5 Livros para entender a Semana de Arte Moderna de 22

Livros da Edusp trazem nomes como Anita Malfatti, Cândido Portinari, Heitor Villa-Lobos, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral para entender o que foi a Semana de Arte Moderna de 22.

0
Foto: Divulgação/ EDUSP
Foto: Divulgação/ EDUSP

Há exatos 100 anos, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, acontecia a histórica Semana de Arte Moderna, no Theatro Municipal de São Paulo. O evento impactaria não só artisticamente, mas também filosoficamente o pensamento de uma sociedade que acabava de viver, mesmo que de maneira indireta, os impactos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e que ainda vivia sob a influência das vanguardas europeias.

O Brasil, de um modo geral, começava a se modernizar e as primeiras indústrias estavam chegando à cidade de São Paulo. Outro fator importante era que a produção cafeeira no interior paulista gerava uma boa receita de exportação, transformando o estado em nova referência econômica. Havia também o fato daquele ano ser o centenário da Independência do Brasil. Assim, todo esse cenário foi muito importante para que surgisse o movimento, com patrocínio da alta sociedade paulistana.

Com tantas mudanças e influências, as artes brasileiras também precisavam acompanhar todas essas transformações estruturais. Música, pintura, escultura e literatura foram as principais linguagens impactadas pela necessidade de se criar uma cultura de identidade nacional.

Houve o rompimento com o Parnasianismo, por exemplo, que resumidamente tratava-se de um movimento literário que buscava a perfeição e a beleza. Portanto, a concepção modernista pregava a utilização de uma linguagem mais acessível, com ausência de formalismos.

Obviamente que nem tudo são flores, já que os artistas foram vaiados e duramente criticados durante o evento, devido à ousadia em inovar e contestar uma ordem tradicional existente nas artes.

Alguns dos principais nomes do evento e que se tornaram lendas, mesmo com duras críticas, foram: as artistas plásticas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, a escritora Patrícia Galvão, o pintor Cândido Portinari, o músico Heitor Villa-Lobos, os escritores Oswald de Andrade e Mário de Andrade, entre tantos outros.

E para entender melhor o que foi esse evento tão marcante não só na Pauliceia, mas também para o Brasil como um todo, o e-Urbanidade separou cinco livros para entender melhor a Semana de Arte Moderna de 1922. Todos são da editora Edusp. Confira:

#1. 22 por 22: A Semana de Arte Moderna Vista pelos Seus Contemporâneos – organização de Maria Eugenia Boaventura (2ª edição, 2008, 464 páginas)


Trata-se de uma coletânea de textos publicados em jornais de São Paulo e Rio de Janeiro naquele ano, que recupera polêmicas que envolveram escritores, artistas, críticos e jornalistas, tanto passadistas quanto futuristas. Em destaque, há textos de nomes como Oswald e Mário de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Milliet, Plínio Salgado e Lima Barreto, além de caricaturas de Belmonte e Voltolino.

#2. A Mulher e a Cidade: Imagens da Modernidade Brasileira em Quatro Escritoras Paulistas – de Bianca Ribeiro Manfrini (1ª edição, 2011, 268 páginas)


A autora analisa a relação entre escritoras de diferentes décadas do século 20, como Patrícia Galvão, Maria José Dupré, Carolina Maria de Jesus e Zulmira Ribeiro Tavares, e como o conjunto da obra delas dá forma, representa e sedimenta uma modernidade naquela que pode ser considerada a cidade mais moderna do país. Traz ainda uma reflexão sobre a historiografia literária que as marginalizou, por diversos motivos.

#3. Coleção Mário de Andrade: Religião e Magia, Música e Dança, Cotidiano – com organização de Marta Rossetti Batista (1ª edição, 2004, 452 páginas)

A obra oferece ao público a chance de conhecer objetos de natureza variada reunidos por Mário de Andrade. As peças devidamente identificadas, documentadas e contextualizadas, são acompanhadas de textos introdutórios sobre o colecionador e a coleção. São bens preciosos pelo valor estético, pelo valor etnográfico, ou documental, como itens da imaginária religiosa, indígenas e afro-brasileiras.

#4. Caixa Modernista – com organização de Jorge Schwartz (1ª edição, em fase de reimpressão, coedição com Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e da Editora UFMG)

A Caixa Modernista é um verdadeiro museu portátil da produção das vanguardas artísticas brasileiras. Reúne 30 itens consensualmente importantes para o modernismo brasileiro, entre livros, catálogos, fotos e documentos da Semana de 22. Inclui duas obras em edição fac-similar, que são a Paulicea Desvairada, de Mário, e Pau Brasil, de Oswald.

#5. Vanguardas Latino-americanas: Polêmicas, Manifestos e Textos Críticos – de Jorge Schwartz (2ª edição, em fase de reimpressão, 736 páginas)

A antologia é resultado do levantamento e organização de um vasto material, cuja primeira parte apresenta textos programáticos como manifestos, editoriais de revistas, prefácios, panfletos e poemas-programa, dentre outros. A segunda traz textos de crítica, ordenados pelos temas correntes artísticas, tensões ideológicas e questão da identidade. Por fim, o organizador preparou estudos específicos sobre cada um dos movimentos.

Quer receber essa e outras notícias no seu e-mail? Assine a newsletter

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here