4 perguntas para Laila Garin sobre o espetáculo Gota d’Água [a seco] – Blog e-Urbanidade

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Gota d'água [a seco] - Foto: Edson Lopes Jr
Gota d'água [a seco] - Foto: Edson Lopes Jr

Gota d'água [a seco] - Foto: Edson Lopes Jr
Gota d’água [a seco] – Foto: Edson Lopes Jr
Nova versão do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes, Gota d’Água [a seco], adaptada e dirigida por Rafael Gomes, está de volta a São Paulo para nova temporada.

Estrelada por Laila Garin e Alejandro Claveaux, o espetáculo estreou em 1975 com Bibi Ferreira no Teatro Tereza Rachel (Rio de Janeiro). O Blog e-Urbanidade assistiu essa montagem em 2017 e clique aqui para acessar a resenha.

E cantora e atriz Laila respondeu 4 perguntas para o blog sobre a nova temporada.

1 – Por que a volta aos palcos paulistanos com Gota d´água? O momento político atual teve alguma influência nessa decisão?

Talvez indiretamente. Fizemos 2 turnês e percebemos que o espectador nos quer. Tivemos uma receptividade muito viva e calorosa. Reflexões , retornos no público que nos fizeram entender que a peça está muito viva e necessária e que precisamos ouvir este texto e pensar sobre isto e sofrer esta catarse. Mas isto se dá no nível individual e existencial também. Não só político e social não. É o Jasão e a Joana que mora em cada um de nós. São estas questões de amor, ódio, ética, desejo, pulsão de vida e de morte.

2 – Bibi Ferreira chegou a assistir essa versão?  O que a atriz te inspirou na sua Joana?

Bibi não pôde nos assistir. Bibi sempre esteve no panteão dos deuses pra mim. Será minha eterna Joana. Pra mim a Joana dela é uma deusa e a minha uma mulher apenas. (Risos)

3 – Depois de Gota d´Água [a seco] veio Gota d´Agua Preta. Por que essa montagem permite tantos pontos de vista?

Porque este texto tem tudo sobre a relação entre as pessoas, entre homem e mulher, entre opressor e oprimido, tem questões sociais, de ambição, de traição. Ele traz questões do homem de todo tempo e lugar. É um verdadeiro clássico , uma obra prima que ainda por cima tem uma forma perfeita que é super rebuscada mas parece prosaica e direta e cotidiana. Qualquer um pode entender. Qualquer um consegue se identificar e identificar algo do seu universo, sua ética.

4- O texto de Chico Buarque se inspirou nos conceitos da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Só há um jeito de sair da função de oprimido: não repetir a violência do opressor. Como você vê a tentativa do Ministério da Educação tirar Paulo Freire das discussões pedagógicos?

Acho perigoso. Nossa liberdade é nossa capacidade de reflexão, é nossa capacidade crítica. Se nos tiram isto viramos gado. Morremos.

Serviço
GOTA D’ÁGUA [A SECO]

De 17 de abril a 30 de maio – Quartas e quintas, às 21h.
Indicação Etária: 14 anos.

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