala

O e-Urbanidade conversou com o escritor. Confira:

#1 – e-Urbanidade: Marco, como e por que você começou a escrever? Quais eram as leituras e os autores que te inspiravam?

Marco de Castro: Comecei a escrever em 2004, aos 26 anos. Na época, trabalhava como repórter do jornal Agora São Paulo e cobria bastante casos policiais. Tinha contato com um universo bem sombrio, violento e real e escrevia aquelas histórias trágicas no jornal.

Isso me motivou a produzir crônicas sobre o meu dia a dia de repórter num blog que criei chamado Desgraceira. Logo depois, resolvi começar a escrever ficção e criei outro blog, Casa do Horror, onde publiquei diversos contos que agora foram lançados no Morto Não Fala e Outros Segredos de Necrotério.

Naquela época, eu lia muito Bukowski, Fante e os beatniks em geral. Também lia bastante policial noir, Raymond Chandler, Dashiell Hammett, e estava começando a conhecer James Ellroy.

Antes disso, porém, já tinha lido Stephen King, Clive Barker, Anne Rice e Ray Bradbury, além de Psicose, do Robert Bloch, e O Exorcista, do William Peter Blatty. Ou seja, tinha uma base forte de terror. Fora o fato de que sou viciado em cinema de horror.     

 #2 – Dois contos de seu livro Morto Não Fala E Outros Segredos de Necrotério foram adaptados para o cinema, um deles resultando no longa-metragem Morto Não Fala e no curta-metragem Ninjas. Como é para você ver todos aqueles personagens que antes habitavam o papel tomarem vida na tela e no corpo dos atores?

M.C. : Nunca vou me esquecer do primeiro dia em que pisei no set do Ninjas, em 2009, e vi os atores caracterizados como os personagens que criei, em cenários muito parecidos com o que eu havia imaginado no conto, além de toda uma equipe que envolvia técnicos, câmeras, luz, figurino… Foi uma emoção forte! E quando vi na tela também!

Meus personagens ganhando vida por meio de atores talentosíssimos do nível de Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Flávio Bauraqui… Parece sonho. O louco é que eu escrevi esses contos, na época, de um jeito bem despretensioso. Mas o Dennison Ramalho curtiu e resolveu transformá-los em filmes. Filmes que ficaram incríveis e que rodaram o mundo.

 #3 – Como se iniciou a parceria com o cineasta Dennison Ramalho?

 M.C. : Eu já tinha publicado alguns contos no Casa do Horror e, num fórum sobre cinema de horror na internet. Li uma entrevista do Dennison Ramalho, que na época tinha lançado o curta brutal Amor Só de Mãe. Na entrevista, ele dizia achar que faltava material original de terror para filmar no Brasil.

Resolvi então ir atrás do e-mail dele e mandei o link do meu blog. No dia seguinte, ele respondeu que tinha adorado o blog e marcamos de tomar uma cerveja naquela semana.   

 #4. Como você vê o mercado editorial do país nos dias de hoje?

 M.C. : Infelizmente, o hábito de ler ainda é algo distante da realidade da maioria dos brasileiros, né? O que envolve desde o preço dos livros a inúmeros outros problemas sociais.

Por outro lado, tenho notado um movimento crescente de jovens que, por meio das redes, dão dicas de leitura para seus seguidores. Tipo influencers literários, que incentivam as pessoas a lerem. Acho isso muito legal.

No mais, sei que muita coisa boa está sendo publicada. E essa iniciativa da DarkSide, de ter lançado de uma vez quatro autores nacionais de terror — eu, Verena Cavalcante, Paula Febbe e Bruno Ribeiro —, com edições caprichadas de nível gringo foi demais! Espero que outras editoras façam o mesmo com cada vez mais autores nacionais. 

#5. Você acha que o gênero de horror na literatura é bem aceito em nosso país?

 M.C. : Eu acho que sim. Dentro da parcela da população que lê romances, acho que muita gente aqui no Brasil gosta de Stephen King, Edgar Allan Poe, Lovecraft ou pelo menos já leu clássicos como Drácula do Bram Stoker ou Frankenstein da Mary Shelley. Mas esse pessoal também precisa conhecer o terror que é produzido aqui, com raízes brasileiras e que aborda assuntos que são parte da nossa realidade.

Serviço
Morto Não Fala E Outros Segredos de Necrotério, de Marco de Castro
Editora DarkSide Books
272 páginas.


Quer receber essa e outras notícias no seu e-mail? Assine a newsletter

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here